Retomada do varejo: novas lojas físicas voltam a surgir

Dados apontam aumento das compras em lojas de rua.
Com o avanço da vacinação contra a Covid-19, aos poucos, os consumidores têm visitado mais o varejo físico. De acordo com o levantamento do Índice de Performance do Varejo (IPV), em junho, a alta no fluxo foi de 1,2% nas lojas de rua e de 3% nos shoppings centers em comparação a maio.
Na comparação com junho de 2020, logo após a primeira flexibilização das medidas restritivas, o aumento no fluxo foi de 184,5% nos shoppings e de 63,4% nas lojas físicas. Isso indica que o varejo está retornando ao cenário pré-pandemia.
Aproveitando o momento, muitos varejistas têm se preparado para a retomada apostando em novas lojas. A Magazine Luiza, por exemplo, iniciou os investimentos para abrir 50 lojas no Rio de Janeiro este ano, sendo que 23 delas já foram inauguradas no mês de julho em diversos pontos do estado.
“A operação logística da Magalu no Rio de Janeiro será ampliada, com novos cross-dockings, expansão do centro de distribuição e com centenas de entregadores parceiros na Logbee”, diz o comunicado publicado pela empresa na CVM.
Mesmo com 32% das lojas física fechadas em abril, por conta das medidas restritivas para manter o distanciamento social, as vendas presenciais da rede atingiram US$ 4 bilhões, sendo um aumento de 112% sobre o mesmo trimestre de 2020 e de 16% sobre o mesmo período de 2019, quando ainda não havia a pandemia. Os resultados da Magalu mostram a relevância do comércio físico e a aposta da varejista, que, em três anos, pretende aumentar o número de lojas de cerca de 1.300 para 1.683.
Outras empresas também anunciaram a inauguração de unidades físicas – entre elas, a Via Varejo anunciou para 2021 cerca de 120 novas lojas, sendo 90 delas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
Em ritmo acelerado de expansão, a Cacau Show também planeja inaugurar mais 400 novas lojas neste segundo semestre. A meta é abrir 500 novas unidades em 2021, chegando a 2,9 mil no total, com a maior parte delas franqueada.
Mais aberturas foram previstas por redes como Casa & Video, com 70 novas lojas, Tok & Stok e Havan, com dez lojas, e Assaí, que planeja conquistar 123 novas unidades no período de cinco anos.
Nos mais diferentes segmentos, o crescimento das vendas digitais parece não intimidar a presença física, haja vista que as compras on-line representam cerca de 10% do total no Brasil e que grande parte dos consumidores ainda vai às lojas para fazer a transação final ou ver produtos como Makita, eletrodomésticos e eletrônicos de perto.

Mais protagonista, plural e digital. Eis o varejo do presente e do futuro pós-pandemia.

O varejo global e principalmente local que emerge da pandemia se tornou ainda mais protagonista, assim entendida sua importância econômica, política e social, além de mais diversificado e plural em sua atuação e muito mais digital. Talvez seja esse o extrato da síntese da visão do varejo do presente e do futuro.

A dimensão digital de toda a transformação está expressa para muito além do relevante crescimento da participação das vendas pelo e-commerce no total das vendas do varejo em todos os mercados – que, na maioria dos mercados, como no Brasil, dobrou por conta a pandemia.

A correta análise dessa dimensão deve incluir toda a transformação precipitada pelo crescimento de tudo que envolve tecnologia nos negócios do varejo e seus fornecedores de insumos, produtos, serviços e soluções em todos os canais, modalidades e formatos de lojas.

Deve incluir o aumento significativo de investimentos e foco para permitir às empresas monitorarem comportamentos e usar essas informações para fins preditivos. Assim como tudo que envolve a gestão dos negócios e o empoderamento das equipes pela tecnologia para torná-las mais conectadas, atualizadas, eficientes e produtivas. Tomem como exemplo o que Natura, Via, Renner, O Boticário e outros têm feito para colocar mais recursos nas mãos de suas equipes.

Envolve também os fundamentais avanços na gestão dos estoques, na logística e na busca de diferenciais competitivos nas entregas para oferecerem mais conveniência e nível de serviço, num cenário em que a disputa pela preferência se tornou muito mais crítica exatamente porque os recursos disponíveis, em especial a própria tecnologia, se tornaram de acesso mais amplo e disseminado. Criar e manter vantagem competitiva por algum tempo é o desafio crescente e permanente. Vejam o que tem sido feito nas questões de prazos de entrega envolvendo, por exemplo, Magalu, Americanas e Mercado Livre.

Sem falar nas preocupações ligadas à segurança de dados e os investimentos necessários para tentar blindar sistemas em momentos em que as invasões de bases e pedidos de resgate se tornam mais frequentes exatamente pela expansão das portas de entrada possíveis, como aconteceu com Cosan no passado, JBS nos Estados Unidos (EUA) e nesta semana com Renner.

A evolução e o peso do digital se tornaram quase que o KPI fundamental para análise da maturidade e potencial futuro de uma organização, em especial do varejo.

Mas o varejo que emerge e sua visão do futuro estão também muito impactados por sua pluralidade, assim entendida sua capacidade de usar dados e informações de seus consumidores, dentro das regras da LGPD, para expandir suas fronteiras. A visão histórica do varejo de lojas é uma visão absolutamente superada.

O varejo atual e futuro é muito mais plural nos formatos de lojas que opera, nos canais, de lojas à venda direta, WhatsApp e live commerce, e nas regiões e mercados nos quais opera, física e virtualmente, e o cross border torna tudo isso mais claro. Também incorpora serviços e soluções, para além de produtos em sua oferta.

Avança célere para ocupar cada vez mais espaço nos serviços e alternativas financeiras, no extremo gerando meios de pagamentos próprios. Basta acompanhar um pouco do que Magalu, O Boticário, Mercado Livre, Via, Americanas e Vivo, entre outros, estão fazendo por aqui, seguindo os passos de Amazon, Alibaba, Tencent e outros fora do Brasil.

Tudo isso só fez, faz e fará crescer o protagonismo econômico, político e social do varejo.

Num ambiente muito mais competitivo gerado pelo acesso mais disseminado à tecnologia, ao digital e recursos financeiros, alavancado pelo aumento do valor das empresas do setor que se redefinem como Ecossistemas de Negócios, em que as fronteiras de atuação se tornam menos nítidas, quem tem informação recorrente, constante, atualizada e tratada sobre o consumidor se torna protagonista em outra dimensão em relação ao passado.

O foco no consumidor, que sempre foi o mantra do Marketing, é parte do DNA do varejo. Para a indústria, de fato, o foco era produto. Para os bancos, os recursos financeiros. Para a agricultura, a produção. E daí para frente.

O único setor que genuína e naturalmente focava sua atuação no conhecer, entender e atender consumidores sempre foi o varejo. E isso faz toda a diferença agora e cada vez mais no futuro.

Enquanto outros setores têm que se reposicionar e transformar sua cultura para esse novo enfoque, para o varejo tudo isso é natural e sempre foi fundamental.

Por conta disso, seu protagonismo atual e futuro está assegurado ao usar mais tecnologia, recursos financeiros mais facilmente acessíveis, mais diversificação, mais pluralidade e se reestruturando como Ecossistemas de Negócios pela inspiração disseminada a partir da China. O varejo tem sido privilegiado pela escalada de valorização que se observa no mercado brasileiro.

Isso terá impactos para além do próprio setor, envolvendo concentração, globalização, polarização e pressão competitiva, sem falar nas relações de poder nas cadeias de valor, locais e globais.

Se em um tema tão complexo é possível alguma ambiciosa simplificação para condensar a visão presente e futura do varejo que emerge desse período sombrio da História da Humanidade, talvez seja essa: simplesmente mais protagonista, plural e digital, ajudando a transformar tudo o que conhecíamos sobre o tema.

Nota: Durante o Latam Retail Show virtual, de 14 a 16 de setembro, ocorrerá ampla discussão sobre as transformações que a realidade global e local vivenciam pós-pandemia e seus impactos nos negócios, no mercado, no consumo e no varejo potencializado pelas mudanças que ocorrem no cenário mais amplo que envolve a emergente Sociedade 5.0, macro tema do evento deste ano. Serão 205 palestrantes, 82 horas de conteúdo, 5 palcos simultâneos e mais 3 pesquisas inéditas e exclusivas. Uma imersão da realidade do presente e na visão do futuro.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.

Riachuelo aumenta aposta em financeira para conhecer jornada do consumidor

Numa ação inusitada promovida há alguns dias, 14 lojas da Riachuelo amanheceram com uma fachada diferente, onde lia-se o nome Midway. Ao mesmo tempo, o avatar do perfil da varejista de moda no Instagram também foi trocado pelo logo da financeira. O objetivo era mostrar que a Midway faz parte do mesmo conglomerado que a Riachuelo, o Grupo Guararapes. Com mais de 33 milhões de clientes em sua base, a financeira é a maior emissora de cartões private label do Brasil, mas quer ampliar a oferta de serviços para os consumidores.

“O cliente conhece a Midway por meio do cartão Riachuelo. Quando decidimos fazer a migração para um banco digital, passamos a oferecer outros serviços financeiros. A conta, assim, substitui o cartão como grande integradora desses serviços”, diz Paulo Mendes, diretor-executivo de serviços financeiros da Riachuelo e Midway, em entrevista ao portal Mercado&Consumo.

A plataforma agora disponibiliza empréstimos, sorteios e rendimentos diários indexados ao CDI na conta remunerada. Também oferece saques em bancos 24 horas, pagamentos, transferências para outros bancos, depósitos, contratação de seguros e assistências. Em breve, oferecerá aos clientes solução Open Banking e Pix.

“A conta tem vantagem sobre o cartão porque não depende de aprovação, o que vai ao encontro do nosso objetivo de democratizar o acesso à moda”, afirma Mendes. “Além disso, oferecemos crédito num ambiente que o cliente conhece, que é o da moda, fora da zona fria dos bancos.”

O aprofundamento da relação com os consumidores é, também, um foco da empresa. Por meio da conta digital, a Riachuelo amplia o conhecimento que tem do cliente. “A conta é mais um elemento de relacionamento conosco, permitindo um atendimento mais completo e o entendimento de quais são as jornadas o que cliente faz conosco”, complementa o diretor-executivo de Canais e Marketing da Riachuelo, Elio Silva.

Carter’s, Casa Riachuelo e marketplace
O ecossistema ao qual Silva se refere vem ganhando força nos últimos meses, apesar da pandemia de Covid-19 e dos impactos causados por ela no varejo. O Grupo Guararapes abriu no ano passado as primeiras lojas da Carter’s, marca de moda infantil americana licenciada, e da Casa Riachuelo, especializada em itens de casa, mesa e banho, que acaba de ganhar sua maior unidade no Midway Mall, operação de shopping center da companhia.

Em tempos de omnicanalidade, a aposta no digital também é intensa. Inaugurado há dois meses, o marketplace da Riachuelo já conta com cerca de 100 lojistas (sellers) e permitiu um grande aumento de sortimento de itens que complementam a jornada do consumidor.

“Na loja física, oferecemos uma experiência sensorial mais forte e adequada ao timing daquele cliente que decidiu ir até lá. Mas o colaborador também passa a contar com uma prateleira infinita. O cliente pode comprar uma moto elétrica ou uma TV de 60 polegadas e usar nossa ferramenta de crédito para parcelar em 10 ou 15 vezes. Nossos produtos financeiros permitem que ele navegue entre vários canais”, explica Elio Silva.

Para ele, apesar de o consumidor ter se acostumado a usar mais serviços digitais ultimamente, ele não vai deixar de ir na loja física – mas também vai querer ter experiências digitais nelas. “No ano passado, todo mundo deixou de ter e-commerce e passou a ter um sistema de venda digital. Existe o e-commerce, o WhatsApp é integrado à loja, o live commerce e outros meios de relacionamento digital diferentes daquele da jornada pré-pandemia.”

A loja da Casa Riachuelo do Midway Mall, por exemplo, tem um espaço dedicado ao e-commerce de vinhos TodoVino. Nele, o consumidor pode ver todos os rótulos à venda no site, fazer a escolha a partir de uma conversa com um sommelier e pagar por meio do uso de um QR Code – o vinho é entregue em casa. Boa parte dos vinhos vendidos ali não estava nem disponível na cidade de Natal (RN), onde fica o shopping.

Com o consumidor escolhendo o meio, o tempo e a forma de se relacionar com as empresas, o varejista que não tiver os canais certos perderá relevância, afirma o diretor-executivo de Canais e Marketing da Riachuelo. O cliente nunca teve tantas possibilidades. A boa notícia é que as empresas também nunca estiveram tão preparadas para terem uma relação longa com eles como agora.

Marco Legal das Startups: avanços e retrocessos

Retrocessos residem em sua maioria nos vetos do governo sobre o projeto de lei.
A Lei Complementar 182/21, sancionada em 1º de junho de 2021, cria o Marco Legal das Startups. Classificam-se como startups empresas que tenham auferido receita bruta de até R$ 16 milhões no ano anterior e que tenham, no máximo, 10 (dez) anos no CNPJ. Já não era sem tempo que o legislador se atentou para o atraso regulatório e limbo legislativo que o tema se encontrava. O Brasil não dispunha de incentivos legislativos específicos ao setor. Fomentar startups é insuflar o desenvolvimentismo nacional e, ao mesmo tempo, acenar ao exterior para a atratividade de acreditar-se no Brasil como ambiente saudável de negócios de inovação.

A principal oportunidade da lei é a criação de sandbox regulatório: propicia-se ao empreendedor ambiente de testes controlados de produtos e serviços ainda em desenvolvimento, com maior flexibilidade de órgãos regulatórios, estimulando-se a inovação e concorrência sem que os usuários fiquem à mercê de proteções regulatórias mínimas. Nisso avançou a lei.

Outro significativo avanço foi permitir que investidores possam aportar capital nas startups sem necessariamente comporem o capital social, serem sócios das empresas. A medida assemelha-se à phantom stock já amplamente praticada no exterior em startups: permite-se o investimento e o levantamento de dividendos pelo investidor sem que esse assuma os riscos inerentes a integrar o quadro de sócios de um negócio ainda instável e em desenvolvimento. A medida reduz riscos aos investidores e eleva significativamente a atratividade das empresas. Nisso também avançou a lei.

Outra forma assemelhada de aplicação de recursos trazida pela lei são os investidores-anjo: investe-se sem participar das decisões de comando dos negócios mas, ao mesmo tempo, garantem-se mecanismos de fiscalização pelo investidor, como vistas de contas, livros sociais, balanços e até mesmo opinar consultivamente nas deliberações da companhia. Uma startup, muitas vezes, precisa mais de bons conselhos de quem já esteve naquele estágio que só investimentos. Com o novo marco legal, permite-se a injeção de recursos por fundos de investimento em micro e pequenas empresas (faturamento até R$ 4,8 M). Eis, portanto, outro avanço da lei.

Os retrocessos, entretanto, residem em sua maioria nos vetos do governo sobre o projeto de lei. Onde se poderia avançar ainda mais – e de forma mais concreta e menos programática e principiológica – se retrocedeu. O art. 7º permitia que o investidor compensasse os prejuízos na fase de investimento com o lucro da venda de ações futuras. O ganho de capital a ser tributado do investidor, portanto, incidiria tão e somente sobre o lucro líquido. Se ao investir R$ 100,00 em uma empresa A o investidor teve prejuízo e, ao investir em uma empresa B, teve R$ 100 de lucro, compensaria-se elas por elas. Com o veto, o investidor não pode compensar os prejuízos da startup na tributação de seu ganho de capital aferido na venda das ações.

A medida era muito bem-vinda na medida em que o governo incentivaria o aporte privado de capital ao pequeno e médio empreendedor, que geraria inovação, tributos sobre serviços, circulação e renda. Seria uma justa contrapartida a quem se dispôs a investir em negócios ainda arriscados e a acreditar no progresso desenvolvimentista nacional. Sem apresentar estudos concretos da extensão da renúncia fiscal, o governo inibe o investimento em prol da arrecadação – uma contradição candente. Nisso retrocedeu a lei.

Outra grande fonte de receita das startups seria o acesso ao mercado de capitais, permitindo que pequenos e médios negócios pudessem aumentar substancialmente sua capilaridade de captar investimentos. A medida seria alternativa à captação de investimentos para além das tradicionais incubadoras de startups, ampliando o horizonte de captações para o farto campo do mercado de capitais.

Ao vetar o inciso V do caput do art. 264-A da Lei 6.404, que determinava a competência da CVM para regulamentar o acesso das startups ao mercado de capitais, justificou o governo que “a propositura legislativa contraria o interesse público, tendo em vista que o dispositivo nada acrescenta ao arcabouço atualmente vigente, quanto à apuração do preço justo em ofertas públicas de aquisição de ações para cancelamento de registro e por aumento de participação.” O que a lei fazia, entretanto, era justamente delegar ao órgão regulatório – a CVM – a competência de tecnicamente aliar a necessidade de fixação de critérios imparciais para avaliação do valor justo de mercado da startup com a especialidade do sandbox regulatório que se cogitaria para as startups. Não competiria ao legislador definir, de antemão, tais critérios, sendo aconselhável, inclusive, que delegasse ao órgão técnico a competência para tanto.

Entre avanços e retrocessos, pode-se dizer que os avanços sobrepuseram-se, sem antes observar a necessidade premente de eliminar-se os retrocessos para que o Brasil esteja, definitivamente, no radar de investidores mundiais da inovação.

JOÃO QUINELATO – Professor de Direito Civil do IBMEC. Mestre e Doutorando em Direito Civil pela UERJ. Secretário Geral da Comissão de Direito Civil da OAB-RJ. Membro da Comissão de Direito Civil do Conselho Federal da OAB. Diretor Financeiro do IBDCivil. Advogado.

Varejo cresce 7,2% em julho, de acordo o ICVA

As vendas no Varejo no mês de julho cresceram 7,2%, descontada a inflação, em comparação com o mesmo mês de 2020. Em termos nominais, que espelham a receita de vendas observadas pelo varejista, o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) registrou alta de 21,6%.

Efeitos de calendário beneficiaram o resultado de julho deste ano. Houve um sábado, dia forte para o comércio, a mais e uma quarta-feira, data em que a movimentação do comércio é menor, a menos em relação a julho do ano passado. Sem tais efeitos de calendário, o índice registrou alta de 6,5%, descontada a inflação. Em termos nominais, com os ajustes de calendário, o faturamento subiu 20,7%.

“O patamar de faturamento do varejo continua, em termos nominais, próximo àquele observado no período pré-pandemia.”, afirma Pedro Lippi, Head de Inteligência da Cielo. “No entanto, esse crescimento está associado ao aumento da inflação no período. Desconsiderando esse efeito, o Varejo ainda está cerca de 14% abaixo do patamar observado em 2019”.

Inflação
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, apontou alta de 8,99% no acumulado dos últimos 12 meses, com alta de 0,96% em julho. Os reajustes no preço da energia elétrica foram a principal causa do aumento do índice. Ao ponderar o IPCA pelos setores e pesos do ICVA, a inflação no varejo ampliado foi de 13,3%, acelerando em relação ao índice registrado no mês anterior.

Setores
Descontada a inflação e com o ajuste de calendário, o macrossetor de Serviços sofreu aceleração na passagem mensal, enquanto Bens Duráveis e Semiduráveis e Bens Não Duráveis experimentaram desaceleração.

No macrossetor de Serviços, os destaques da aceleração foram Bares e Restaurantes e Turismo e Transporte.

No macrossetor de Bens Duráveis e Semiduráveis, Materiais para Construção e Vestuário foram os que mais contribuíram para a desaceleração.

Já no macrossetor de Bens Não Duráveis, os setores que mais colaboraram para a desaceleração foram Veterinárias e Pet-shops e Drogarias e Farmácias.

Regiões
De acordo com o ICVA deflacionado e com ajuste de calendário, todas as regiões do país apresentaram crescimento em relação a julho do ano passado. A região Nordeste registrou alta de 9,3%, seguida do Centro-Oeste (+8,2%), Sul (+7,2%), Sudeste (+6,5%) e Norte (+4,1%).

Pelo ICVA nominal – que não considera o desconto da inflação – e com ajuste calendário, a região Nordeste registrou aumento de 24,2% nas vendas. Na sequência aparecem: Centro-Oeste (+22,0%), Sudeste (+20,6%), Norte (+19,2%) e Sul (+17,8%).

Vendas do comércio caem 1,7% em junho após dois meses de alta

Foi a maior retração do setor neste ano. Resultado veio abaixo do esperado, mas varejo brasileiro fechou o 2º trimestre com alta de 3% frente aos três primeiros meses de 2021. No semestre, avanço foi de 6,7%.

Após dois meses seguidos de alta, as vendas do comércio varejista caíram 1,7% em junho, na comparação com maio, apontam os dados divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Foi a maior retração do setor neste ano e a segunda maior para um mês de junho desde o início da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), em 2000. Com o resultado de junho, o varejo se encontra 2,6% acima do patamar pré-pandemia”, informou o IBGE.

A pesquisa mostrou, também, que o comércio varejista:

.cresceu 6,3% na comparação com junho de 2020;
.acumulou alta de 5,9% nos últimos 12 meses;
.encerrou o 2º trimestre com alta de 3% na comparação com o 1º trimestre;
.fechou o semestre com crescimento de 6,7%;
.teve metade das atividades com patamar superior ao de fevereiro de 2020, pré-pandemia;

O resultado veio abaixo do esperado. A expectativa de pesquisa da Reuters era de avanço de 0,7% na comparação mensal e de 9,1% sobre um ano antes.

Cinco das oito atividades pesquisadas tiveram retração na passagem de maio para junho, sendo a mais intensa no segmento de tecidos, vestuário e calçados.

Veja o desempenho de cada um dos segmentos em junho:

.Combustíveis e lubrificantes: -1,2%
.Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -0,5%
.Tecidos, vestuário e calçados: -3,6%
.Móveis e eletrodomésticos: 1,6%
.Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,4%
.Livros, jornais, revistas e papelaria: 5%
.Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: -3,5%
.Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -2,6%
.Veículos, motos, partes e peças: -0,2% (varejo ampliado)
.Material de construção: 1,9% (varejo ampliado)

“No comércio varejista como um todo, há algumas atividades caindo com mais força porque elas tiveram uma certa recuperação nos meses de abril e maio, elevando a base de comparação. Esse foi o caso de tecidos, vestuário e calçados, que é uma atividade que ainda não teve recuperação frente ao patamar de fevereiro do ano passado”, apontou o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.
No comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças e material de construção, as vendas caíram 2,3% na passagem de maio para junho.

Crescimento interanual
Na comparação com junho do ano passado, porém, houve alta de 6,3% no volume de vendas. Foi o quarto crescimento seguido nesta base de comparação e os resultados positivos foram disseminados, atingindo seis das oitos atividades investigadas pelo IBGE.

O gerente da pesquisa ponderou, porém, que houve perda de ritmo nessa base de comparação.

“Na comparação interanual, há um ritmo menor de crescimento em junho. Nos meses anteriores, os aumentos foram mais significativos por conta da base de comparação que estava muito baixa. É diferente de comparar, por exemplo, com março ou abril do ano anterior, meses que marcaram o início da pandemia no país”, apontou Santos.

Alta de 3% no 2º trimestre
Apesar da queda em junho, o setor fechou o 2º trimestre com alta de 3% frente aos três primeiros meses do ano.

Segundo o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, houve uma “inversão em todas as atividades” do comércio varejista neste segundo trimestre, já que o setor fechou o primeiro trimestre do ano com queda de 4,4% na comparação com o 4º trimestre do ano passado.

Em 2020, o comércio fechou os dois primeiros trimestres com resultados negativos. No 1º, o recuo foi de 0,6% frente ao 4º trimestre do ano anterior, enquanto no 2º trimestre a queda foi de 10,3% frente aos três meses imediatamente anteriores. Já no 3º trimestre, houve alta de 16,2%, enquanto o 4º fechou com alta de 0,6%.

Ritmo de recuperação
A despeito da queda no volume de vendas na passagem de maio para junho, o setor acumulou ganho de 6,7% no 1º semestre e de 5,9% nos últimos 12 meses, o que demonstra a manutenção do ritmo de recuperação do setor.

“A elevação na intensidade das vendas do comércio varejista na passagem do segundo semestre de 2020 para o primeiro semestre de 2021 foi observada em seis das oito atividades”, destacou o IBGE.

As únicas atividades que tiveram resultados negativos no semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, foram as de livros, jornais, revistas e papelaria e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Diante desse resultado, o comércio varejista se manteve em patamar acima de fevereiro de 2020, quando teve início a pandemia.

“Mas, na comparação com o patamar recorde da série, que é de outubro de 2020, o setor está 3,9% abaixo”, ponderou o gerente da pesquisa.
Considerando o varejo ampliado, metade das atividades superaram o patamar de vendas que era observado antes do início da pandemia. A que mais se destacou em termos de recuperação é a de materiais de construção, enquanto a de livros, jornais, revistas e papelarias é a que se encontra mais distante da recuperação.

Resultado por estados
Na passagem de maio para junho, o varejo teve retração em 18 das 27 unidades da Federação.

Os destaques de alta foram Amapá (-16,7%), Rio Grande do Sul (-5,1%) e Mato Grosso do Sul (-4,0%). Já entre os estados que tiveram crescimento destacam-se Ceará (2,5%), Espírito Santo (2,2%) e Pará (1,9%).

Já na comparação com junho de 2020, houve aumento das vendas em 23 unidades da Federação. Os estados que mais se destacaram foram Amapá (29,1%), Piauí (21,4%) e Acre (19,0%).

Considerando o varejo ampliado, na mesma comparação com junho do ano passado, houve aumento no volume de vendas em 25 estados, sendo as maiores variações registradas por Piauí (33,6%), Pernambuco (29,6%) e Rondônia (26,0%).

Perspectivas
Na semana passada, o IBGE mostrou que a produção industrial brasileira ficou estagnada em junho, acumulando uma perda de 2,5% no segundo trimestre, na comparação com os 3 primeiros meses do ano.

Apesar do avanço da vacinação contra o coronavírus e da reabertura gradual da economia, a recuperação da atividade econômica tem mostrado perda de fôlego nos últimos meses em meio à escalada da inflação, recuperação tímida do mercado de trabalho e aumento das incertezas fiscais e políticas.

Inflação avança para 0,96% em julho e atinge 8,99% em 12 meses
Com inflação e desemprego em alta, ‘índice de miséria’ tem patamar recorde no país
A expectativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no ano permanece em 5,3%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central. Já para 2022, a projeção dos analistas das instituições financeiras diminuiu de 2,10% para 2,05%.

Já a estimativa para a inflação em 2021 está 6,88%. Os analistas também aumentaram de 7% para 7,25% ao ano a previsão para a taxa básica de jutos no fim de 2021. Com isso, são esperadas novas altas na Selic nos próximos meses.

Na ata de sua última reunião, quando elevou a Selic para 5,25% ao ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central avaliou que a inflação ao consumidor continua se revelando “persistente”, indicando uma nova alta de um ponto percentual no juro básico em sua próxima reunião, marcada para 21 e 22 de setembro.

Recommerce: saiba mais sobre essa tendência mundial de comércio

Pode ser que o termo ainda não seja tão conhecido, mas o recommerce é uma prática cada vez mais adotada no mundo inteiro.
Há alguns anos, negociar peças de segunda mão era algo que se limitava a vestuário ou artigos mais baratos. No entanto, com o crescimento do comércio on-line, itens tecnológicos e de maior valor agregado (como computadores e celulares, por exemplo) passaram a movimentar o comércio de usados em diversas plataformas mundiais de comércio.
O recommerce está intimamente ligado às práticas ESG (Environmental, Social and Governance), que tem como um dos pilares o conceito de economia circular. Ou seja, trata-se de uma maneira de movimentar o comércio sem precisar gerar mais descarte, poluição ou extração de matéria-prima. Além de ser uma economia limpa, o recommerce conta com a vantagem de aproveitar a credibilidade já oferecida por grandes marcas mundiais.

A seguir, saiba um pouco mais sobre como funciona esse mercado sustentável no Brasil.
Alguns exemplos de recommerce no Brasil
Além dos nomes mais conhecidos, como OLX e Mercado Livre, o recommerce no Brasil conta com outros grandes players. A seguir, conheça melhor alguns deles.

eBay
O eBay é uma das maiores plataformas mundiais de comércio eletrônico. Além disso, foi um dos primeiros sites que permitiu a qualquer usuário comercializar quase todo o tipo de produto de forma online.

O site foi fundado em 1995 por Perre Omidyar, engenheiro de software francês que havia imigrado com a família para os Estados Unidos. Nesse sentido, a ideia de Perre era criar uma página na qual os usuários listassem itens para que fossem leiloados posteriormente. As negociações eram diretamente entre os participantes da transação comercial.

O sucesso do site foi tão grande que, três anos depois, o eBay fez o seu IPO na bolsa norte-americana. Atualmente, a plataforma possui operações em mais de 30 países.

O site permite que qualquer usuário abra uma conta. Em relação aos compradores, não é preciso ter um registro para adquirir as mercadorias. Para os vendedores, o cadastro também é gratuito, mas há cobrança de algumas taxas para publicação de anúncios e vendas.

Enjoei
A Enjoei também é uma plataforma de e-commerce que funciona como um marketplace. Nesse caso, os usuários criam as próprias lojas online, onde disponibilizam os produtos usados que desejam negociar.

Atualmente, a empresa possui mais de 7,5 milhões de usuários cadastrados, sendo os itens de vestuário os mais vendidos na plataforma.

Em novembro de 2020, a Enjoei levantou R$ 1,13 bilhão no IPO. Segundo a empresa, desse valor, R$ 618 milhões foram investidos na expansão, aprimoramento do time e tecnologia.

Trocafone
Criada em 2014, a Trocafone atua exclusivamente no recommerce de smartphones e tablets. A ideia surgiu da constatação de que a maioria dos consumidores que precisava trocar de celular acabava abandonando o aparelho antigo. Ou seja, inativavam ou, simplesmente, jogavam fora o velho celular.

Isso fez com que a empresa enxergasse uma oportunidade de negócio no recondicionamento dos celulares. Dessa forma, seus técnicos deixam os aparelhos perfeitos para continuarem funcionando, o que contribui para a redução do lixo eletrônico. Além disso, o modelo de negócio permitiu que muitas pessoas, que não teriam acesso a celulares de ponta, passassem a contar com um bom seminovo, em perfeito estado de funcionamento.

Basicamente, a Trocafone opera nas duas pontas; compra os celulares usados e os vende posteriormente, depois de recondicionados. Nesse sentido, os aparelhos vendidos pela empresa possuem garantia de 90 dias

Em junho de 2021, a empresa pediu registro para o seu IPO na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). De acordo com o prospecto preliminar, os recursos captados serão destinados a reforço do capital de giro, marketing e crescimento do negócio. Inclusive com vistas a fusões e aquisições e expansão para a América Latina.

As instituições financeiras que coordenarão o IPO são BTG Pactual, Itaú BBA, Goldman Sachs e UBS-BB. Informações como prazo e valor da oferta ainda não foram divulgadas.

Brasil: um dos países que mais produz lixo eletrônico no mundo
No Brasil, cerca de 70% dos metais pesados encontrados em lixos e aterros provêm de equipamentos descartados de maneira incorreta. De acordo com relatório da Global E-Waste Monitor 2020, o Brasil é o quinto país do mundo que mais descarta lixo eletrônico. No entanto, quando comparamos a média global por habitante, o brasileiro lidera o ranking.

Por aqui, foram gerados 2,1 milhões de lixo eletrônico em 2019, cerca de 10,2 kg por habitante. No mesmo ano, essa geração no mundo foi de 53,6 milhões de toneladas. Isso equivale a 7,3 kg por pessoa, e, desse volume, somente 17,4% foi reciclado. Por outro lado, o relatório ainda aponta que, até 2030, a estimativa é de que a quantidade de lixo eletrônico chegue a 74 milhões de toneladas em todo o mundo.

Para Guille Freire, cofundador e CEO da Trocafone, o crescimento do recommerce em todo o mundo é uma realidade, tendo em vista a democratização da tecnologia. Segundo Freire, desde sua fundação, a Trocafone já conseguiu reduzir mais de 65 toneladas de lixo eletrônico.

Economia circular
Em parceria com varejistas de celulares seminovos, a Trocafone lançou uma campanha que incentiva a economia circular. Nesse sentido, a ação explora a possibilidade de um aparelho usado ser utilizado na negociação de outro.

Com a chamada “o celular que você já tem por outro melhor”, a campanha, estrelada pelo humorista Sterblitch, visa mostrar ao consumidor que esse processo é bastante fácil.

Além de fomentar os negócios da empresa, a iniciativa também tem o objetivo de promover a economia circular e conscientizar o público sobre as suas vantagens para o meio ambiente. De acordo com Guille Freire, a proposta vai além da venda de aparelhos. Nesse sentido, a empresa trouxe uma figura pública justamente para demonstrar, de forma leve e bem humorada, algo que ainda não é comum no dia a dia das pessoas: a troca de celulares usados.

Estratégicas para o país, micro e pequenas apresentam falta de maturidade digital

O setor de serviços é o que tem pontuação mais alta no desenvolvimento tecnológico e digital das MPEs.
A crise provocada pela pandemia empurrou para o universo digital empresas que pouco atuavam neste ambiente e que foram obrigadas a se adaptar. Muitas viram-se forçadas a competir em outras áreas, mesmo sem as ferramentas necessárias. Segundo uma pesquisa sobre a maturidade digital das micro e pequenas empresas, feita pela FGV Projetos em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a média de desenvolvimento tecnológico e digital das MPEs é de 40,77 pontos, em uma escala de 0 a 100.

O setor de serviços tem pontuação mais alta, com média de 43,73 pontos, seguido do industrial, com 40,49 pontos; e do comércio, com 36,75 pontos. De acordo com o trabalho, a maturidade digital é um requisito indispensável à sobrevivência das empresas e à geração de receitas, podendo melhorar os níveis de produtividade e de competitividade do Brasil.

Falta de recursos
A pesquisa concluiu que, para 38% das empresas, o maior entrave para a transformação digital é a falta de recursos; a dificuldade em conseguir acessar pessoas/fornecedores com capacidade de ajudar na transformação digital é o principal obstáculo para 14% dos entrevistados.

Apenas 6% apontam resistências a mudanças por parte de diretores e gerentes. A pesquisa também identificou que 68% dos empresários estão abertos à participação em programas de aceleração da maturidade digital para transformar seus negócios.

Os dados da pesquisa foram extraídos a partir de 2.572 respostas de empresas nacionais (65% delas são microempresas e o restante é do segmento de pequeno porte) no período de março a maio de 2021. A amostra possui representatividade nacional e setorial, com um total de respondentes de 1.176 do setor de serviços, 804 do setor de comércio e 537 do setor industrial. Todos os respondentes considerados nesta pesquisa são do setor privado.

Pesquisa sobre marketplace reúne dados de comércio eletrônico

De acordo com o G1, o comércio eletrônico cresceu 47% apenas em 2020, a maior alta nos últimos 20 anos. Esse é apenas um dos impactos da pandemia de Covid-19 no segmento, que também causou o crescimento de 40,7% do número de lojas virtuais no mesmo período.

Com o aumento das vendas on-line, realizar um levantamento de dados sobre o fenômeno é fundamental para que lojistas e empreendedores programem suas ações. Por isso, o ANYMARKET, em parceria com o E-Commerce Brasil, realizou uma pesquisa sobre marketplace, loja virtual, loja física e outros assuntos que permeiam esse universo.

Com os dados sobre vendas on-line reunidos, é possível tirar insights para sua gestão, prevenir erros, aprender sobre dores do segmento e muito mais.

Dessa forma, reunimos as principais informações adquiridas no levantamento de dados e na pesquisa para que você se mantenha atualizado.

Dados sobre fonte de informações
A busca por informações e a atualização constante são habilidades extremamente necessárias na hora de realizar as vendas em marketplace, em e-commerce e na internet como um todo. Portanto, é fundamental compreender quais são os maiores canais de informação utilizados pelos lojistas.

De acordo com o levantamento, o Instagram é a principal rede social utilizada pelos entrevistados para consumir conteúdos relacionados a e-commerce e a marketplace (69% das pessoas usam a plataforma).

Em seguida, aparecem o YouTube (54%), o LinkedIn (52%) e o Facebook (48%). O Tik Tok possui uma parcela pequena de uso pelos entrevistados, registrando 8%. Por fim, O Twitter também é citado (4% usam a plataforma), ao mesmo tempo em que 4% das pessoas não possuem redes sociais.

Quando questionados sobre as principais fontes de informações quando precisam se atualizar sobre o mercado de e-commerce, as newsletters de conteúdo conquistaram primeiro lugar no ranking, com 69% dos votos.

A segunda colocação foram as redes sociais (56%), seguidas do YouTube (52%). Logo após estão os portais de notícias, com 50% dos votos, e os eventos on-line, como webinars e lives, com 42%. Por fim, revistas somam apenas 6%.

Os dados acima são importantes para compreender exatamente onde buscar suas informações. É válido checar, sempre, as fontes e o nível de confiança dos dados, para não consumir notícias errôneas.

Sobre canais de vendas
A pesquisa do E-Commerce Brasil e do ANYMARKET também jogaram luz sobre os canais de vendas mais utilizados entre os entrevistados, a fim de entender o cenário de comerciantes atualmente.

Segundo a análise, 35% dos entrevistados possuam atuação com loja virtual e marketplace. Em seguida, 23% deles possuem loja física e marketplace, e outro 23% estabelecimento físico e e-commerce.

A maior parte dos entrevistados utilizam o marketplace como canal de vendas, ao lado de um segundo.

Há, ainda, 19% atuando apenas com loja virtual, 10% em estabelecimento presencial e 8% apenas em marketplaces.

Os segmentos dos lojistas são bastante variados, com destaque para moda e acessórios (19%), informática (10%) e móveis e decoração (10%). O restante se distribui em outras categorias, como alimentação e bebidas, artigos esportivos, peças automotivas, eletrônicos e eletrodoméstico, entre outros.

Analisando os dados acima, é interessante notar como o marketplace é um canal de vendas citado para lojistas em diferentes momentos, por mais que, sozinho, tenha pouco visibilidade.

Logo, podemos concluir que diferentes segmentos de comércio já notaram que os marketplaces são uma ótima oportunidade para ver seus produtos vendendo e seus resultados aumentando.

Sobre as dores dos negócios
Identificar as dores dos lojistas é fundamental para pensar em soluções prévias, evitando, assim, sustos inesperados em seu próprio processo. Por isso, analisamos as principais dificuldades dos entrevistados.

Entender as dores de quem vender on-line ajuda a prevenir possíveis problemas.

Quando questionados sobre a principal barreira para digitalizar a operação – passo extremamente necessário para otimizar a gestão e os resultados da empresa –, 42% das pessoas elencaram o fator preço.

Em segundo lugar veio a dificuldade de interação com as plataformas de vendas de produtos (35%), seguida da falta de conhecimento com tecnologia (29%) e de escassez de assessoria na implementação da ferramenta (29%).

Complexidade das ferramentas disponíveis no mercado, dúvidas referentes às novas tecnologias e falta de infraestrutura robusta também foram razões levantadas entre os entrevistados.

Podemos concluir, portanto, que a maior parte das dificuldades em digitalizar a operação se encaminham para questões de conhecimento, de forma que inteirar-se sobre a melhor forma de usar as tecnologias é passo fundamental para se destacar no mercado.

Além disso, contar com equipes de atendimento capacitadas – inclusive por parte das plataformas – é importante para que o processo ocorra de forma menos dolorosa dentro do seu negócio.

Outra dor levantada foi relacionada aos principais desafios de operação o e-commerce dos entrevistados enfrenta atualmente. O primeiro lugar, com 58% das respostas, foi construção de marca.

A construção de marca on-line é uma das grandes dificuldades entre os lojistas.

Logo após, veio processo logístico (46%), concorrência com distribuidores (27%) e logística reversa (19%).

Por fim, os entrevistados também responderam quais desafios da operação teriam mais investimento de recursos, a fim de trabalhar melhorias. Os resultados apontam que 44% deles pretendem trabalhar a análise de dados e a tomada de decisão.

Em seguida, 31% pretendem investir em anúncios. Cadastro de produtos, gestão de estoque e de precificação, integração de canais on-line e off-line e logística interna apresentam, cada um, 27% dos votos.

Também foram citados desafios como conciliação de recebíveis, gestão de múltiplos CDs, de operação fulfillment, de tributária e operação crossborder.

Sobre marketplaces
Por fim, tratando-se da especialidade do ANYMARKET, questões sobre marketplaces foram levantadas, para entender a realidade dos lojistas e a relação deles com esses canais de vendas.

Quando questionados sobre as maiores vantagens em migrar a operação – ou parte dela – para um marketplace, 69% dos entrevistados disseram que o canal traz maior visibilidade para a marca e, consequentemente, mais vendas.

O aumento da visibilidade é, segundo os entrevistados, a maior vantagem dos marketplaces.

Já 33% afirmam que os marketplaces aproximam a loja do cliente final, 29% dizem que o canal contribui para o crescimento como indústria 4.0, 23% apontam que as vendas se tornam mais rentáveis e, por fim, 13% salientam os dados estratégicos de venda e de produto.

Já quando a pesquisa se direcionou para os critérios analisados para entrar no marketplace, 58% observam se o canal é relevante para o nicho e para o público-alvo foco. 50% salientam o valor da comissão, 48% citam visibilidade do canal e outros 48% apontam os serviços oferecidos.

A presença da concorrência e a aptidão para cumprir com o SLA do marketplace também foram pontos levantados pelos entrevistados.

Os dados levantados pela sobre marketplace e comércio on-line são fundamentais para estruturar seu processo e tomar decisões assertivas, analisando diferentes cenários.

Baixe o infográfico do ANYMARKET acessando a fonte matéria abaixo.
https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/pesquisa-sobre-marketplace-reune-dados-de-comercio-eletronico/

Marketplace não é Ecossistema de Negócios. Para muitos, isso é uma surpresa

Os conceitos que envolvem Ecossistemas de Negócios, pela novidade do tema, ainda não são suficientemente claros para todos que, cada vez mais, estão se familiarizando com a crescente exposição que o assunto tem tido. Essas surpresas têm decorrido muitas vezes do fato de que alguns desses ecossistemas, “semana sim, semana não, têm aquisição” – se fosse possível criar um slogan para alguns desses movimentos.

Mas para muitos, em especial os recém estimulados pela presença do conceito na mídia, a primeira e quase natural confusão é tratar como similares os conceitos de Ecossistemas de Negócios e os marketplaces. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diria a voz do povo.

De forma direta, Ecossistema de Negócios é um modelo de organização empresarial baseado na integração sinérgica de diversas frentes de atuação, apoiado em diferenciais competitivos ligados à tecnologia e ao digital e estruturado para rápido crescimento e expansão de suas diversas frentes pela potencialização gerada pelas próprias iniciativas de forma complementar.

Usualmente eles podem ter origem em empresas com atuação focada em tecnologia e no digital, como Amazon, Google, Alibaba ou Tencent, mas podem também ter origem em empresas de outros setores que incorporam a tecnologia e o digital como diferenciais competitivos em seus segmentos tradicionais de atividade e expandem rapidamente sua atuação, como Magalu, Mercado Livre, Carrefour, Via ou Vivo.

Em outra vertente, os marketplaces são plataformas de negócios e fazem parte do processo de expansão de atividades de empresas – tanto as nascidas no ambiente digital quanto aquelas de outros segmentos originais de atuação – quando decidem expandir de forma mais acelerada oferecendo seu contínuo relacionamento, informação e capacidade de ativação de negócios com sua base de clientes para outras empresas e negócios, os “sellers”. Esses passam a oferecer seus produtos, serviços e soluções para a base expandida de clientes dessas plataformas pagando um fee, ou comissão, dependendo do quanto usam da oferta modular oferecida pela plataforma de marketplace.

É básico que os Ecossistemas de Negócios ofereçam plataformas de marketplaces, potencializando sua atuação e agregando parceiros que pagam e se beneficiam dessa capacidade de geração de negócios no e-commerce. Mas os Ecossistemas são muito mais abrangentes, agressivos e inovadores em sua estratégia de expansão e incorporação de novas frentes mais ou menos sinérgicas de atuação.

E é essa ambição, rapidez de constituição e integração, potencial sinérgico e condição de gerar negócios proporcionada pelos Ecossistemas que têm feito com que as empresas que se posicionam como tal tenham uma percepção muito mais positiva representada pelo forte crescimento de seu valor de mercado.

Do que temos estudado e visto sobre os Ecossistemas de Negócios no mundo e no Brasil, alguns elementos são estruturantes e fundamentais em sua organização.

A lista básica desses elementos estruturantes deve incluir:

Base de clientes – B2B e/ou B2C – e sua atualidade e condição de ser mantida atualizada;
Capacidade de extrair dados analíticos do passado e do presente e de prever de forma sistemática o comportamento futuro dessa base, respeitadas as normas da LGPD;
Maturidade, estabilidade e nível de controle das soluções tecnológicas e digitais integradas;
Nível de serviços, confiabilidade percebida e estabilidade das soluções logísticas integradas;
Maturidade e nível de governança, cultura e gestão nos negócios envolvidos no Ecossistema;
Amplitude geográfica de atuação;
Amplitude de segmentos, categorias, canais, serviços e soluções integradas no Ecossistema;
Frequência e constância de uso dos produtos, serviços e soluções oferecidos pelo Ecossistema para seus diversos consumidores;
Maturidade das iniciativas envolvendo plataforma de serviços financeiros e arranjos de pagamento oferecida.
É inegável que a história da evolução dos modelos de organização empresarial no mundo e seu impacto na sociedade, no mercado, na concentração, no emprego e seu poder influenciador, em algum momento futuro, será dividida em AEN/DEN – Antes e Depois dos Ecossistemas de Negócios. E é instigante acompanharmos todo esse processo. Mas é alienante não avaliarmos seus impactos no presente e no futuro.

Nota: Durante o Latam Retail Show virtual, de 14 a 16 de setembro, ocorrerá em paralelo o 1º Latam Business Ecosystem Summit com uma pauta ampla de temas envolvendo conhecimento e estudo de casos relacionados a esse conceito (para informações sobre o evento, clique aqui).

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado & Consumo.