Vendedores brasileiros terão pavilhão made in Brazil no marketplace Alibaba

Ideia é incentivar 100 empresas brasileiras com experiência em e-commerce a montarem sua vitrine na plataforma chinesa.

A partir de novembro, vendedores brasileiros vão contar com um pavilhão de vendas exclusivo chamado Made in Brazil no site do Alibaba, empresa que controla o AliExpress. A ideia é incentivar 100 empresas brasileiras com experiência em e-commerce a montarem sua vitrine na plataforma chinesa para encontrar potenciais importadores. Atualmente, 26 milhões de empresas internacionais ativas usam as plataformas do grupo.

A inauguração do espaço virtual brasileiro é parte de uma parceria entre o Alibaba e a ApexBrasil, visando expandir os canais de exportação de produtos brasileiros para os mercados asiáticos e globais por meio das plataformas de comércio eletrônico do grupo.

O acordo prevê que as organizações vão apoiar as empresas brasileiras em seu processo de transformação digital por meio de programas, cursos e treinamentos.

“O Alibaba se compromete a fornecer serviços exclusivos para estas 100 empresas, o que inclui montar lojas online, listar produtos, fazer design de sites e fornecer relatórios trimestrais de operação”, diz Wang Xia, diretor de negócios do Alibaba International Station.

Em junho de 2022, o Alibaba um projeto de importação comercial chamado Alibaba Fulfillment Service, com a intenção fornecer suporte às vendas de empresas nacionais para o mercado global.

Momento do comércio chinês
O comércio eletrônico na China é o maior do mundo em termos de volume e vendas. Dos mais de 1 bilhão de chineses com acesso à internet, dos quais 800 milhões compram online. Para se ter uma ideia do volume, o total de vendas digitais chinesas excede o volume combinado de transações online nos EUA, Reino Unido e Alemanha.

Além disso, o Brasil também é um dos mercados mais dinâmicos no comércio eletrônico, com expressivo crescimento nos últimos dois anos. Em 2021, as vendas cresceram 35%.

Dia dos solteiros não empolga na China e Alibaba relata crescimento em vendas mais tímido

O desinteresse pela data comercial é o mais novo sinal de que o consumidor chinês está pressionado pela política de covid zero do país

O maior festival anual de compras da China, o Dia dos Solteiros, teve o crescimento mais fraco desde que o gigante do comércio eletrônico Alibaba o lançou em 2009. A percepção é o mais novo sinal de sentimento deprimido do consumidor chinês sob a rigorosa política de covid-19 do país.

No detalhe, essa foi a primeira vez o Alibaba não divulgou os números exatos obtidos na data e se ateve apenas em dizer que eles estavam alinhados com o desempenho do ano passado. Em 2021, a Alibaba faturou ao todo US$ 84,5 bilhões, um aumento de 8,5% em relação a 2020, no entanto, o menor já registrado.

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O sumiço dos números recordes também ocorreram no relatório da rival JD.com, que disse apenas que as vendas atingiram uma nova alta e que o crescimento foi mais rápido do que a média do setor.

De acordo com o provedor de dados de mercado Syntun, as vendas online na China na quinta, 10, e sexta-feira, 11, totalizaram US$ 43 bilhões nos principais varejistas, com base em transações em dezenas de plataformas. A Syntun atribuiu 61% do total de vendas à plataforma principal do Alibaba, a Tmall, e 27% ao JD.com. Mas segundo dados divulgados pelos varejistas chineses, no ano passado o valor arrecado internamente foi de US$ 74 bilhões.

O temor em revelar os números, além de apontar o fim de período explosivo de crescimento, deve-se também por entregar que a abordagem de tolerância zero de Pequim para sufocar os surtos de covid-19 está prejudicando a atividade comercial como um todo na China.

Em uma tentativa de mitigar os efeitos, o governo aliviou alguns controles de pandemia na sexta-feira, 11, mas pode ter sido tarde.

Junto das vendas amenas, corroboram com a tese de que o comércio começa a ir mal os números do desemprego urbano que subiu para 5,5% em setembro, ante 5,3% em agosto.

Os ventos econômicos contrários e a pandemia que não dá trégua levaram muitos consumidores chineses a ajustar a maneira como vivem, abandonando o foco em bens de luxo e concentrando-se em itens essenciais.

Uma pesquisa do serviço de pesquisas do Southern Metropolis Daily, um jornal com sede na cidade de Guangzhou, descobriu que 24% dos entrevistados não iriam aproveitar os descontos do Dia dos Solteiros deste ano, em comparação com 12% no ano passado e 6% em 2020. Um terço dos que passaram no Dia dos Solteiros deste ano citou reduções de renda.

Mas não significa que a data caminha para o fracasso. Segundo o próprio Alibaba, mais de 300 milhões de compradores assistiram a programas de transmissão ao vivo hospedados no Taobao Live durante todo o período de vendas. Mesmo que isso não signifique uma conversão em vendas, há o indicador de que os consumidores ainda se interessam por novos produtos e promoções.

Contudo, é preciso levar em conta também que o Dia dos Solteiros evoluiu de apenas um dia de compras para um evento de uma semana e hoje gera oito vezes mais receita do que as contrapartes americanas Black Friday e da Cyber ​​Monday combinadas. Além disso, a experiência chinesa em logística e tecnologia já se infiltrou no comercio de importação de outros países e, nesse quesito, é certo que a China não retrocede.

Grupo Alibaba aposta no metaverso como estratégia para o Single’s Day

O grupo Alibaba anunciou que utilizará tecnologias imersivas para edição deste ano do Single’s Day, que ocorre nesta sexta-feira, 11. O objetivo principal da iniciativa é dar uma visão do futuro do varejo no metaverso.

As unidades de negócio do ecossistema do Alibaba estão usando algumas estratégias para transformar as compras online. Dentre elas estão a realidade aumentada (XR sigla em inglês), influencer virtuais e realidade artificial (AR single em inglês).

Para isso, a Damo Academy, Instituto de pesquisa do Alibaba, em parceria com a Alifish, lançou um marketplace de realidade aumentada. O serviço estará disponível nas plataformas de e-commerce, Tmall e Taobao, e permitirá aos consumidores comprarem merchandise para seus avatares virtuais.

“Nós acreditamos que a tecnologia de realidade aumentada pode revolucionar as tendências de consumo online de tal que maneira que criará novas oportunidades de negócios para as marcas”, destacou Bo Leifeng, head do laboratório de XR na Damo Academy.

Nesta edição do 11.11, também conhecido como Single’s Day, mais de 70 marcas trarão cerca de 700 produtos para o marketplace de realidade aumentada. O ambiente virtual simula uma rua movimentada de compras para o avatar andar por ela.

Os consumidores poderão navegar nas lojas virtuais de mais de 30 franquias internacionais de mídia. Estão inclusas marcas como Hello Kitty e os Minions, da Warner Bros. Quando gostarem de algo, os avatares agarraram e colocaram os itens no carrinho virtual.

Uma nova realidade
Como parte das inovações para um varejo mais interativo, a plataforma de luxo do Alibaba, Tmall Luxury Pavilion, lançou um avatar próprio. O personagem de cabelo branco ficou conhecido como Timo, e será o influenciados virtual da plataforma. Além disso, também será o host nas exibições virtuais, incluindo as vitrines de itens 3D colecionáveis de marcas de luxo.

Segundo Christopher Travers, especialista em avatares e cofundador da empresa de mídia Offbeat, as novas gerações aceitam engajamento e interações virtuais. “O avatar é um veículo para fazer um monte de coisas que as pessoas fazem na realidade física”, pontuou.

De acordo com a plataforma, as vendas de artigos de luxo com mecanismos 3D e realidade artificial cresceram dígitos duplos este ano em relação a 2021. Os consumidores também gastaram o dobro na compra desses produtos.

China: melhorar os índices de logística reflete a recuperação econômica do país

Vários índices de logística recentemente reverteram suas trajetórias de queda com melhorias na demanda do mercado e nas operações comerciais, indicando que o motor econômico da China está a caminho de voltar graças a políticas acordadas de pró-crescimento.

Durante o feriado nacional da semana passada, as empresas de entrega expressa da China ficaram lotadas de pedidos, lidando com mais de 4,1 bilhões de encomendas no total, informou a Agência dos Correios do Estado no último sábado (8).

Um índice da indústria mostra que o mercado de correio da China se recuperou de seus baixos índices anteriores para se tornar vivo em setembro.

O índice de desenvolvimento de entrega expressa do país asiático, uma medida das atividades e tendências gerais de negócios de entrega expressa, chegou a 353,1 no mês passado, um aumento mensal de 13,5%.

O índice de logística de comércio eletrônico reverteu a contração de agosto subindo para 108,1, perto da alta deste ano de 108,9 registrada em fevereiro, segundo apontou uma pesquisa realizada em conjunto pela Federação Chinesa de Logística e Compras (CFLP, na sigla em inglês) e a gigante do comércio eletrônico JD.com.

E as melhorias não se limitam ao setor de comércio eletrônico. O índice que acompanha o desempenho do mercado de logística da China ficou em 50,6% em setembro, um aumento de 4,3% em relação a agosto, revertendo uma sequência de perdas de dois meses, segundo a CFLP.

Hu Han, pesquisador do Centro de Informações Logísticas da China, atribuiu a recuperação à implementação de macropolíticas, à recuperação constante do consumo doméstico, ao rápido crescimento em energia e logística, bem como à restauração da capacidade de abastecimento logístico.

A maioria dos subíndices apresentou alta no mês passado. O subíndice de novos pedidos ficou em 50,1%, acréscimo de 3,2% em relação a agosto, indicando um aumento nos pedidos e a recuperação da demanda no mercado de logística, observou He Hui, presidente adjunto da CFLP.

A infraestrutura logística do país asiático foi tranquila em setembro, disse Hu, destacando a forte resiliência da rede expressa de comércio eletrônico, conforme indicado pela rápida recuperação do volume de negócios e subíndices de novos pedidos.

Devido ao aumento nos pedidos e receitas, a lucratividade de empresas de tamanhos variados mostrou sinais de melhora, observou Hu, acrescentando que o desempenho das empresas no terceiro trimestre deste ano foi significativamente mais forte do que no trimestre anterior.

“À medida que as políticas para estabilizar a economia e apoiar as empresas gradualmente entraram em vigor, as operações comerciais no setor de logística tiveram uma melhora geral”, disse Hu.

Este ano, a China divulgou um pacote de medidas para combater as interrupções induzidas pela Covid e coordenar o controle da pandemia. No final de setembro, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang pediu a implementação de políticas e pediu esforços para garantir uma logística tranquila e o fornecimento constante de carvão e eletricidade.

Em relação ao futuro, analistas acreditam que situações econômicas internacionais complicadas combinadas ao ressurgimento de casos de Covid-19 em várias regiões e à demanda fraca podem pesar nas operações de logística no quarto trimestre.

Setor postal da China, mais fácil, inteligente e ecológico facilita uma vida melhor na última década

O setor postal da China teve uma melhora substancial na última década, adoçando a vida da população com maior conveniência e eficiência.

Pessoas que trabalham ou estudam longe de casa podem aliviar sua nostalgia com uma bocada de iguarias de suas terras natais, sejam caranguejos peludos de Jiangsu, sejam lichias de Guangdong, já que o país tem visto uma melhoria drástica na logística de cadeia fria para alimentos frescos, na eficiência de remessa e na produtividade da fábrica.

As estatísticas mostraram o desempenho estelar do setor postal da China nos últimos 10 anos. A receita de negócios do setor subiu de 198,09 bilhões de yuans (US$ 27,9 bilhões) para mais de 1,26 trilhão de yuans neste período, com uma taxa média de crescimento anual de 22,9%.

A expansão da rede postal em todo o país contribuiu em parte para esse tremendo crescimento.

Dez anos atrás, muitas aldeias na zona rural e na região oeste não tinham acesso direto aos serviços postais. A maioria dessas aldeias estão em áreas serranas de alta altitude e desertos, que são pouco povoadas, inconvenientes para o transporte e propensas a desastres naturais.

Para ligar as aldeias distantes, a China tem intensificado esforços ampliando suas estradas postais e estabelecendo correios em áreas remotas.

Até o momento, a extensão das estradas postais da China ultrapassou 10 milhões de km. Os Correios cobriram todas as aldeias administrativas do país até o final do período do 13º Plano Quinquenal (2016-2020), estabelecendo uma base para a luta do país contra a pobreza e a busca pela vitalização rural.

A rede postal melhorada também facilitou o boom do mercado de entrega expressa da China. Na última década, o volume anual de entrega expressa do país subiu de 5,7 bilhões de parcelas para 108,3 bilhões de parcelas, ficando em primeiro lugar no mundo por oito anos consecutivos.

O crescente mercado de entrega expressa tem solicitado uma maior capacidade e eficiência no manuseio de encomendas, levando as empresas de correio chinesas a adotarem uma série de tecnologias e equipamentos avançados.

Por exemplo, robôs têm ajudado os trabalhadores na triagem de bens. Ferramentas de big data ajudam a otimizar as rotas de transporte e vários tipos de veículos, como carros, aviões e trens-bala vêm sendo utilizados para reduzir o tempo de transporte.

Os consumidores também sentem a coleta de encomendas mais conveniente e se interessam com produtos experientes em tecnologia, como veículos não tripulados, drones e armários de entrega de encomendas sem contato.

A ascensão do setor postal nos últimos 10 anos também veio com uma “revolução verde”, que visava mitigar o impacto ambiental dos resíduos de embalagens e reduzir o uso de caixas de papelão para reduzir as emissões de carbono.

As autoridades chinesas lançaram vários planos e diretrizes para promover o uso de guias eletrônicas e sacos e recheios de embalagem ecológicos, reduzir o uso de fita adesiva e melhorar a reciclagem e o gerenciamento de resíduos de embalagens.

Até o final de 2020, o uso de guias eletrônicas tinha basicamente atingido cobertura total no setor postal, e mais de 70% das parcelas do e-commerce não tinham utilizado embalagens secundárias.

China indica expansão abaixo da meta, o que afeta demanda global

Os governantes chineses praticamente admitiram que o país não cumprirá sua meta de crescimento de 5,5% neste ano e sinalizaram que manterão as medidas de tolerância zero de sua política de combate à covid-19 e adotarão passos cautelosos para apoiar o mercado imobiliário, que está em dificuldades.

O Politburo da China, principal órgão de formulação de políticas do Partido Comunista, informou em comunicado divulgado em 28 de julho, depois de sua reunião econômica trimestral, que pretende manter a economia em funcionamento dentro de “uma margem razoável” no segundo semestre. Também pediu às províncias mais fortes que se empenhem para atingir suas metas anuais de crescimento – um reconhecimento implícito de que as outras não conseguirão fazê-lo.
Poucos economistas esperam que a China cumpra sua meta oficial deste ano de expansão de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB), especialmente depois que Pequim anunciou um crescimento de apenas 0,4% no segundo trimestre, em comparação com o ano anterior.

Embora a meta de 5,5% já seja a mais baixa da China em um quarto de século de planejamento econômico, uma taxa de crescimento ainda menor teria implicações para a enfraquecida economia mundial, que nos últimos anos passou a depender da China como um vasto mercado e um elo vital das cadeias de fornecimento.
Nos últimos meses, a economia chinesa foi atingida por uma série de problemas, como os distúrbios no comércio por causa da guerra na Ucrânia, a rápida disseminação da variante ômicron do coronavírus por todo o país e uma forte desaceleração do setor imobiliário, um pilar da economia chinesa que, segundo alguns especialistas, responde por até um terço do crescimento do país como um todo.

Ao contrário da reunião econômica anterior, em abril, desta vez o Politburo não mencionou explicitamente a meta de crescimento de 5,5%. Limitou-se a declarar que os líderes “se esforçariam para alcançar os melhores resultados possíveis” e manter a economia dentro de “uma margem razoável”.
“A meta de crescimento de 5,5% não é mais um imperativo”, disse ontem Iris Pang, economista-chefe para a China do ING Bank. Ela classificou as medidas de combate à covid do país como o maior desafio à economia no restante do ano. Pang elogiou a decisão de Pequim de engavetar na prática meta de crescimento e disse que é uma atitude inteligente, que evitará o desperdício e a ineficiência de um grande pacote de estímulo fiscal.

No comunicado, o Politburo pediu que governos locais apliquem todos os recursos levantados neste ano com a emissão de bônus especiais, mas não anunciou nenhuma cota nova de bônus nem um adiantamento das cotas de bônus previstas para o ano que vem, como muitos economistas esperavam. Isso sugere que Pequim não está em busca de estimular o crescimento de forma drástica. Segundo o Ministério das Finanças chinês, até agora os governos locais já emitiram 93% da cota de bônus especiais prevista para este ano.
Ainda assim, o Politburo anunciou que adotará políticas para expandir a demanda interna e conceder mais empréstimos às empresas que tiveram de suspender a produção devido à covid-19.

O Politburo ainda abordou diretamente dois desafios interligados: a boicote de compradores de imóveis que pararam de pagar o financiamento – o que agravou as preocupações com o setor imobiliário – e o sistema bancário rural, que depende da venda de imóveis.
Como reação, os líderes chineses disseram que trabalharão para resolver o risco no sistema bancário rural e prometeram estabilizar o mercado imobiliário chinês. O Politburo avisou que os governos locais devem assumir diretamente a responsabilidade por garantir a entrega dos imóveis residenciais inacabados e por proteger os meios de sustento das pessoas, ao mesmo tempo em que dão apoio à demanda orgânica por moradia.

Mas os governantes chineses indicaram que não haverá nenhum desvio de seu objetivo mais geral de controlar o setor imobiliário, com a eliminação da atividade especulativa e restrições ao crescimento alimentado por dívida.
Ao reafirmar que “casas são para morar, não para especulação”, o Politburo contrariou a expectativa de alguns economistas de que Pequim adotaria uma abordagem mais proativa para apoiar as vendas e os preços dos imóveis.

O jornal britânico “Financial Times” informou ontem, porém, que Pequim está preparando um programa 1 trilhão de yuans (cerca de US$ 148,2 bilhões) em empréstimos para socorrer o setor imobiliário do país. O plano visaria estabilizar o setor de construção residencial, que está altamente endividado. O banco central chinês, disse o FT, citando fontes envolvidas nas negociações, emprestaria inicialmente US$ 29.64 bilhões a juros baixos para os principais bancos chineses, que canalizariam os recursos para as incorporadoras.
O Politburo também sinalizou que amenizará a campanha regulatória que lançou contra o Ant Group e outras grandes plataformas de internet há quase dois anos, ao anunciar que aprovará um lote de investimentos feitos por empresas de internet.

Desde que os problemas econômicos se agravaram na China, líderes chineses vêm minimizando a meta de crescimento. O fraco desempenho do PIB no segundo trimestre significa que a China precisaria elevar o crescimento econômico para cerca de 8% no segundo semestre para atingir a meta – um resultado implausível na falta de alterações significativas na política de covid-zero Pequim.

No fim de junho, numa visita à cidade de Wuhan, onde a covid-19 irrompeu pela primeira vez, no início de 2020, o presidente Xi Jinping disse que preferia que a China aguentasse um sofrimento econômico temporário do que permitir que a covid comprometesse a saúde pública. Disse ainda que o governo “se esforçaria para alcançar um desenvolvimento econômico relativamente bom neste ano”.

O premiê Li Keqiang, também mudou o tom na semana passada, dando menos ênfase à meta. Ele disse que Pequim não recorreria a medidas maciças de estímulo para cumprir “uma meta de crescimento excessivamente alta”. E acrescentou que a prioridade é manter os empregos e os preços estáveis.

Gigantes do e-commerce competem em promessas de descontos

Dois gigantes do comércio eletrônico no país estão prometendo promoções tentadoras para fisgar os consumidores nos próximos dias.

A Shopee está promovendo nesta quinta-feira (7), a campanha “7.7 Aniversário Shopee”, celebrando os dois anos de vendedores brasileiros na plataforma. Além de prometer surpresas ao longo do dia, o marketplace promete frete grátis sem valor mínimo de compras pelo aplicativo e R$ 6 milhões em vouchers de desconto.

Além disso, sete consumidores poderão ganhar um ano de compras grátis na Shopee, sendo R$ 500 por semana, segundo o marketplace.

Já a Amazon se prepara para o Prime Day, entre os dias 12 e 13 de julho, com a promessa de ofertas especiais para os membros Prime de seus serviços. O evento ocorre simultaneamente em 24 países e este será o terceiro ano que o Brasil participa.

Algumas ofertas já foram antecipadas, como desconto nos dispositivos Echo com Alexa e cupons exclusivos para o app, como 30% off em produtos selecionados de escritório. A promessa é que promoções no Brasil sejam antecipadas até o dia do evento principal.

Em contrapartida, a Americanas colocou em seu e-commerce um saldão prometendo até 60% de desconto e a possibilidade de pagamento em até 21 vezes pelo cartão de crédito Ame.

China: JD.com registra crescimento lento em festival 618

As vendas totais da JD.com, empresa de e-commerce com sede na China, aumentaram 10,3% nos 18 dias do Festival 618, primeiro grande festival de compras desde o surto mais recente da covid-19 no país. Frente os números registrado no evento em 2021, quando o aumento foi de 27,7%, a companhia considerou o resultado “muito abaixo”.

O número deste ano foi o mais lento para o varejista, mostrando como o apetite do consumidor na segunda maior economia do mundo foi atingido por bloqueios para interromper a variante Omicron do coronavírus e desacelerar as condições econômicas.

Os compradores chineses compraram 379,3 bilhões de yuans (US$ 56,48 bilhões) em mercadorias na plataforma da JD durante o período “618”, informou em sua conta oficial do WeChat.

“Estamos melhorando ainda mais os serviços de entrega em áreas urbanas e rurais”, acrescentou em comunicado, referindo-se aos esforços durante o evento que se basearam em sua infraestrutura de cadeia de suprimentos e tecnologia de inteligência digital.

O evento 618 é o segundo maior festival de compras da China depois do Dia dos Solteiros em novembro e foi iniciado em 2004 para marcar o aniversário de fundação da JD.com. Os rivais, administrados pelo Alibaba Group e Pinduoduo, tendem a não publicar 618 números.

Mas a consultoria Syntun estimou que as plataformas de comércio eletrônico online, incluindo o mercado Tmall do Alibaba, JD.com e Pinduoduo juntos, alcançaram 582,6 bilhões de yuans (US$ 86,75 bilhões) em 618 vendas este ano, quase estável em comparação com os 578,5 bilhões de yuans do ano passado.

Apesar dos esforços das empresas de comércio eletrônico este ano, como simplificar as regras de promoção e oferecer descontos mais profundos, “a reação do mercado foi morna”, disse Syntun em relatório no domingo (19).

Os festivais de compras são tradicionalmente populares na China, com muitos compradores adiando as compras para se beneficiar dos enormes descontos que oferecem para atrair compradores.

Mas já havia sinais no ano passado de queda na demanda do consumidor em tais eventos, quando o rival Alibaba viu um crescimento de vendas de apenas 8,5% durante o frenesi do Dia dos Solteiros, também o mais lento de todos os tempos.

Nos últimos três meses, a batalha da China para conter a covid-19 trouxe medidas de bloqueio de intensidade variável em dezenas de cidades, afetando gastos, meios de subsistência e cadeias de suprimentos.

Para estimular a demanda este ano, as principais plataformas de comércio eletrônico pressionaram as marcas a oferecer descontos maiores para o evento 618, mas algumas empresas e agentes disseram à Reuters que planejavam reduzir essa participação.

Além das empresas de comércio eletrônico, mais plataformas de internet e lojas offline se juntaram ao evento deste ano, entre elas as plataformas de vídeos curtos Douyin e Kuaishou.

China analisa fluxo pós-covid com festival de compras ‘618’

A China está pronta para obter uma imagem de como a política de zero COVID-19 do país e a desaceleração da economia afetaram o desejo dos compradores de fazer alarde, à medida que as plataformas de comércio eletrônico se preparam para relatar as receitas a partir do “618” festival de compras neste fim de semana.

Finalizando em 18 de junho, “618” é o segundo maior evento de compras da China em vendas após o Dia dos Solteiros de 11 de novembro, com os caçadores de pechinchas adiando as compras em antecipação a descontos em várias marcas.

No ano passado, o Alibaba Group Holding Tmall, JD.com e Pinduoduo atingiram um valor combinado de 578,4 bilhões de yuans (US$ 85,89 bilhões) em vendas no 618, um aumento de 26,5% em relação no ano anterior, mostram os dados da Syntun.

Mas a segunda maior economia do mundo foi prejudicada nos últimos três meses pelos esforços do governo para combater as repetidas ondas da covid-19, que levaram dezenas de cidades a impor medidas de bloqueio de intensidade variável, reduzindo os gastos, impactando os meios de subsistência e interrompendo fortemente o fornecimento.

Muitas cidades afrouxaram as restrições em junho e disseram que querem estimular o consumo para revitalizar a economia, com incentivos que incluem vouchers, subsídios para compradores de carros e pagamentos digitais em yuan.

Reconhecendo que as marcas foram atingidas pela pandemia, Alibaba e JD.com estão oferecendo medidas de suporte aos comerciantes, como prometer acelerar as transferências de depósitos de pré-venda para ajudar na liquidez dos comerciantes.

Eles também estão incentivando as marcas a oferecer seus maiores descontos de todos os tempos na esperança de estimular os gastos, com o JD.com estipulando que os compradores podem obter 50 yuans de desconto para cada 299 yuans que gastarem. Alibaba tem uma oferta semelhante. Os fornecedores pagam a conta desses descontos.

Algumas empresas e agentes disseram à Reuters, no entanto, que planejavam participar menos dos descontos este ano, porque eles ou seus clientes não tinham condições de pagar.

Fang Jianhua, fundador e presidente da IDG Capital e da marca de roupas Inman Apparel, apoiada pelo Alibaba, escreveu um artigo no WeChat no mês passado lamentando como os varejistas, especialmente em Xangai, estavam sofrendo no ambiente atual com a perda de vendas e que ele planejava “ficar de lado” para 618 – uma expressão chinesa de inação.

Em vez de descontos, Fang planeja “se concentrar em como usar nossos produtos e serviços para construir conexões emocionais com milhões de clientes”, disse ele sem dar detalhes.

Ainda assim, o evento está vendo uma tendência de varejistas, da fabricante de massas Barilla à marca de xampu Ryo, oferecer pacotes de “estoque”, contendo o que constituiria pedidos em massa de seus produtos.

Muitos compradores em cidades como Xangai e Pequim, que sofreram medidas de bloqueio pandêmico, correram para estocar alimentos e necessidades diárias, mesmo depois que as restrições de movimento diminuíram devido ao medo de que o bloqueio acontecesse novamente. O evento 618 foi idealizado pelo JD.com em 2004 para comemorar seu aniversário.

Restrições do governo impedem que o Alibaba se torne uma Amazon da China

Durante anos, o Alibaba Group Holding Ltd. teve uma chance legítima de se tornar a Amazon da China, um gigante do comércio eletrônico que usaria seus relacionamentos com clientes e proezas tecnológicas para dominar amplas áreas do cenário da internet. Sua avaliação de mercado subiu para mais de US$ 850 bilhões em 2020, à medida que se expandia para novos negócios e fechava a lacuna com seu rival norte-americano.

Reprodução/ Creative Commons by hinglisnotes

A repressão de Pequim ao setor privado desperdiçou essa estratégia. A principal operação de comércio eletrônico do Alibaba está sob o cerco de reguladores, e seu braço financeiro foi forçado a recuar de algumas de suas iniciativas mais lucrativas. Mas nada pode ilustrar melhor sua mudança de sorte do que os recentes problemas de sua operação de computação em nuvem, Aliyun, que é frequentemente chamada de AliCloud. (A tradução em inglês de yun é nuvem.)

A computação em nuvem é uma parte vital da fórmula da Amazon, com sua Amazon Web Services (AWS) gerando tanto dinheiro, que hoje é capaz de subsidiar o negócio no digital e financiar novas iniciativas que podem não valer a pena por anos. No quarto trimestre de 2021, a AWS respondeu por mais de 100% do lucro operacional da empresa. Então, o Alibaba imaginou seu negócio de nuvem servindo a mesma função, identificando-o como um dos “pilares estratégicos” da empresa. O CEO Daniel Zhang disse uma vez que o negócio poderia se tornar o “principal negócio do Alibaba”. Ele chegou a afirmar a analistas, durante uma teleconferência de resultados, em fevereiro, que o mercado de nuvem da China se transformaria em uma “oportunidade de trilhões de RMB” até 2025.

Mas Pequim acabou com os planos ambiciosos do Alibaba, sugerindo que o gigante de tecnologia da China pode nunca conseguir alcançar o mesmo sucesso da Amazon. Nos últimos anos, o Partido Comunista tem se concentrado cada vez mais no uso e na segurança dos dados, e declarou que os dados são um fator crítico de produção, tornando sua defesa uma prioridade para o governo. Essa designação, que também se aplica a terrenos e combustíveis, exige que empresas e agências governamentais protejam seus dados por uma questão de segurança nacional. De acordo com especialistas, uma ampla faixa de instituições chinesas, incluindo bancos e municípios locais, respondeu se aproximando de plataformas de nuvem apoiadas pelo Estado em vez de optar por plataformas de empresas privadas, como Alibaba.

Problemas com a Aliyun

A Aliyun está sob pressão especial por causa do relacionamento tenso de sua controladora com o governo chinês, que começou a ter dificuldades em 2020, quando o cofundador Jack Ma criticou os reguladores em um discurso em Xangai. O governo da China rapidamente descartou a oferta pública inicial planejada da afiliada financeira do Alibaba e, em seguida, puniu seu negócio de comércio eletrônico com uma multa de US$ 2,8 bilhões por violações antitruste. Desde então, a empresa entrou em conflito com os reguladores sobre segurança cibernética, despertando novas preocupações de que os problemas do Alibaba não acabaram e que seus negócios de nuvem possam se tornar um alvo. “O AliCloud tem um problema com o Alibaba”, afirmou Shen Meng, diretor do banco de investimentos Chanson & Co, com sede em Pequim.

O Alibaba até considerou a possibilidade de desmembrar o negócio de nuvem no ano passado, com uma avaliação potencial de mais de US$ 100 bilhões. Mas a empresa acabou arquivando o plano por causa de obstáculos comerciais e políticos. As informações são de fontes anônimas, mas o Alibaba não quis comentar.

No último trimestre do ano passado, as vendas da Aliyun ficaram aquém das previsões dos analistas por uma ampla margem, crescendo no ritmo mais lento em mais de cinco anos. Para piorar o cenário para a empresa, provedores de nuvem promissores, como Huawei Technologies Co. e China Telecom Corp., que têm relacionamentos mais cordiais com o governo, têm atraído cada vez mais usuários. Em serviços de infraestrutura em nuvem, um segmento importante do mercado, a participação de mercado da Aliyun caiu de 46% em 2019 para 37% no ano passado, embora continue liderando o mercado, segundo a consultoria global Canalys. Vale ressaltar que, neste mesmo período, a Huawei dobrou sua participação de mercado.

“O crescimento dos negócios da Alicloud definitivamente não será tão rápido quanto já foi, durante os ‘anos dourados’ anteriores”, declarou Livia Li, analista sênior da Frost & Sullivan. “A ascensão da nuvem estatal está em conformidade com o status quo da China e esperamos que mais players estatais entrem na arena.”

A Aliyun também tem lutado fora de seu mercado doméstico. No ano passado, perdeu o serviço de vídeo viral TikTok da ByteDance Ltd. como cliente em um golpe doloroso. Uma revisão de segurança cibernética em andamento liderada pelo governo Biden levantou questões sobre as perspectivas da Aliyun nos EUA, o maior mercado de nuvem do mundo.

O valor de mercado do Alibaba caiu 70% em relação ao máximo de 2020, mesmo depois de impulsionar um programa de recompra duas vezes em um ano para sustentar o preço das ações. Acabou de registrar seu crescimento de receita mais lento já registrado.

Se Aliyun pudesse mudar as coisas em casa, teria muito a ganhar. O mercado de computação em nuvem da China é o segundo maior do mundo depois dos EUA e está crescendo rapidamente. Os gastos com nuvem no país subiram para US$ 27,4 bilhões em 2021, acima dos US$ 19 bilhões do ano anterior, segundo a Canalys, que prevê que o mercado de nuvem da China chegará a US$ 85 bilhões até 2026.

Governo interfere em outras alternativas

A Aliyun intensificou os esforços para diversificar suas fontes de renda. Ele introduziu um serviço semelhante ao Dropbox no ano passado, aproveitando a demanda emergente de usuários individuais.

O Ding Talk – aplicativo de comunicação empresarial do Alibaba, com 500 milhões de usuários – também se transformou em uma plataforma em nuvem sobre a qual as empresas podem construir seu próprio software. Embora qualquer um possa tirar proveito dos kits de ferramentas gratuitos do DingTalk, analistas dizem que as empresas que são vendidas por sua conveniência provavelmente vão querer comprar serviços relacionados ao Alibaba.

Ainda assim, grande parte do crescimento virá da pressão do governo chinês para o desenvolvimento doméstico de serviços em nuvem. O presidente Xi Jinping endossou uma estratégia de “nova infraestrutura” de US$ 1,4 trilhão sob a qual bancos, fábricas e instituições públicas transferem as operações para a nuvem. No ano passado, o chamado programa de “governo digital” foi incluído no plano de desenvolvimento de cinco anos da China pela primeira vez.

Ainda assim, os provedores de nuvem apoiados pelo estado provavelmente serão os mais beneficiados. A cidade de Tianjin pediu no ano passado que empresas controladas pelo município migrassem seus dados de operadoras de nuvem privada, como o Alibaba, para um sistema de nuvem apoiado pelo estado, de acordo com um documento do governo vazado visto pela Bloomberg News.

A mudança teve que ser concluída dentro de dois meses após a expiração do contrato de nuvem anterior, afirmava o documento. Tianjin posteriormente modificou a política por causa de reclamações sobre discriminação, mas a mudança de prioridades permaneceu. O governo municipal de Nantong, uma cidade perto de Xangai, também está considerando transferir dados adicionais para seus próprios centros de computação, em vez de depender de plataformas de nuvem pública para hospedagem.

Embora essa tendência possa ser ruim para todos os provedores comerciais de serviços em nuvem, muitos se preocupam que a posição política da Aliyun signifique que ela será mais atingida do que concorrentes como a Huawei.

Ocorrência piora situação da Aliyun com o governo

Em dezembro, o poderoso Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, ou MIIT, censurou Aliyun por não relatar uma falha de software em tempo hábil. Como resultado, o superintendente de tecnologia chinês suspendeu a cooperação com o provedor de serviços em nuvem em uma plataforma de compartilhamento de informações de segurança cibernética por seis meses e exigiu “medidas de retificação” antes de decidir se retomaria sua parceria.

O Alibaba admitiu que demorou a relatar a falha ao governo chinês, mas disse que seu pesquisador seguiu as práticas da indústria global. Os pesquisadores de segurança cibernética normalmente revelam vulnerabilidades de software para ninguém além do desenvolvedor do software até que o problema seja corrigido. Ainda não está claro exatamente quando Aliyun relatou o bug, e o MIIT não divulgou publicamente suas expectativas.

No entanto, pessoas dentro e fora da empresa dizem que o incidente pode alimentar a desconfiança entre o Alibaba e os reguladores chineses, colocando em risco sua capacidade de ganhar contratos de entidades ligadas ao governo.

“Como o MIIT criticou publicamente o AliCloud por ter problemas [nos relatórios de segurança cibernética], faz sentido que muitas empresas estatais e agências governamentais avessas ao risco evitem usar seus serviços”, afirmou Shen, da Chanson. “Quando se trata de escolher um parceiro de nuvem, as considerações políticas geralmente superam as considerações tecnológicas”, complementaram Coco Liu e Dong Cao.