Mudanças no consumo: as 10 principais tendências de 2021

Após tantas incertezas trazidas pelo cenário da Covid-19, o ano de 2021 segue cheio de desafios para as empresas varejistas, que continuam adequando suas operações. Mas o que esperar de 2021? Confira abaixo 10 tendências traçadas por Patrícia Cotti, diretora executiva do IBEVAR, com base nas experiências dos indivíduos e seus novos comportamentos.

1 – Compartilhamento de experiências
Em um mundo de restrições, o compartilhamento e a necessidade de reforço das experiências felizes se faz presente em uma maior realidade. A necessidade de bem-estar do ser humano reforça seus comportamentos de rede e de dividir com os demais suas sensações positivas. Experiências vividas em conjunto (mesmo que à distância), bem como experiências individuais provedoras de sentimento positivo, tendem a ter maior representação pela necessidade do indivíduo de prazer.

2 – Novas formas de entrega
Em 2020, a entrega se provou um dos principais atributos de escolha do indivíduo, dada as restrições sanitárias e de locomoção. As formas de acesso e distribuição dos produtos tiveram de ser reinventadas pelos varejistas. Houve a junção do mundo on e off em estratégias de “retirada em loja”, “ship from store”, “entrega express”, “lockers e pontos de coleta”, dentre outros. A entrega rápida se tornou sinônimo de maior valor e conveniência ao indivíduo, o que tende a ser reforçado em 2021.

3 – Meios de pagamento
Pagamentos por aproximação, wallets, e novas formas de transação estão em alta. A adoção destes novos meios pelo consumidor sofreu aceleração exponencial em razão da crise, com adoção pelos varejistas e consumidores em larga escala. A tendência é uma mão sem volta, à medida que estabelece benefícios para ambos os lados da relação (varejistas e consumidores).

4 – Lazer a distância
Mesmo com os debates acerca da vacina e possível volta à “normalidade”, o comportamento do consumidor mudou. E esta mudança faz com que o receio a certos comportamentos ainda esteja presente, em maior ou menor escala (a depender dos aspectos de cada indivíduo). Novas formas de prazer e de lazer tiveram de ser encontradas à distância, e seus benefícios foram em maior ou menor grau sentidos. Muitos consumidores já “se acostumaram” com este tipo de rotina, ou mesmo viram benefícios nela, o que faz com que continuem a adotar tais práticas.

5 – Experiências personalizadas
O varejo à distância permitiu um maior acesso individual, com melhor entendimento dos valores de cada consumidor, e não de seus comportamentos de grupo. Com isso, as experiências também se tornaram cada vez mais direcionadas e personalizadas. O digital também trouxe acesso a dados até antes desconhecidos que, quando mapeados de maneira correta e ética, podem levar ao oferecimento de conteúdos cada vez mais personalizados (e com maiores índices de conversão em compra).

6 – Serviços de streaming
Uma das maiores altas de 2020, os serviços de streaming continuam a toda em 2021. O conteúdo disponibilizado por estes meios vai desde o entretenimento até o acesso a venda de produtos. Ou seja, ocupa lugar de destaque na vida do consumidor moderno, que usa desde tipo de ferramenta para interagir com conteúdos externos e obter informações e/ou entretenimento.

7 – Educação à distância
Os benefícios de obter conhecimento à distância foram sentidos pelos indivíduos nos últimos meses. O conteúdo massivo de informações e possibilidades, bem como a divulgação de novos formatos e metodologias (lives, novas ferramentas, novas metodologias, maior número de conteúdos), fez com que o acesso à informação fosse barateado e facilitado. Este acesso não só estimula os indivíduos, como também os pressiona na busca de uma maior performance, conhecimento e resultado, com aumento da procura e reforço da tendência.

8 – DIY (Do it yourself) – Faça você mesmo
O DIY continua em alta. Os consumidores perceberam uma maior economia (e alguns até um novo hobby/prazer) na prática do fazer por si mesmos. A tendência continuará a ser percebida em todos os segmentos, desde o alimentar (com os kits de receita e ingredientes), até os mais tradicionais de material de construção e produtos de home care.

9 – Novo papel das redes sociais
As redes sociais passam por um momento de transformação, assim como a vida dos indivíduos também muda. O tipo de postagens e o papel desenvolvido pelas ferramentas na vida dos indivíduos estão evoluindo para um âmbito mais pessoal. Com isso, os conteúdos empresariais devem ser revistos, assim como os próprios canais de divulgação.

10 – Mudanças no estilo de vida
Passada a primeira grande onda de desestabilização dos comportamentos, o indivíduo pouco a pouco se acostuma com suas novas rotinas e formas de vida. Isto faz com que ele comece a adotar padrões comportamentais mais estáveis, cada vez menos reativos. Os novos estilos de vida estão em construção, e poderão ser visualizados em novos clusters daqui para frente. Cabe às empresas entenderem esta nova segmentação.

 

Varejo na pandemia: desejo por compra híbrida sobe de 29% para 49%

Soluções como “Clique e retire” e drive thru e compras pelo WhatsApp e pelo Instagram caíram definitivamente no gosto do consumidor brasileiro. A consolidação dessas tendências, que foi reforçada pela pandemia de Covid-19, é evidenciada nos resultados da pesquisa “Jornada omnichannel e o futuro do varejo”, feita pela Social Miner em parceria com a Opinion Box.

De acordo com o estudo, em 2021, 49% dos consumidores pretendem mesclar suas compras entre ambientes on-line e lojas físicas. Em 2019, esse número era de 29%.

Da mesma forma, cerca de metade dos consumidores quer opções que começaram a ser oferecidas por muitos varejistas apenas diante da necessidade de distanciamento social permaneçam. A pesquisa revela que, em 2021, 52% dos consumidores pretendem comprar on-line e retirar nas lojas físicas; 50% esperam poder contar com serviços alternativos, como drive-thru nos shoppings; e 52% esperam poder continuar consumindo pelo WhatsApp e Instagram.

Enquanto isso, 46% dos que preferem consumir no varejo físico mencionam a vantagem de poder ver e sentir os produtos para fazerem essa opção. Outro dado apontado pelo estudo é que, neste ano, 48% dos brasileiros pretendem aproveitar para comprar tudo aquilo do que vêm se privando durante a crise e 84% estão na expectativa de encontrar boas ofertas.

Logística é ponto-chave no e-commerce em tempo de pandemia

O e-commerce, em 2020, registrou crescimento de 47% de acordo com pesquisa realizada pela Ebit | Nielsen no segundo semestre do ano. A modalidade tem se popularizado, mas ainda há desafios para os empresários, principalmente, de pequeno e médio porte. A organização de uma logística eficaz, por vezes, gera dores de cabeça aos lojistas. Para facilitar esse processo, empresas e plataformas que oferecem o intermédio entre comerciantes e Correios ou transportadoras privadas podem ser soluções.

Existem fatores que tornam o transporte e a entrega de produtos dificultosos. As dimensões territoriais do Brasil é um deles. O diretor logístico da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm) Fábio Fialho destaca que os desafios são ainda maiores para o transporte intermunicipal. Ele afirma que, nos envios para longas distâncias, os comerciantes ficam divididos entre as transportadoras privadas, que nem sempre atingem a totalidade do país, e os Correios, que cobrem o território nacional.

Outro ponto que Fábio destaca como um desafio para os comerciantes é a logística reversa. A coleta ou a devolução do produto pós-venda para descarte ou conserto requerem planejamento e são fundamentais para a fidelização do cliente. No entanto, os lojistas nem sempre se integram devidamente a respeito desses procedimentos. Os Correios têm um sistema de logística reversa e de coleta e, para o diretor logístico da Abcomm, precisam ser o “plano de fundo” dos lojistas já que facilitam esse processo por conta de sua grande abrangência. Transportadoras também têm buscando oferecer esse serviço.

Para as entregas dentro da capital as possibilidades são mais amplas. Além dos meios tradicionais de transportes, aplicativos de delivery, como Loggi, Uber Flash e Rappi, têm sido facilitadores da troca entre lojistas e clientes, sobretudo quando se trata de quantidade menor de produtos e maior urgência de entrega. O serviço mais rápido também é ofertado por transportadoras privadas que trabalham na modalidade do “same day delivery” (entrega no mesmo dia).

Antes de definir a logística “da porta para fora”, o analista do Sebrae Tauan Sousa aconselha que os lojistas de e-commerce “deem um passo para trás” e estabeleçam com precisão as estratégias de suas empresas. “Antes disso, é fundamental que você tenha seus processos internos definidos e implantados”, diz. Só depois de determinados o estoque, as formas de venda, os valores de cobrança, as maneiras de realizar a logística reversa, o público-alvo e o diferencial da empresa – se preço, rapidez, qualidade ou os três – é que se deve partir para a definição de parceiros de intermediação e distribuição.

Conexão mais fácil

Com o intuito de facilitar a conexão entre criadores de marcas autorais baianas e compradores que priorizam o consumo consciente em todo o Brasil, a advogada soteropolitana Geisa Bacellar transformou a loja física Elementuá (@elementua) em um marketplace. Os marketplaces, negócios on-line em que diversas marcas podem se inscrever e vender seus produtos, são uma boa estratégia de simplificação para lojistas de e-commerce porque o serviço de entrega é definido, monitorado e/ou garantido pela plataforma. Na vitrine eletrônica, os consumidores podem adquirir itens de empresas diferentes pagando tudo junto no mesmo carrinho de compra. O empresário da marca que faz parte da Elementuá é responsável por despachar o produto, mas não paga o frete. Hoje, a plataforma reúne também empresas de fora do estado.

A plataforma de soluções de fretes catarinense Melhor Envio, eleita a melhor empresa de logística no e-commerce pela Abcomm em 2020, tem o intuito de auxiliar pequenos e médios comerciantes on-line a terem condições mais competitivas e a conseguirem otimizar a gestão de logística de seus negócios. Através da plataforma, empreendedores podem cotar os fretes simultaneamente com os Correios e diversas transportadoras, enviar o produto e monitorá-lo. O CEO Éder Medeiros destaca que entre um dos diferenciais do uso da plataforma está a possibilidade de empresas menores terem um preço mais competitivo do que se buscassem sozinhas por serviços de entrega.

Possibilitar que lojistas alcancem seus consumidores mais facilmente também é o objetivo da empresa de logística Pra Já Envios. A empresa, que atua em três unidades em Lauro de Freitas, faz a coleta de cargas a domicílio na Bahia inteira e realiza envios nacionais e internacionais. O sócio Vinicius Alves afirma que o propósito do negócio é, também, “descomplicar informações que muitas vezes são de difícil entendimento na linguagem das transportadoras” e auxiliar na escolha do melhor serviço de envio.

 

 

Descentralização do e-commerce potencializa a cadeia logística, explica executivo da Total Express

Durante palestra no The Future of E-Commerce, edição Logística, Eduardo Mayerhofer, Diretor Comercial & Marketing da Total Express, explicou um pouco sobre o processo de descentralização vivenciado hoje pelo varejo brasileiro. De acordo com o executivo, essa é uma tendência mundial que pode beneficiar as entregas e melhorar a experiência dos consumidores.

Ele usou como exemplo os faturamentos assustadores no e-commerce mundial para expressar o crescimento das vendas on-line e, como consequência, a evolução dos processos logísticos em que as empresas brasileiras podem se espelhar.

O mais impressionante, segundo Mayerhofer, é a eficiência com que de países como os Estados Unidos e China, que, em escala continental, conseguem entregar de maneira cada vez mais rápida e inovadora.

Por aqui, já se fala bastante em “same day delivery” (entregas no mesmo dia), mas a média de prazo de entrega no Brasil ainda é de 9 dias, o que afasta o país da experiência que é esperada pela tendência internacional.

Para o executivo, no entanto, essa realidade é uma grande oportunidade para o mercado. Isso porque percebe-se hoje uma descentralização do eixo Rio-São Paulo, que foi durante muito tempo o polo consumidor e distribuidor do e-commerce no Brasil.

Para ele, a descentralização traz diversos benefícios, dos quais ele cita a facilidade de entrega, fragmentação de coleta, capacidade de personalizar o atendimento de acordo com a região e a redução dos custos.

5 principais motivos para a descentralização de operações logísticas:

  • Proximidade dos consumidores e embarcadores locais;
  • Redução do tempo de entrega;
  • Redução de custos;
  • Fragmentação da capacidade de coleta;
  • Viabilização das operações de entrega no mesmo dia.

“Hoje já vemos os grandes varejistas brasileiros próximos aos outros polos consumidores do Brasil, principalmente no Nordeste”, ele explica.

Para as grandes empresas varejistas não é custoso descentralizar os estoques, por causa do forte giro dessas marcas. Porém, para os menores, não é tão simples assim: “é preciso inovar e pensar em alternativas”, diz Mayerhofer.

Os marketplaces, por sua vez, vêm pensando na oferta de facilidades para os lojistas das plataformas, principalmente os pequenos e médios.

“É daí que surge essa necessidade dos marketplaces em construir CDs em múltiplas localidades”, argumenta o executivo, pois isso acaba auxiliando a distribuição e a capilaridade dos lojistas das plataforma, o que, por sua vez, torna-se uma alternativa para os menores.

Ship from store

Segundo ele, a modalidade que mais cresceu entre os varejistas em 2020 foi o ship from store (a entrega vinda da loja).

Além de usar o estoque da loja para fazer a entrega do e-commerce, o ship from store ajuda na regionalização do e-commerce e também na redução de custos e desperdícios para a marca. Funciona basicamente como um hub logístico.

Um estoque menos central, porém localizado perto dos consumidores, torna-se uma vitrine virtual que agiliza o giro de produtos e ainda beneficia a receita da loja.

De acordo com Eduardo, algumas marcas conseguem aumentar em até 30% os lucros com essa estratégia.

Benefícios do ship from store:

  • Aumento da receita;
  • Regionalização;
  • Otimização;
  • Menor desperdício;
  • Minimização de riscos.

F2C

Ligar a indústria ao consumidor final também é uma alternativa viável em alguns casos: na China e nos EUA, esse tipo de estratégia já vem se mostrando muito lucrativa. Conhecida como F2C (Factory to consumer), nela são eliminadas as etapas intermediárias entre indústria e consumidor final (como a distribuição e as redes varejistas), permitindo a venda por um preço mais baixo e aproveitando os estoques e malha de distribuição da própria fábrica.

Dark stores

O conceito de dark stores (algo como “lojas escuras”, em Português) se tornou muito popular em 2020 em decorrência do fechamento das lojas durante os primeiros meses da pandemia.

Não é propriamente o estoque da loja física, pois estes espaços não estão abertos ao consumidor do estabelecimento, mas servem como pequenos espaços mais próximos dos polos consumidores para entrega exclusiva do e-commerce. Muitas vezes aproveitando a estrutura física de estabelecimentos da marca já existentes.

Porém, com tantas alternativas de entrega, por que os prazos não diminuem?

Segundo o executivo, a redução dos voos e a dependência do mercado aéreo prejudicou muitas entregas em escala global e regional também, o que aumentou os prazos em 2020.

Ele espera que com a lenta retomada das atividades em 2021, haja uma mudança de prazos novamente. “Nós, consumidores, somos quem determinamos quais são as necessidades de produção da indústria ou não”, ele explica.

Para ele, o mercado logístico já está mudando. As empresas estão cada vez mais preocupadas em atender de maneira flexível as empresas médias e pequenas, tirando um pouco a dependência dos lojistas das grandes (e caras) transportadoras tradicionais que não se adaptaram.

Pudos

Nova modalidade de entrega, ainda sem tradução, que serve como ponto de transferência secundária, como uma lavanderia ou loja de outra categoria. Trata-se de pontos de “pick up ou drop off”, que funcionam como pontos de retirada e despache de mercadorias.

  • Beneficiam os consumidores que moram em locais de difícil acesso fora da área de cobertura das transportadoras;
  • Beneficia as lojas que não tem uma vazão grande e precisam de soluções logísticas para pequenas quantidades;
  • E beneficia também as transportadoras, que conseguem atender mais lojas e consumidores, dando vazão às demandas que antes ficavam represadas pela dificuldade de entrega.

O The Future Of E-Commerce – Logística 2021 abre o calendário de eventos do E-Commerce Brasil em 2021. Todas as palestras serão disponibilizadas no canal do ECBR no YouTube nos próximos dias.

Vendas on-line de acessórios pessoais alcançaram US$ 15 bilhões em 2020

A pandemia acelerou a adoção do comércio digital, mas a aceitação varia com a faixa etária. Os consumidores, especialmente os grupos mais jovens, são indiferentes à escolha entre atividades físicas ou virtuais, pois eles já não distinguem uma da outra. Em 2020, as vendas on-line globais de acessórios pessoais chegaram a US$ 15,8 bilhões.

Segundo dados do relatório Euromonitor International Digital Consumer Survey, divulgado nesta semana, os consumidores mais jovens preferem as interações digitais, enquanto 68% dos consumidores maiores de 60 anos preferem falar com representantes humanos. Os dados foram coletados entre março e abril de 2020.

Dados do levantamento mostram que os consumidores recorreram aos dispositivos com conexão à internet para manter suas rotinas em meio aos lockdowns que marcaram a pandemia de Covid-19. Usando tecnologias como videoconferência, aparelhos inteligentes, realidade aumentada (RA) e realidade virtual (RV), os consumidores criaram novos hábitos de trabalho, estudo, prática de exercícios, compras e socialização.

De acordo com o relatório, estas ferramentas digitais viabilizaram a Realidade Figital, que mantém os consumidores conectados virtualmente ao mundo exterior apesar da distância física. 87% dos consumidores possuem um smartphone, e estes aparelhos facilitam a adoção de protocolos mais seguros nos espaços físicos.

Outras formas de interação on-line

Os negócios físicos e tradicionais também evoluirão. As empresas dos setores de alimentação e varejo também estão repensando suas lojas físicas, aproveitando os espaços para atendimento de pedidos on-line ou retirada no local.

As empresas estão oferecendo novos produtos via delivery, bem como serviços virtuais que replicam experiências do mundo exterior.

Diante da relutância dos consumidores em visitar lojas lotadas e interagir com humanos, os supermercados se adaptaram rapidamente, oferecendo serviços de pedidos on-line e até entregas por robôs. Segundo o relatório, 44% dos consumidores receberiam tranquilamente uma entrega realizada por um drone ou robô.

A sociedade já estava adotando métodos de pagamento sem dinheiro em espécie ou cartões tradicionais, e a pandemia acelerou esta transição. 20% dos consumidores usam métodos de pagamento via celular diariamente, de acordo com a Euromonitor.

Se quiser baixar o relatório completo, acesse a página da Euromonitor International.

Vendas diretas passam por transformação digital e crescem 9% na pandemia

As vendas diretas cresceram 9% entre janeiro e outubro de 2020, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), que reúne as maiores empresas do setor. Já o número de empreendedores independentes saltou 11% no mesmo período.

O resultado positivo em meio à crise de gerada pela pandemia de Covid-19 é explicado, de acordo com a associação, pela transformação total pela qual o setor passou no ano passado, migrando definitivamente para o meio digital.

“Já vínhamos incentivando a força de vendas para o uso de ferramentas digitais na divulgação e venda de produtos. Com a possibilidade de a venda ser feita de forma digital, não há mais barreiras. O relacionamento, o cuidado e o carinho da venda direta podem acontecer on-line, com conquista de mais clientes e maior divulgação dos produtos. Se as relações estão cada vez mais digitais, a venda direta segue esse caminho e encontrou solo fértil para crescimento”, afirma a presidente executiva da ABEVD, Adriana Colloca.

Por meio do chamado social selling, que foi impulsionada principalmente pela necessidade do isolamento social, a divulgação, a escolha e a compra do produto são feitos on-line. Isso pode ocorrer por meio de relacionamento via redes sociais e termina na entrega do produto na casa do cliente, por exemplo, sem a necessidade de encontro físico.

Para a ABVED, por causa dessa transformação on-line, o ano de 2020 pode ser considerado um divisor de águas no segmento. A expectativa é de que o movimento se intensifique em 2021, abrindo novas perspectivas de atuação para os empreendedores individuais.

“Nesse momento, de tanto desemprego e queda no poder aquisitivo, a venda direta é uma ótima oportunidade de empreender, com flexibilidade de horário, sem chefe, com grande variedade de boas marcas e produtos e baixo custo de entrada. Formou-se uma rede de empreendedorismo social, com toda a capilaridade que é característica do setor, dinamizando o poder de alcance desse modelo de negócio”, diz Adriana.

Braço de entregas por robôs da Uber procura investidores para virar autônoma

A Postmates X, a divisão de robótica da startup de entrega sob demanda que o Uber adquiriu no ano passado por US$ 2,65 bilhões, está buscando investidores para se tornar uma empresa separada, de acordo com pessoas familiarizadas com os planos.

A startup está sendo chamada de Serve Robotics, uma homenagem ao robô autônomo de entrega de calçada com brasão amarelo e preto que foi desenvolvido e pilotado por Postmates X. O robô Serve, que recentemente fez parceria com a Pink Dot Stores para entregas em West Hollywood, provavelmente será a peça central da nova inicialização.

A Uber não quis comentar.

Segundo o acordo, que está sendo vendido a investidores, a empresa seria comandada por executivos da Postmates X. A Uber manteria uma participação acionária na Serve Robotics e manteria um acordo comercial com a startup. A Uber está em negociações para manter cerca de 25% de participação na nova startup, de acordo com uma fonte familiarizada com o negócio.

Não existe uma entidade legal — por enquanto — chamada Serve Robotics. No entanto, um domínio de site serverobotics.com foi registrado em 6 de janeiro.

O robô da Uber

A exploração dos Postmates em robôs de entrega de calçada começou em 2017, depois que a empresa adquiriu discretamente a startup Lox.

A Postmates revelou seu primeiro robô de entrega autônomo Serve em dezembro de 2018. Uma segunda geração surgiu no verão de 2019 antes de seu lançamento comercial planejado em Los Angeles, na Califórnia.

Em vez de trabalhar com um parceiro, a Postmates usou seus próprios dados de entrega para formar a base de como projetaria o robô.

 

 

O Postmates X usou dados históricos de entrega da empresa para desenvolver uma simulação, que foi então usada no design do robô Serve, e ajudou a equipe a determinar a duração da bateria necessária e o tamanho do compartimento de carga, entre outros recursos.

O robô representava apenas uma fatia do negócio de entrega da Postmates. No entanto, a empresa viu um interesse crescente no robô em Los Angeles e San Francisco — as duas cidades onde opera comercialmente — à medida que a Covid-19 alimentava a demanda por entrega sem contato. Em outubro, os robôs já completaram milhares de entregas em Los Angeles.

 

Consumidor quer entrega no mesmo dia e passo a passo do serviço

Comprar o produto on-line, acompanhar o caminho dele da loja até a empresa transportadora e, depois, até o endereço de entrega – que, de preferência, será no mesmo dia. Com o crescimento do e-commerce na pandemia de Covid-19, a importância da transparência e da rapidez aumentou – e devem ser uns valores que vão continuar no foco dos consumidores no futuro.

Os desafios da chamada “última milha” (last mile, em inglês) foi o assunto de um dos painéis do “Chapter 1” do Retail’s Big Show, a maior feira de varejo do mundo, realizada pela National Retail Federation e acompanhada em tempo real pelo portal Mercado & Consumo. Os executivos falaram sobre o que é necessário para um varejista ter sucesso nessa etapa, que está no centro das atenções. “O consumidor quer tudo mais rápido, mais barato e mais transparente”, resumiu diretora de operações dos Laboratórios XRC, Kelly Chen, moderadora do debate.

De olho a esses desejos, o Uber lançou em abril do ano passado, nos Estados Unidos, o Uber Direct, serviço pré-agendado de last mile para varejistas, que logo depois chegou também ao Brasil, ao México e ao Canadá. Em breve, a plataforma será lançada na Austrália. “Antes da pandemia, todo mundo queria um serviço de streaming, mas, durante isso se tornou uma necessidade existencial para os consumidores”, compara o líder do Uber Direct e do Uber for Business, Erik Logerquist.

Da mesma forma, a agilidade na entrega se tornou imperativa. “A demanda pela entrega no mesmo dia é muito grande. O mais difícil de atuar na last mile é fazer isso da forma certa. É preciso muita infraestrutura, algo que fornecedores tradicionais muitas vezes não conseguem fazer”, comentou.

A transparência também é importante. “O consumidor precisa ser informado sobre cada passo do serviço. Ele já ‘enxergava’ esse caminho quando comprava batata frita, por exemplo, mas hoje quer ver também quando faz compras em outros varejistas. Ele quer ter maior controle sobre suas compras. ”

Como otimizar a logística?

Para o CEO da plataforma de logística Fillogic, Bill Thayer, essas mudanças devem ser permanentes, por isso os processos precisam ser otimizados. Ele destacou a necessidade de aumentar a visibilidade da cadeia de suprimentos, alavancando novas tecnologias e reinventando ecossistemas logísticos.

E, de acordo com Thayer, apesar de a maioria das lojas não ter sido desenhada para funcionar como hubs de distribuição de produtos, esse é o futuro. “Uma das melhores formas de facilitar a logística é buscando o produto de uma loja ou de um shopping center perto da casa do cliente. Antes da Covid-19, o varejo sabia que esse caminho era interessante, mas não tinha urgência em fazer essa transformação. Depois, se tornou fundamental. ”

O presidente e COO da Tanger Outlet Centers, Stephen J. Yalof, também citou a entrega de produtos na porta das lojas como algo que ele acredita que vai permanecer mesmo depois que a pandemia tiver ficado para trás. “Virou padrão”, definiu. Outra tendência apontada por ele é a compra virtual de qualquer lugar, mesmo que seja dentro da própria loja. “Os padrões de consumo começaram a evoluir antes da pandemia, mas com certeza se aceleraram muito depois dela.

 

Magalu, Delivery Center e Dengo ganham prêmio internacional de inovação no varejo

As brasileiras Magazine Luiza, Delivery Center e Dengo estão entre as 50 empresas de varejo mais inovadoras de 15 países do mundo, de acordo com relatório do Grupo Ebeltoft, um consórcio de empresas líderes em varejo e consultorias de marcas do qual faz parte o Gouvêa Ecosystem.

A mercearia canadense Grocery Neighbor foi escolhida como o grande case do ano. O relatório divide as empresas em quatro tendências: omni-integração (categoria em que ficaram o Magalu e o Delivery Center), experiência extrema (caso da Dengo), extrema conveniência e práticas sustentáveis.

O documento destaca que o Magazine Luiza é um Ecossistema de Negócios criado fora de regiões “óbvias”, como Estados Unidos e China, tendo se tornado, “provavelmente, um dos varejistas omnichannel mais integrados e inovadores do mundo”. Informa, ainda, que a empresa se posiciona como uma “empresa digital com lojas físicas e coração” e é conhecida pela qualidade do atendimento ao cliente.

O Delivery Center é classificado como um “serviço completo (mercado, pagamento e logística) onde varejistas localizados em shoppings podem vender e atender pedidos on-line”. A McMillanDoolittle ressalta que a empresa conta com investimentos de duas das maiores redes de shopping centers do Brasil, “unindo forças para criar um ecossistema mais forte”.

Já a Dengo chamou a atenção por ter, segundo a consultoria, criado uma loja virtual com experiência de loja física diante da necessidade de fechamento das lojas por causa da Covid-19. “Os clientes podem acessar uma transmissão ao vivo de uma loja física em um shopping center e interagir em tempo real com um vendedor, que entrega a proposta de valor da marca no mundo digital”, destaca o documento.

Veículo da canadense Grocery Neighbor

A Grocery Neighbor, escolhida como a empresa mais inovadora entre as 50 da lista, é um conceito de mercearia canadense que oferece extrema conveniência por meio de um veículo de 18 rodas. Cada caminhão pode ser encontrado por meio de um aplicativo móvel que permite que os clientes rastreiem e sinalizem os veículos, bem como digitalizem e paguem por seus itens.

A empresa “oferece a conveniência da entrega de supermercados sem incômodo ou desperdício, permitindo que os clientes selecionem seus próprios itens e usem seus próprios recipientes. Nem todos os bairros são projetados para acomodar mercearias em 18 rodas, mas estamos ansiosos para acompanhar para ver como esse conceito é refinado à medida que ele se desenvolve”, diz o relatório.

A documento destaca que os varejistas e marcas incluídos na edição deste ano não só conseguiram sobreviver, superando os desafios de operar durante uma pandemia global, mas também prosperar, reimaginando como melhor atender aos seus clientes.

Mercado Livre cresce na pandemia em 185% e agora olha para o delivery

Valendo US$ 77 bilhões, Mercado Livre cresce na pandemia e pretende ingressar no setor de delivery e venda alimentos frescos.

O site de compra e venda de produtos Mercado Livre cresce na pandemia cerca de 185% e ultrapassa o valor de mercado da Petrobras e de bancos tradicionais como Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil. O marketplace argentino conseguiu, inclusive, ultrapassar a mineradora Vale em agosto, ficando na primeira posição como a empresa latino-americana mais valiosa.

Desde o início da pandemia de COVID-19 até agora, o valor do Mercado Livre na bolsa de valores americana Nasdaq passou de US$ 27 bilhões para US$ 77 bilhões. De acordo com Stelleo Tolda, cofundador do Mercado Livre, a companhia cresceu no último ano, o que era esperado para os próximos dois anos. Ele acredita que o isolamento social acabou contribuindo para o crescimento do marketplace, pois muitas pessoas passaram a recorrer aos e-commerces para fazer as compras durante a pandemia.

Vale ressaltar que as vendas on-line tiveram um aumento considerável em 2020 em relação aos anos anteriores. De acordo com uma pesquisa da Ebit/Nielsen, as vendas virtuais no Natal tiveram alta de 44,6%, fazendo o varejo on-line faturar cerca de 3,8 bilhões, contra R$ 2,6 bilhões em 2019.

 mercado livre cresce na pandemia
De acordo com dados da Economatica, o Mercado Livre chegou a ser a empresa mais valiosa da América Latina em agosto de 2020.

Mercado Livre cresce na pandemia e prepara novos voos

O Mercado Livre cresce na pandemia e está de olho em outro nicho, o delivery de restaurantes. Ainda não se sabe ao certo se o app de delivery da empresa vai entrar no mercado para concorrer com aplicativos como Uber Eats e iFood, que são voltados apenas para a entrega de comida. Ou se o app de delivery do Mercado Livre vai ser como o Rappi, que realiza entregas de alimentos e produtos diversos.

A companhia também pretende começar a vender alimentos frescos na plataforma. Já é possível encontrar alimentos secos à venda no marketplace. Feijão, leite em pó, arroz e outros produtos com data de validade maior já são vendidos no app do Mercado Livre e no site. Mas a novidade vai permitir que os varejistas comecem a vender alimentos mais perecíveis. Por isso, no final do ano, o Mercado Livre anunciou que iria abrir mais cinco centros de distribuição no Brasil com o objetivo de tornar as entregas mais rápidas. O investimento em logística é o primeiro passo para que o Mercado Livre consiga garantir a entrega dos produtos perecíveis no mesmo dia da compra.

Mercado Pago também cresceu durante a pandemia

O Mercado Pago, fintech do Mercado Livre, também viu seus negócios crescerem na pandemia. Durante o pagamento do auxílio emergencial, o Mercado Pago registrou a abertura de cerca de 7 milhões de contas. O crescimento da fintech aconteceu justamente em um momento onde as instituições bancárias acirraram a disputa para ganhar novos clientes.

O Mercado Libre (Mercado Livre em português) foi fundado na Argentina em 1999 por Marcos Galperin e tem como cofundador o brasileiro Stelleo Tolda. A companhia, que opera em 19 países, é uma das empresas mais promissoras da América Latina e pode chegar mais longe nos próximos anos, ao que tudo indica.