China lidera e-commerce global em 2023 com vendas na casa de US$ 2,2 trilhões

Tudo indica que a China manterá sua posição dominante no cenário global do e-commerce. Afinal, com um crescimento de 9,9%, o mercado de comércio eletrônico chinês prevê um aumento de US$ 2,2 bilhões em 2023.

Essa estimativa é da pesquisadora GlobalData, que também afirma que as vendas online na China cresceram a um CAGR de 11,2% entre 2018 e 2022. Na ocasião, atingiu um valor de US$ 2,0 trilhões em 2022.

China representa um terço do mercado global de e-commerce

Em 2022, a China representou 33,9% de participação no mercado global de comércio eletrônico em termos de valor de pagamentos. No ano passado, o país foi seguido pelos EUA, com US$ 1,8 trilhão, e o Reino Unido, com US$ 287,4 bilhões.

Diante dos números, a pesquisadora compreende ser pouco provável uma mudança de cenário em 2023, com a China se mantendo no topo.

Digitalização de pagamentos aceleram o e-commerce chinês

Soluções alternativas de pagamento, como Alipay e WeChat Pay, são responsáveis por acelerar a expansão das vendas online na China. Principalmente na pandemia, o mercado chinês de e-commerce evoluiu rapidamente. Os motivos, neste caso, foram:

– rápida adoção de smartphones;

– penetração da Internet;

– aumento de compradores online;

– e disponibilidade de soluções alternativas de pagamento, como Alipay e WeChat Pay.

Otimização do e-commerce nas áreas rurais

Outro ponto importante para o crescimento do e-commerce na China foi otimização da cobertura digital nas zonas rurais. De acordo com o Ministério do Comércio da China, as vendas no varejo online nas áreas rurais aumentaram 12,5% durante o primeiro semestre de 2023 em comparação com o mesmo período de 2022.

Live shopping na China é levada a sério

Como já mostramos aqui, somente em 2021 as compras compras ao vivo movimentaram cerca de US$ 157 bilhões globalmente, sendo 60% desse valor somente na China. Dentro desse contexto, a popularidade do comércio social está crescendo graças aos esforços de plataformas de mensagens como o WeChat.

Isso porque, dentro do próprio WeChat, os usuários podem comprar de subaplicativos, sem a necessidade de baixar novos apps móveis ou ser redirecionados para outro site. E essa otimização de infraestrutura tem gerado bons frutos para o país: espera-se que o e-commerce cresça a um CAGR de 11,6% entre 2023 e 2027, superando US$ 3 trilhões em 2027.

Fonte: Electronic Payments International

‘https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/china-lidera-e-commerce-global-em-2023-com-vendas-na-casa-de-us-22-trilhoes

Serviço de entrega expressa na China aumenta 15,5% nos primeiros sete meses do ano

O volume acumulado de entrega expressa completou 70,3 bilhões de unidades, um aumento de 15,5% em relação ao ano anterior.

O Serviço de entrega na China processou um total acumulado de 87,37 bilhões de unidades enviadas e entregues nos primeiros sete meses deste ano, um aumento de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre eles, o volume acumulado de entrega expressa completou 70,3 bilhões de unidades, um aumento de 15,5% em relação ao ano anterior. As informações são da agência estatal postal da China divulgadas nesta quarta-feira, 16 de julho.

Nos primeiros sete meses, o volume acumulado das operações de entrega expressa realizada na mesma cidade completou 7,26 bilhões de unidades, uma queda de 0,7% em relação ao ano anterior; o volume acumulado de envios e entregas expressas para cidades distintas completou 61,43 bilhões de unidades, um aumento de 17% em relação ao ano anterior; o volume acumulado de entrega expressa para destinos internacionais completou 1,61 bilhão de unidades, um aumento de 57,2% em relação ao ano anterior.

A receita comercial do setor postal na China (excluindo a receita comercial vindo direta do Banco de Poupança Postal da China) totalizou US$ 121,2 bilhões, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior. Entre eles, a receita acumulada oriunda da entrega expressa completou US$ 92,7 bilhões, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior.

Em julho, o setor postal na China realizou envio e entrega de 13,16 bilhões de unidades, um aumento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre eles, o volume de negócios de entrega expressa completou 10,77 bilhões de unidades, um aumento de 11,7% em relação ao ano anterior.

Em julho, a receita comercial do setor postal da China atingiu aproximadamente US$ 17 bilhões, um aumento de 5,3% em relação ao ano anterior. Entre eles, a receita do negócio de entrega expressa atingiu aproximadamente 13 bilhões de yuans, um aumento de 6% em relação ao ano anterior.

‘https://exame.com/mundo/servico-de-entrega-expressa-na-china-aumenta-155-nos-primeiros-sete-meses-do-ano/

As estratégias do AliExpress para fazer frente à concorrência no Brasil

As estratégias do AliExpress para fazer frente à concorrência no Brasil
Diretora geral do AliExpress no Brasil vê com bons olhos medida do governo para importação: “Com ele, o país se adequa à prática internacional”.

Presente em cerca de 200 países, o portal de comércio eletrônico AliExpress quer se fazer mais presente no dia a dia do consumidor brasileiro. Com o Brasil entre os cinco maiores mercados para a varejista do mundo digital, o marketplace chinês tem investido na parceria com vendedores locais e parceiros logísticos para diminuir o tempo de entrega de seus produtos. Recentemente, o AliExpress ampliou sua oferta de voos fretados de cinco para oito, prometendo entregar itens internacionais em até sete dias. “A gente vê que, no e-commerce, que quanto menor for o tempo de entrega, maior a taxa de conversão”, diz Briza Bueno, diretora-geral do AliExpress no Brasil. “Aquela ideia de que o produto comprado da China demora três meses para ser entregue não existe mais.”

A empresa, controlada pelo conglomerado chinês Alibaba, é um dos sites de e-commerce que praticam o chamado cross border, transação comercial entre países. A prática é questionada por diversos concorrentes locais, que apontam concorrência desleal frente aos impostos pagos pelas varejistas locais, que chegaram a se unir, em 2022, em uma petição para a taxação das estrangeiras. Em maio, o AliExpress foi o sexto portal de comércio eletrônico mais acessado no país, à frente de grandes varejistas como Casas Bahia (7º) e Americanas (9º), e atrás de Shopee (3º) e Shein (5º), que também praticam o comércio fronteiriço. Os números são da consultoria Conversion.

Nos últimos dias, entrou em vigor o Programa de Conformidade da Receita Federal, que tem o intuito de trazer mais transparência a esse tipo de operação, e permite com que empresas estrangeiras exportem produtos de até 50 dólares para o Brasil sem pagar impostos federais. A medida, mais uma vez, foi criticada pelos concorrentes locais, mas é defendida pela executiva do AliExpress. “A gente vê o programa como bons olhos para o país em si, porque ele se adequa mais à prática internacional. A gente está estudando a portaria e se preparando para conseguir entrar no programa”, diz Briza, sem dar muitos detalhes. Estima-se que a isenção do governo afete as contas públicas em 35 bilhões de reais de 2023 a 2027, segundo dados da Receita.

Ao defender a nova legislação, a executiva aponta os interesses do consumidor brasileiro e o objetivo de crescer a participação do mercado frente ao varejo tradicional. “Acho que o Brasil ainda tem um potencial muito grande de crescimento no e-commerce. Quando a gente olha a participação do e-commerce em relação ao que é hoje na China é muito pequena. Enquanto aqui, está em 10% do varejo total, lá a participação é de 50%”, diz ela. Por outro lado, a empresa tem um memorando de entendimento com a Apex para ajudar os brasileiros interessados em explorar outros mercados por meio de seu portal de vendas.

Uma das iniciativas da empresa para estimular o crescimento do setor e crescer seu mix de produtos foi se voltar a parceiros logísticos que operam com fulfillment, onde os produtos dos vendedores da plataforma podem ser armazenados em um centro logístico. Hoje, o AliExpress é atendido por essa modalidade em parceria com os Correios, com seu serviço Correios Log+; a China Now Express e a Infracommerce. “O nosso objetivo é ter a melhor velocidade de entrega. Fazemos isso com mais voos e com os centros de fulfillment”, diz Briza. A iniciativa é vista como fundamental para que a plataforma não fique aquém de gigantes rivais, que oferecem esse serviço, como Mercado Livre e Amazon. A empresa também admite estar investindo mais em publicidade e foi uma das principais patrocinadoras do Fórum E-commerce Brasil este ano.

‘  https://veja.abril.com.br/economia/as-estrategias-do-aliexpress-para-fazer-frente-a-concorrencia-no-brasil/

Volume de entrega rápida ultrapassa 60 bilhões de peças na China

As atividades promocionais em meados do ano lançadas pelas plataformas de comércio eletrônico neste mês contribuíram para o salto no volume de entregas expressas.

https://portuguese.cri.cn/2023/06/27/ARTIBjvtERAC9jTXf6xXGFv6230627.shtml

Aplicativos da China avançam nos Eua para driblar crise interna

A expansão de aplicativos de e-commerce da China nos EUA não é uma história nova, mas ganha mais capítulos a cada dia. Com forte apelo comercial e capilaridade, plataformas como TikTok Shop, Shein e Temu disputam espaço no universo norte-americano.

Entre os principais motivos para a captação de clientes deste mercado, Zhang Yi, chefe executivo da empresa de pesquisa de mercado iiMedia, cita o que já conhecemos a partir da experiência brasileira. Isto é, a logística eficiente e rápida, aliada com preços muito mais baixos que em lojas tradicionais dos Estados Unidos, são as principais contrapartidas.

A expansão internacional destas e outras empresas chineses também é reflexo de outra situação: a pandemia. Apesar de controlada na maior parte do mundo, a doença voltou a ser protagonista na China. Dessa forma, com a economia abalada no país, os aplicativos partem para outros mercados.

“O mercado de comércio eletrônico da China amadureceu. A era de alto crescimento de empresas como Alibaba Group Holding, JD.com e Pinduoduo na China está largamente acabada. Todas estas têm um forte desejo de se lançarem em mercados emergentes”, afirma o especialista.

Ações fora da China
O Temu, aplicativo de compras no estilo Shein, foi lançado pela empresa de comércio eletrônico Pinduoduo, com sede em Xangai, em setembro de 2022. Ele foi o app mais baixado nos EUA em novembro e dezembro, segundo o Sensor Tower. A plataforma tinha 13,6 milhões de instalações nos EUA, ou 96% de seu total global, no final do ano passado.

A Shein, que também não opera uma plataforma de compras no continente, foi fundada em Nanjing, capital da província oriental de Jiangsu, em 2008 pelo antigo exportador de vestidos de noiva Chris Xu Yangtian.

Por fim, o TikTok Shop age de maneira mais incisiva, convidando influenciadores e empresários estadunidenses a se inscreverem em seu e-commerce.

Além dos EUA, os aplicativos de comércio eletrônico chineses estão encontrando sucesso na Ásia. A TikTok Shop, por exemplo, teve vendas de 1,69 trilhão de dong vietnamitas (US$ 72 milhões) no país do sudeste asiático em novembro do ano passado, de acordo com a consultoria local de comércio eletrônico Metric.vn.

China processa mais de 2,13 bilhões de pacotes durante feriado do Ano Novo

O setor de entrega expressa da China movimentou mais de 2,13 bilhões de pacotes durante o feriado de três dias do Ano Novo, que terminou na segunda-feira, sinalizando a recuperação dos serviços de correio rápido em todo o país, informou a Administração Estatal de Correios na terça-feira.

Do total, 1,06 bilhão de pacotes foram recolhidos, um aumento anual de 15,2%. O número de encomendas entregues aumentou 11,5% em termos anuais, para 1,07 bilhão, segundo dados da entidade.

O setor começou a se preparar para um próximo período ativo, já que as pessoas estão fazendo compras para o feriado da Festa da Primavera, que começa em 21 de janeiro este ano, disse a administração.

As coletas e entregas realizadas pelos serviços postais e expressos tiveram um crescimento significativo desde 4 de dezembro, pois a recém-ajustada política de resposta à COVID-19 do país promove a retomada do trabalho e da produção, mostram dados do setor.

Shein avança em modelo no país, cria taxa de 10% e reforça logística

Plataforma iniciou neste ano venda de produtos nacionais.

Beneficiada pelo “boom” de plataformas estrangeiras no Brasil, especialmente asiáticas, que vendem milhares de produtos baratos, a Shein dá novos passos para estruturar sua operação no país.
Em busca de um modelo mais sustentável em termos financeiros, o Valor apurou que a empresa informou aos seus vendedores, em outubro, o início de cobrança da taxa de comissão de 10% sobre o valor da venda. A plataforma, que não cobrava nada até então, confirmou a mudança.

Outra movimentação ocorre na logística, com ampliação de áreas de atendimento a lojistas e acordos locais. Para reduzir a dependência dos Correios – caminho já adotado há anos por Mercado Livre e Shopee – a plataforma vem trabalhando há alguns meses com as operadoras Sequoia e JadLog, apurou o Valor.
Outra empresa que vem reforçando a distribuição é a Anjun, mas esta (muita utilizada pelos marketplaces asiáticos no país) faz o envio já a partir da China. Todos os produtos importados que a Shein vende aqui vêm de avião.

“Estamos avaliando as melhores opções logísticas dependendo da região. Para prazo menor, o custo será maior, e vice-versa, então há escolhas a fazer. Hoje são 14 dias desde produção na Ásia e distribuição aqui, e mais até duas semanas para a entrega. Podemos ser mais rápidos”, disse Felipe Feistler, gerente-geral da Shein desde junho.

Nessa “fase de ajustes” da operação, Feistler deixa em aberto outras adaptações, na taxa de comissão, agora em 10%. “Vamos avaliar se manteremos nessa faixa ou se segmentaremos [por categoria]. Passamos a cobrar, mas ainda somos competitivos, há taxas de mais de 20% e plataformas que cobram mais de uma taxa”. Parte dessas empresas, porém, oferece serviços ao lojista, como linhas de crédito, armazenagem e publicidade, algo que a Shein não explora.

A mudança reflete a necessidade de adaptar a estrutura ao aumento de custos internos, passada a pandemia e com a escalada inflacionária no setor. Desde dezembro de 2021, Magazine Luiza, Via, Americanas, Shopee fizeram algum repasse de custos no on-line.

O grupo ainda abriu, neste ano, a venda no site e “app” de produtos de lojistas nacionais, e aumentou contatos com fabricantes locais, para verificar se a cadeia fabril comportaria maior produção.

O projeto começou a ganhar corpo no começo do ano, mas decolou neste semestre, dizem fontes. A intenção é complementar a oferta com lojas brasileiras – mas o negócio deve continuar um site majoritariamente de itens asiáticos, pelos preços agressivos e alta variedade.

Há roupas femininas no “app” a partir de R$ 11. O cadastro de vendedores começou por São Paulo, dizem lojistas ouvidos e contatados pela Shein, em bairros como Brás e Bom Retiro. Vendedores também vêm testando uso de pontos de envio de produtos, espécies de pequenas agências de despacho em galerias nesses bairros.

Um segundo passo será a coleta dos produtos diretamente nos lojistas mais relevantes em vendas – algumas lojas de São Paulo vêm sendo informadas que isso será possível em 2023. “Eles querem lojas que tenham maior estrutura para atender em prazos curtos. Pegam muitos dados, fotografam até estoques”, diz um vendedor procurado pela equipe da Shein.

A respeito desse movimento de busca da indústria e do varejo local, Feistler diz que a modelagem no país difere da asiática, mesmo seguindo medidas padrão. E que há vendedores no país competitivos. Mas lembra que o modelo operacional da Shein na Ásia é difícil de ser superado. A indústria e o varejo têxtil no país passaram por diferentes crises, o que teve efeito no negócio. “Lá fora, nós produzimos e distribuímos no período de 10 a 14 dias, versus até 90 dias [no Brasil]”, diz. São mais de 6 mil fornecedores asiáticos da Shein, empresa sediada em Cingapura, segundo a imprensa da região.

“Nosso sistema de não carregar estoque e só produzir depois que a coleção começa a vender reduz em 20% a 30% o custo de produção. Em vez de fazer 10 mil peças e estocar, são fabricadas 200. Aí se vender, escalamos”. Especialistas dizem que esse foi um dos “pulos do gato” da Shein, fundada em 2008 – diferentemente da Forever 21, que não seguia esse sistema de “travar” estoque, passou a queimar muito caixa e quebrou.

Outro caminho envolve a abertura de mais lojas temporárias no país, como a aberta no Shopping Vila Olímpia, em São Paulo, em novembro. A unidade operou por cinco dias, causando grande exposição para a marca, e gerando filas por horas. Para 2023, serão, no mínimo quatro lojas do tipo – Belo Horizonte, e alguma praça do Nordeste estão na lista.

Ao colocar um nome da marca num espaço físico, a Shein quer dizer à consumidora que não existe apenas no mundo digital e derrubar a resistência de clientes que não usam a plataforma pelo receio da qualidade dos produtos e do risco de falhas na entrega – os dois obstáculos centrais do modelo de operação de plataformas asiáticas no país. Sobre essa questão da qualidade – há “memes” nas redes comparando as roupas nas modelos do site com as entregues – Feistler diz que “a percepção geral de Shein globalmente é de que são itens de qualidade”.

Com exceção da iniciativa em lojas, é um caminho muito parecido com o que a rival Shopee tomou por aqui de um ano e meio para cá. Feistler esteve de 2019 a 2022 na Shopee, na área de desenvolvimento e de comércio on-line para América Latina. Em ambas as empresas, as ações são mapeadas e testadas discretamente. A partir de 2023, devem começar a ser mais comunicadas ao mercado.

Crise na China: o que esperar e como se preparar

Desde agosto, a China vinha dando indícios do tamanho do problema causado pela crise de energia. Mais do que dois terços do país já registraram apagões em fábricas e casas, incluindo as metrópoles Pequim e Xangai. E é claro que, dentro do mundo globalizado, uma alteração no sistema energético de um país tão importante para o comércio mundial, poderia impactar, em menor ou maior grau, o e-commerce brasileiro.

Apesar dos efeitos negativos que não se limitam apenas às consequências locais para a China, o racionamento é impulsionado por uma ordem do próprio governo chinês, que determinou a redução de emissões de gases do país para conseguir atingir as metas ambientais assumidas até 2030. Para isso, é necessário diminuir a queima de carvão, considerado o grande vilão do meio ambiente por ser o pior poluidor entre combustíveis fósseis.

“A decisão do governo se conecta muito com a política de um desenvolvimento verde, que não é novidade, pois já aparecia nos planos quinquenais do país antes”, avalia o professor da FGV Direito Rio, Evandro Menezes de Carvalho, que é coordenador do Núcleo de Estudos China-Brasil da instituição. “Este ano, ao apresentar o 14º Plano Quinquenal, com metas que não agridam o meio ambiente, o governo chinês passa a levar o assunto muito a sério”, afirma o professor, que aponta, entre os motivos da decisão, a demanda da população para que as questões ambientais sejam atendidas, e também o fato de esse ser um ponto relevante na agenda internacional.

Ainda assim, Carvalho avalia que o país depende muito do carvão como energia barata e essa transição para energia renovável e limpa não vai ser tão simples. “O carvão promove energia de baixo custo, que barateia os produtos e a produção”. Sem poder produzir a matéria-prima como antes, a compra de carvão também fica comprometida. A oferta global não acompanhou a demanda e os preços chegaram a bater recordes nos últimos meses. O gás natural até poderia ser uma alternativa, se não fosse a alta internacional de preços, intensificada pela crise energética na Europa.

Os insumos no Brasil

Com a produção de energia comprometida, a produção manufaturada é afetada diretamente. Somada à alta da demanda, impulsionada pelo reaquecimento da economia com o avanço da vacinação contra a Covid-19 no mundo, parece inevitável um possível choque na oferta de bens produzidos no país. Na prática, isso significa que pode afetar as importações da China no mundo todo, incluindo no Brasil.

“A China hoje é responsável por 25% do crescimento mundial. É evidente que tudo que ocorre lá terá uma repercussão no resto do mundo, sobretudo no Brasil, onde temos uma enorme dependência em relação às importações chinesas de commodities minerais e agrícolas”, avalia Luís Paulino, professor e diretor do Instituto Confúcio na Unesp. Segundo ele, os setores que mais atingidos são os de consumo intensivo de energia, como aço, alumínio, cimento e produtos químicos.

Dessa forma, é possível que haja aumento das pressões inflacionárias, graças ao alto custo de produção dos alimentos e ao impacto no câmbio por diminuir as exportações brasileiras, já que cerca de 30% das vendas externas daqui vão para a China. Todos esses fatores podem limitar ainda a possibilidade do destravamento do PIB brasileiro.

“Hoje, muitos dos insumos básicos para a indústria de transformação são oriundos da China. Não temos falta de televisor chinês, por exemplo, mas sim dos componentes de montagem das placas eletrônicas da TV montada aqui no Brasil. Isso vale para o papelão, fios têxteis etc”, relata Marcelo Vieira, CEO da Next Mile e diretor de logística da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico).

Para o professor do curso de Engenharia de Produção da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alaercio Nicoletti Junior, a situação afeta diretamente o comércio online brasileiro. “O e-commerce tem um problema especial que são as importações. Temos um grande potencial de distribuição, mas o que vem de fora vai acabar sofrendo atrasos e até rupturas em alguns produtos”.

“Desde o início da pandemia, estamos sendo impactados, seja pela falta de insumos de embalagem, seja pelos preços altos da cadeia de transporte internacional, afetando todos os produtos que em seu processo possuam materiais importados. Um container que, no início de 2020, custava cerca de US$ 3 mil para ser transportado da China ao Brasil, hoje ultrapassa a casa dos US$ 10 mil”, relata Vieira.

Quem também deu dicas sobre a possibilidade de falta de matéria prima da China foi Mauro Tschiedel, sócio proprietário do e-commerce UsinaInfo (produtos para câmeras digitais e equipamentos eletrônicos). Para ele, o impacto se dará principalmente em alguns materiais que permeiam toda a cadeia — como, por exemplo, o componente químico usado no plástico. “Quase todos os produtos usam plástico. Portanto, a ausência do componente químico implicaria na falta da tampa da embalagem, por exemplo. Ou seja, não necessariamente o produto final faltaria, mas sim partes que são necessárias para ele se tornar comercial”, explicou.

Mesmo reconhecendo a gravidade da situação, sobretudo se a crise continuar afetando o ritmo da economia chinesa em 2022, os especialistas acreditam que não é necessário grande alarde, já que é de se esperar algum tipo de intervenção do governo da China para solucionar a crise. “A questão da escassez de energia é temporária e deve ser mais aguda neste período de inverno, em que as indústrias de energia reduzem suas produções. Mas essas consequências não serão traduzidas automaticamente em termos de redução de vendas”, avalia Paulino.

O que fazer para driblar o problema?

Para Vieira, há muitos países abertos para negociar insumos, o que pode ser alternativa para driblar a crise. “Outro ponto é a busca por fornecedores locais que, dado os custos atuais de transporte internacional, passou a ser um competidor importante”.

Tschiedel cita outras alternativas para minimizar a falta de matéria-prima. “Vale buscar negociar com o atual fornecedor e definir, de maneira clara e objetiva, a disponibilidade do produto, mantendo contato próximo para saber a real situação”. E ele elenca outras saídas, como: definir quantidade de itens por cliente; reduzir anúncios patrocinados para aumentar margem; mudar o mix; elevar os preços para reduzir demanda… “Não são alternativas agradáveis, mas este é o custo de ser empreendedor”, enfatizou.

Continuando com as dicas, Tschiedel explica como remediar no longo prazo um cenário de falta de estoque. Segundo ele, diversificar o número de fornecedores de produtos âncora entra no topo das estratégias a serem trabalhadas, uma vez que existe um risco grande em depender de poucos canais. “Outra alternativa seria buscar estruturar produtos similares para garantir um fornecimento mais diversificado. Acredito que valeria também colocar a importação como um pilar de diversificação de fornecedores. Isso porque a estratégia de importação não precisa ser motivada só pelo preço, mas sim pela garantia de ter o item para venda”.

Ao imaginar um pior cenário de abastecimento da China, Tschiedel vislumbra uma possível alternativa aos marketplaces. “Neste caso, eu separaria o meu negócio (marketplace) em dois grupos de empresas: as que têm o produto e as que ficaram sem estoque. Afinal, quando um marketplace abre para a entrada de produtos via crossborder, ele acaba deixando a PME que se organizou e tem estoque no escuro, pois era a oportunidade que ela tinha de fazer um caixa para passar o momento de crise. Portanto, uma maneira de ajudar seria fomentar o posicionamento de produtos nacionalizados ou de quem tem estoque”, sugeriu.

Já para PMEs que não têm estoque, segundo ele, a saída seria melhorar o posicionamento para os produtos secundários ou, ao menos, não penalizar o posicionamento da empresa que teve falta de estoque do produto principal. “Sei que são sugestões em que o marketplace perderá faturamento, mas é um exercício para enxergar alternativas que poderiam ser implantadas”.

Apesar de uma possibilidade de crise por conta do fornecimento da China, o empresário é positivo diante da realidade do mercado nacional. “Eu posso focar na parte ruim de tudo o que estamos passando, como cadeia logística de ponta cabeça; fornecimento de matéria prima com problemas; dólar nas nuvens; eleição; reformas andando em passos de tartaruga; crise energética e assim por diante. Entretanto, eu prefiro olhar o copo meio cheio. Afinal, dessa forma eu vejo um número de casos de Covid-19 reduzindo; índice de vacinação aumentado; uma economia que poderia estar bem pior; empresas se digitalizando rapidamente; produção agrícola puxando o PIB, e por aí vai. Se me perguntassem sobre minhas expectativas para 2022 em abril de 2020, eu diria que estaríamos em frangalhos. Porém, estamos melhor do que poderíamos prever em 2020. No fim das contas, o melhor do Brasil é o brasileiro. Nós vamos fazer nossa parte: trabalhar, cuidar das nossas empresas e das nossas famílias. E, se de fato acontecer essa crise na China, com certeza irá passar”, finalizou.

Shein é a marca de moda mais popular do mundo segundo dados do Google

Resultado demonstra crescimento meteórico da varejista chinesa, que entra na lista pela 1ª vez

A varejista chinesa Shein é, atualmente, a marca de moda mais popular do mundo, revelam dados de pesquisa do Google. O nome da empresa lidera as pesquisas em 113 países e ultrapassa o da Zara, que estava no topo do ranking no ano passado, o que evidencia o crescimento meteórico da popularidade da marca nos últimos 12 meses.

A pesquisa, compilada pela plataforma Money.co.uk, analisou 12 meses de dados de pesquisa do Google. Além da Shein, outras marcas populares, como a própria Zara, Zalando, Nike e Adidas, estão entre as mais buscadas. Já marcas de luxo, como Dior, Chanel, Michael Kors e Hugo Boss, aparecem mais abaixo no “top 20”.

Fundada em 2008 em Nanjing, na China, a Shein, cujo foco principal de vendas é o aplicativo próprio, tem registrado crescimento expressivo também no Brasil. A empresa se orgulha de listar entre 500 a 2.000 novos produtos todos os dias na plataforma. Em novembro, a marca abriu uma pop-up store em um shopping center de São Paulo que gerou filas de consumidores.

Shein é a marca de moda mais popular do mundo segundo dados do Google
A espanhola Zara é a segunda marca mais procurada no mundo. Apesar de ter caído uma posição em relação ao ranking de 2021, ela ainda alcança o primeiro lugar em 26 países, como Grécia, Uruguai e Japão.

Logo depois de Shein e Zara aparece a varejista alemã de moda e estilo de vida Zalando, que ocupa a terceira posição desde o ano passado. Ela é a mais buscada em 18 países, entre eles Suíça, Itália e sua terra natal, a Alemanha.

As marcas esportivas Nike e Adidas compõem o “top 5”, com a primeira liderando as buscas em dez países e a segunda, em oito.

Novidades do ranking
Não é apenas a Shein que aparece pela primeira vez na tabela de classificação baseada nas buscas do Google. Hugo Boss, Michael Kors e Puma compõem as outras novas entrantes na lista, com cada marca alcançando o primeiro lugar em um país cada.

Considerando apenas a América do Sul, a Shein lidera as pesquisas em dez países, incluindo Brasil, Paraguai e Venezuela. A alemã Adidas lidera em três países – Argentina, Colômbia e Peru – e a a Zara e a Nike ocupam o primeiro lugar no Uruguai e no Chile, respectivamente.

Covid derruba gastos do consumidor chinês

O distrito mais populoso de Pequim pediu aos moradores que ficassem em casa, diante da alta de casos de covid-19.

Os gastos do consumidor chinês entraram em colapso com duas campanhas recentes no país: uma contra o aumento dos preços dos imóveis e outra para conter os surtos de covid-19. A queda disparou um alarme para empresas em todo o mundo, que concentraram suas esperanças em um consumidor chinês gastando mais.

As vendas do varejo caíram no mês passado, contrariando as expectativas, e deverão continuar em queda, num momento em que as autoridades chinesas lançam lockdowns a fim de conter surtos mais recentes de covid-19 e diante das medidas de afrouxamento, que têm tido pouco efeito em reverter a crise do mercado imobiliário.
A Alibaba, gigante do comércio on-line, divulgou na semana passada um prejuízo líquido inesperado, poucos dias após contrariar precedentes ao não divulgar números das vendas para a grande temporada de compras de 11 de novembro, o Dia dos Solteiros.
O conglomerado francês de produtos de luxo LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton disse que sua subsidiária chinesa permaneceu estagnada no último trimestre, apesar de ter registrado um crescimento de 19% nas vendas globais.

O distrito mais populoso de Pequim pediu aos moradores que ficassem em casa hoje, diante da alta de casos de covid-19. Nacionalmente, o número de novos casos se manteve estável no domingo, enquanto a China enfrenta surtos em cidades como Zhengzhou, Guangzhou e Chongqing.
A capital chinesa registrou 621 novas infecções no sábado, acima das 515 do dia anterior. Na tarde de ontem havia registrado outras 516 novos casos.