A indústria de pagamentos na América Latina abraçou a transformação digital

Graças ao surgimento de tecnologias inovadoras e à mudança no comportamento do consumidor, a indústria de pagamentos em toda a América Latina está passando por um período de rápida transformação – e não deve desacelerar tão cedo.

As transações non-cash (que não usam dinheiro vivo) aumentaram nos últimos anos e espera-se que cresçam à taxa de 7,2% ao ano até 2020. A razão para isso se deve, em grande parte, aos investimentos realizados pelos bancos de varejo em tecnologias digitais, que incluem aplicativos móveis e carteiras digitais.

Na América Latina, os mercados de e-commerce e m-commerce estão sendo impulsionados por uma taxa crescente de penetração e contínuo desenvolvimento da infraestrutura de pagamento da região.

Em virtude do considerável espaço territorial da América Latina, que abrange 20 países, é natural que o crescimento de um mercado para o outro varie. Em termos de e-commerce, números recentes mostram que seis mercados-chave são responsáveis por 95% do faturamento na região. São eles: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. Praticamente metade de todas as transações de comércio eletrônico vêm do maior deles, o Brasil.

Tal fragmentação também é refletida na competitividade dos mercados online em toda a região latino-americana. Na Argentina, por exemplo, o Mercado Livre compete com a Amazon, com sucesso. OLX, TiendaMia e Linio também têm apresentado bom desempenho, graças às suas opções de pagamento locais – fator crucial no mercado latino-americano de e-commerce.

Transferências bancárias, cartões de crédito locais e sistemas de vouchers são os preferidos na região, tornando a integração com serviços de pagamento na moeda local algo obrigatório para os varejistas que visam este mercado.

Se analisarmos profundamente as preferências de pagamento específicas, podemos notar que os compradores latino-americanos preferem pagar em parcelas. Os pagamentos parcelados foram responsáveis pela metade de todas as transações online durante o “Hot Sale” (período de promoções online) da Argentina, em 2018.

Essas diferenças mostram que, para serem bem-sucedidos ao operar na América Latina, é primordial varejistas estarem cientes das diferenças que existem de país para país.

Diante da alta taxa de penetração mobile na América do Sul e a popularidade dos smartphones como uma plataforma de compras em toda a região, a expectativa para crescimento do m-commerce em 2019 torna-se ainda maior. De fato, esse setor está se desenvolvendo a um ritmo ainda mais acelerado do que o e-commerce. Muitos países da região estão desconsiderando as transações via desktop para saltar diretamente para as transações móveis.

Quando se trata de compras via aplicativo, a América Latina fica atrás do resto do mundo, representando apenas 2,4% dos usuários globais. No entanto, os consumidores latino-americanos que recorrem aos aplicativos gastam 48 vezes mais do que a média internacional.

Esse fato, somado à expectativa de aumento de usuários de smartphones, que é de 30% até 2020, significa um excelente momento para os desenvolvedores de aplicativos explorarem o enorme potencial deste mercado antes de seus concorrentes.

A inclusão financeira representa um fator importante no crescimento da receita de pagamentos em todas as regiões e em 2019 continuará sendo um tema quente.

A pressão dos governos latino-americanos por empresas de serviços financeiros para oferecer contas bancárias com taxas reduzidas – ou mesmo gratuitas – já ocasionou um impacto considerável no aumento da inclusão financeira.

Surpreendentemente, notamos um crescimento de 39% para 51%, de 2011 a 2016, no volume de contas bancárias dos latino-americanos.

A América Latina é uma região dinâmica, com muitas oportunidades para os varejistas prosperarem. Mas, para que se tenha sucesso, é preciso estar ciente das particularidades de cada país e garantir que as necessidades específicas de todos os clientes sejam atendidas.

Fonte: ecommercebrasil.com.br

Uma carteira digital para a classe C

A RecargaPay, sediada em São Paulo e liderada por argentinos, mira os micropagamentos para competir com gigantes como Google, Apple e Mercado Livre

Não se sabe se será em cinco, dez ou 20 anos, mas a data em que você trocará o dinheiro e os cartões pelos pagamentos 100% digitais está cada vez mais perto. Um dos nichos em que a mudança acontece mais rapidamente não é exatamente glamouroso: as microtransações essenciais aos brasileiros, como recarga de celular e pagamento de boletos. É um negócio que fica fora das prioridades de grandes bancos e fintechs. E é a principal aposta de uma startup criada por argentinos que escolheu o Brasil como campo de atuação: a RecargaPay.

A empresa, fundada pelo economista Gustavo Victorica e pelos administradores Alvaro Teijeiro e Rodrigo Teijeiro, primos, planeja repetir a história de outras startups argentinas por aqui, como Decolar e Mercado Livre, que hoje valem, respectivamente, 1,2 bilhão de dólares e 20 bilhões de dólares. O primeiro negócio em pagamentos do trio foi o Tarjetas Telefonicas, criado por Rodrigo Teijeiro, em 2002, para vender cartões de ligações internacionais. O experimento se transformaria no site Recarga.com, focado em créditos para celulares pré-pagos.

O negócio foi tocado em paralelo com a Sonico, rede social similar ao Facebook, mas voltada para a América Latina. A Sonico chegou a ter 55 milhões de usuários e foi adquirida pelo grupo de internet IAC, dono de sites de relacionamento, como Match.com, em 2014. Os recursos da venda foram usados para transformar o Recarga.com em RecargaPay. O nome representa melhor um “ecossistema de pagamentos móveis”, segundo o fundador, com serviços além da recarga de celular. Com a mudança, a empresa se mudou para seu mercado mais promissor: o Brasil.

O foco da RecargaPay está em microtransações de alta frequência — oito em cada dez pagamentos feitos não passam de 20 reais. Para usar o serviço, é preciso inserir dinheiro na carteira digital via pagamento de boletos, transferências, depósitos ou cartão de crédito. A recarga de celular continua sendo o principal serviço, mas a fintech aceita também recarga do Bilhete Único (cartão de transporte público de São Paulo), transferências, cartões pré-pagos, pagamentos de boletos, vales-presentes, parcelamento. “Vamos adicionar cada vez mais serviços”, afirma Rodrigo Teijeiro.

O próximo passo é usar a carteira digital para pagamentos em maquininhas no varejo físico. Para incentivar o uso, a startup costuma devolver parte do valor pago aos clientes: nas recargas de celular e Bilhete Único, 5% do valor é devolvido. Um dos projetos promissores agora é um pacote de assinaturas, o RecargaPay Prime. Com 9,99 reais por mês, a empresa oferece valores superiores à mensalidade em devoluções para os clientes assíduos. Outra fonte de receita são juros cobrados no parcelamento de compras pré-pagas. A fintech tem 1,5 milhão de contas ativas e não divulga quantos usuários aderiram à assinatura mensal. A meta é superar 1 bilhão de reais transacionados em 2019. A consultoria CB Insights estima que a RecargaPay tenha uma receita anual de 5 milhões de dólares.

Os argentinos querem repetir casos de sucesso como os vistos na China, onde mais de sete em cada dez pagamentos passam hoje pelas carteiras digitais. A maioria (55%) usa as e-wallets Alipay e WeChat Pay, dos gigantes de tecnologia Alibaba e Tencent, respectivamente. Mesmo assim, carteiras digitais menores ocupam 16% dos pagamentos chineses. É uma proporção que fintechs brasileiras buscam repetir, em um país no qual as carteiras digitais ainda não têm uma participação digna de nota.

Um estudo do banco BTG Pactual e da aceleradora ACE mostra que há 114 startups brasileiras de meios de pagamento ativas, um quarto delas no segmento de carteiras digitais. Para atingir relevância antes que o mercado se consolide, a RecargaPay captou 28,6 milhões de dólares de fundos como FJ Labs (investidora nos aplicativos Uber, Rappi e Wish), IFC (Dafiti e Loggi) e TheVentureCity (Cabify). A Adyen, empresa de infraestrutura de pagamentos que atende, inclusive, a RecargaPay como adquirente, viu um aumento de 50% nas transações por carteiras digitais no último trimestre do ano passado.

Outra leva de concorrentes são os gigantes de tecnologia que lançaram recentemente suas e-wallets por aqui: Google Pay (fevereiro de 2018), Apple Pay (abril de 2018) e Samsung Pay (julho de 2018). Talvez o maior concorrente, porém, seja o MercadoPago, braço financeiro do conterrâneo -mar-ketplace argentino Mercado Livre. O Mercado Pago oferece serviços como recarga de celular, pagamento de boletos e cartões pré-pagos e tem 2,4 milhões de pagantes ativos na América Latina.

“Várias e-wallets podem coexistir. A RecargaPay se estabeleceu como resolvedora de problemas para clientes como os desbancarizados. É um nicho que deve atrair novos concorrentes, mas que tende a continuar em segundo plano para muita gente”, diz Bruno Diniz, sócio da consultoria de inovação Spiralem e diretor do comitê de fintechs na Associação Brasileira de Startups. A RecargaPay não precisa apenas convencer os brasileiros a deixar cédulas e cartões em casa — precisa convencê-los a não embarcar na canoa da concorrência.

Fonte: clipping.cservice

Blockchain vai mudar mesmo o mercado financeiro?

Bob McDonald, professor de finanças da Kellogg School, destaca que a blockchain tem atributos que podem alterar radicalmente o sistema financeiro global.

O mercado das criptomoedas está cada vez mais em evidência, só que ainda existem muitas pessoas que possuem incertezas sobre o setor. Porém, quem vem ganhando muito destaque e se torna objeto de interesse de empresas e desenvolvedores é a blockchain, tecnologia que está por trás de vários ativos digitais.

Se pensarmos em uma curta definição para blockchain, podemos dizer que trata-se de uma tecnologia que dá segurança e confiabilidade à troca e ao armazenamento de informações entre participantes de uma rede, de modo que nós podemos dispensar intermediários ou a presença de uma entidade centralizadora.

Ou seja, para resumir ainda mais, a blockchain funciona como um livro de registros que guarda informações de forma segura e inviolável.

Blockchain e seus benefícios

A tecnologia que é usada no Bitcoin e em outras criptomoedas pode trazer inúmeras vantagens para inúmeros setores, como tornar operações mais rápidas, seguras e baratas. Um exemplo: em uma entrevista à Época Negócios, a chefe de projetos de blockchain do governo da Holanda, Marloes Pomp, afirmou que a tecnologia ajudou o governo a reduzir burocracias de 13 semanas para 13 minutos, já que cidadãos não vão precisar mostrar ao estado documentos emitidos pelo próprio estado.

Ou seja, graças ao uso de blockchain, o governo holandês consegue dar agilidade para operações que antes poderiam gerar uma espera de praticamente um trimestre, resolvendo a questão em menos de meia hora! Agora, imaginem essas mudanças aplicadas ao mercado financeiro?

Pois bem, elas já vem acontecendo e beneficiando diversas instituições, inclusive algumas do mercado tradicional. Recentemente o banco HSBC anunciou que teve uma redução de 25% nos custos de transação graças a um sistema baseado em blockchain para operações realizadas no mercado Forex.

Fonte: startse.com

Mercado Pago e Mastercard se unem para transformar meios de pagamento

Empresas desenvolverão ferramentas para melhorar a experiência dos usuários e continuar promovendo a inclusão financeira

Mastercard e Mercado Pago anunciaram na última semana um novo acordo em sua aliança estratégica para incorporar novas modalidades de pagamento e promover a inclusão financeira na região da América Latina e Caribe. O acordo foi firmado na Argentina, onde Carlo Enrico, Presidente da Mastercard para América Latina e Caribe, e Marcos Galperin, CEO do Mercado Livre e Mercado Pago, se reuniram.

Há mais de três anos, Mastercard e Mercado Pago trabalham em conjunto com um objetivo comum: inovar em termos de pagamentos, ampliando a inclusão financeira na região. A aliança incluiu o lançamento de cartões pré-pagos que espelham o saldo digital do Mercado Pago e que permitiram que milhares de pessoas na América Latina pagassem suas compras online e offline com Mastercard, alcançando o segmento dos “desbancarizados” pela primeira vez.

Em menos de um ano, mais de 1 milhão de plásticos foram emitidos no Brasil, México e Argentina. Agora, as empresas vão começar a emitir cartões com chip e tecnologia para pagamentos por aproximação, facilitando o rápido pagamento de compras.

Como parte da aliança, a Mastercard e o Mercado Pago também concordaram em continuar transformando o mundo dos pagamentos digitais. Durante 2019, a plataforma Mercado Pago implementará as mais recentes tecnologias tanto de autenticação biométrica, como de tokenização para pagamentos eletrônicos. Isso procura melhorar ainda mais a experiência de compra, eliminando o atrito e garantindo um método de pagamento mais seguro nos canais digitais.

“Na era digital, onde todos os dispositivos conectados estão se tornando dispositivos comerciais, precisamos fazer com que a inovação, inclusão financeira e a segurança sejam um foco central”, disse Kiki del Valle, Vice-Presidente Sênior de Associações Digitais da Mastercard para a América Latina. “Estamos muito satisfeitos em fazer uma parceria com o Mercado Pago para proporcionar a melhor experiência de pagamento para seus consumidores por meio de tecnologia de ponta e a mais avançada em segurança”, acrescentou.

De sua parte, Paula Arregui, Vice-presidente Sênior do Mercado Pago, disse: “Desde que lançamos o Mercado Pago há 15 anos, desenvolvemos um ecossistema completo de soluções fintech, permitindo que milhares de usuários que estavam fora do sistema tradicional fossem incluídos financeiramente. Estamos felizes em gerar alianças estratégicas com empresas globais líderes, como a Mastercard, para nos ajudar a continuar impulsionando a inclusão financeira na região”.

Fonte: clipping.cservice

Em fase de crescimento, Mercado Pago começa a deixar o ninho do Mercado Livre

Filhos são criados para o mundo. Mas quando o Mercado Livre decidiu lançar em 2004 um sistema para resolver os problemas de pagamento nas compras realizadas no site de comércio eletrônico, mal sabia que o negócio ganharia vida própria. Com a evolução para uma plataforma que substitui e concorre com boa parte dos serviços bancários, o Mercado Pago começa a deixar o ninho.

O mês de setembro foi um marco para o filho em fase de crescimento. Foi quando o número de transações fora das fronteiras do Mercado Livre superou pela primeira vez as realizadas no site de comércio eletrônico.

Os dados mais recentes mostram que a empresa entrou para valer na chamada “guerra das maquininhas” de cartões. No quarto trimestre, o volume de transações realizadas atingiu US$ 5,3 bilhões, um avanço de 22,1%. Sem considerar o efeito cambial (a empresa atua em vários países), o aumento foi de 68,5%.

Para efeito de comparação, a PagSeguro, concorrente direta no mercado da empresa, apresentou um volume de transações de US$ 6,4 bilhões nos últimos três meses do ano passado.

Mas se engana quem pensa que o plano é competir apenas na arena das pagamentos. A empresa já oferece dentro da plataforma os principais serviços bancários. O Mercado Pago conta com mais de 2,5 milhões de contas com saldo, das quais 1 milhão são de usuários ativos, segundo os dados da empresa.

Compre uma, leve duas

Não por acaso, muitos investidores entendem que a melhor promoção oferecida pelo Mercado Livre não está no site, mas está na bolsa: compre a ação de uma empresa e leve duas. Os papéis da companhia, que tem sede na Argentina mas tem a maior parte das receitas no Brasil, são listados na americana Nasdaq.

Para entender um pouco dessa verdadeira Babel que une compradores e vendedores de praticamente qualquer produto e agora oferece produtos financeiros, eu fui até a Melicidade, como é conhecida a sede do Mercado Livre, para conversar com Túlio Oliveira, diretor responsável pelo Mercado Pago.

Um dos desafios dele para este ano é justamente tirar a empresa “da toca”. E para isso a empresa prepara pelo menos uma novidade por mês para o sistema, que recebeu no fim do ano passado autorização do Banco Central para atuar como instituição de pagamento.

Em janeiro, anunciou uma parceria com a rede de postos Shell, que permite o pagamento do abastecimento com cartão de crédito ou saldo do Mercado Pago diretamente pelo aplicativo da empresa ou da Shell. Eu perguntei sobre a novidade deste mês, mas a definição ainda não havia acontecido na data da minha visita à sede do Mercado Livre.

Debutante

Quando o Mercado Livre lançou o sistema há 15 anos, não estava nos planos ter uma fintech que agora começa a fazer papel de banco. A plataforma na verdade foi criada para resolver um problema básico do site que une compradores e vendedores de produtos: como viabilizar o pagamento das mercadorias negociadas no “marketplace”.

“Essa atuação nos permitiu ter tem bastante controle do fluxo de operações e melhorar a qualidade dos vendedores e do que é comprado na plataforma”, afirma o diretor.

Foi apenas em 2011 que o Mercado Pago começou a prestar serviços de pagamento para outros sites. A chegada ao mundo físico ocorreu em 2015 com o lançamento da maquininha de cartões Point. No ano seguinte, passou a oferecer um cartão para a movimentação dos recursos da conta.

O Mercado Livre não abre números de quantos terminais estão em operação, mas Oliveira diz que a empresa hoje é a segunda que mais vende maquininhas no segmento de microempreendedores, o principal público vendedor do site.
Boleto e investimento

Entre as novidades já “contratadas” para este ano estão justamente os serviços que o Mercado Pago poderá oferecer depois de obter a autorização de instituição de pagamento.

“Com a licença vem uma série de obrigações, mas agora também podemos nos integrar ao SPB [sistema de pagamentos brasileiro] e oferecer aos clientes transferência via TED, DOC, além da portabilidade de conta-salário”, diz Oliveira.

A conta do Mercado Pago já oferece opções como a recarga de celular e bilhete único, além do pagamento de contas com boletos ou concessionárias de serviços.

A plataforma também colocou um pezinho no mundo dos investimentos, ao oferecer rendimento para o saldo depositado nas contas. O dinheiro rende 5,2% ao ano, o equivalente a 85% do CDI.

Embora seja um ganho melhor que o da caderneta de poupança, existem hoje opções melhores para quem quer investir. De todo modo, pode ser alternativa interessante para aquele dinheiro do fluxo mensal, usado para pagar as contas do mês.

Sem maquininha

Por falar em transferência, uma das grandes apostas da empresa são os chamados pagamentos instantâneos. O Mercado Pago possui hoje 50 mil estabelecimentos no país que aceitam pagamentos por meio da leitura de QR Code, sem a necessidade de maquininhas.

Durante a conversa, o diretor do Mercado Pago me deu uma demonstração de como o sistema funciona comprando uma garrafa de água mineral na lanchonete que fica no meio da Melicidade.

Para ele, esse negócio pode dar um saldo com uma futura regulamentação pelo Banco Central, que vai permitir a troca de informação entre os diferentes sistemas, em um esquema 24 x 7.

Crédito

Para completar a oferta de serviços financeiros, só falta o crédito. Ou melhor, não falta. Assim como as concorrentes no mercado de maquininhas de cartão, o Mercado Pago também oferece linhas como a antecipação de recebíveis aos lojistas.

O saldo de crédito encerrou o ano passado em US$ 96 milhões, uma alta de 31,5% em 12 meses, de acordo com dados do balanço divulgado ontem. “Tem muita demanda por crédito na nossa plataforma”, afirma Oliveira.

Para conceder financiamentos, a empresa opera como correspondente bancário em parceria com duas instituições financeiras: Banco Topázio e Money Plus.

Eu perguntei ao diretor do Mercado Pago se está nos planos da empresa entrar com pedido de licença para ter um banco no Brasil. “Hoje a gente funciona bem assim, mas amanhã a necessidade pode mudar”, disse.
O filho vai sair de casa?

Se os planos de crescimento forem bem sucedidos, a tendência é que o filho fique maior que o pai. Aliás, esse é um assunto discutido abertamente dentro da casa, segundo Oliveira.

“O Mercado Livre está restrito ao mundo de e-commerce, que no Brasil está próximo de R$ 85 bilhões. Já o mundo de pagamentos só em cartão de crédito e débito é de R$ 1,4 trilhão”, compara.

Então o Mercado Pago pode um dia se tornar uma empresa independente do Mercado Livre? Não seria um caso inédito na história corporativa. No ramo de pagamentos, um dos casos mais conhecidos de empresa que nasceu da costela de um grande site de comércio eletrônico e se ganhou vida própria é a Ant Financial (Alipay), do chinês Alibaba.

“Essa é uma pergunta muito frequente, mas hoje nós somos muito mais fortes juntos”, afirma o diretor do Mercado Pago.

Os números do balanço do Mercado Livre também mostram que talvez seja cedo para pensar em uma separação. Apesar do crescimento acelerado do negócio financeiro, a empresa registrou um prejuízo de US$ 36,6 milhões no ano passado, revertendo o lucro de US$ 13,8 milhões em 2017.

Matéria sugerida por Marjorie Fryszman

Fonte: Seudinheiro

Maior aposta do Mercado Livre está longe de seu marketplace

A fintech Mercado Pago expande sua atuação para fora do marketplace, com meios de pagamento digitais, maquininhas, pagamento por QR code e oferta de crédito.

O maior negócio do Mercado Livre pode estar longe de sua plataforma de comércio eletrônico. O MercadoPago, plataforma de pagamentos do Mercado Livre, cresce principalmente fora do marketplace. Criado para facilitar as compras e vendas dentro do comércio eletrônico da companhia, a fintech expande sua atuação cada vez mais para fora do marketplace, com meios de pagamento digitais, maquininhas, pagamento por QR code e oferta de crédito.

Em setembro, os pagamentos realizados fora da plataforma superaram os do marketplace. No quarto trimestre de 2018, o Mercado Pago transacionou 5,3 bilhões de dólares, aumento de 22,1% contra o ano passado. O número de transações cresceu 71,7%, para mais de 125,6 milhões no último trimestre.

O volume de pagamentos fora da plataforma totalizou 2,1 bilhões de dólares, crescimento de 90,1% em dólares. A maior parte vem das maquininhas mobile, as MPOS, que respondem por 46,6% dos pagamentos feitos fora da plataforma. Já no marketplace, foram 3,2 bilhões de dólares transacionados.

Para Marcos Galperín co-fundador e presidente do Mercado Livre, , a fintech tem uma importância estratégica, principalmente em relação às transações feitas offline, com máquinas POS em pontos de venda físicos. “Estamos acelerando o movimento de online para offline. O Mercado Pago tem a oportunidade de ser um poderoso e disruptivo provedor de meios de pagamentos”, afirmou em teleconferência de resultados ontem, 26.

Fonte: exame.abril.com.br

Conheça a gigante chinesa que vai investir R$ 200 milhões no Nubank

Com investimento da Tencent, fintech se tornou a startup brasileira mais valiosa da América Latina

Em seu primeiro investimento no Brasil, a gigante chinesa Tencent já fez questão de mostrar o seu tamanho. Ao todo, serão R$ 200 milhões investidos na fintech Nubank, segundo o site The Information – e, graças à operação, a startup brasileira se tornou a mais valiosa da América Latina.

Fundado em 1998, o Tencent fornece serviços de internet para diferentes demandas: comunicação, publicidade online, informação, entretenimento e e-commerce, entre outros. A plataforma mais conhecida da empresa é o aplicativo de mensagens WeChat, lançado em 2011 – o mais popular na China e muito parecido com o WhatsApp.

No início do ano, acompanhando a tendência de estabelecimentos sem caixas eletrônicos iniciada pela Amazon com as lojas Amazon Go, a Tencent lançou seu modelo próprio: o WeLife. A ideia, assim como a da Amazon, é expandir a presença nas lojas físicas e apostar em uma nova forma de consumo. Tanto a loja como o aplicativo WeChat são vinculados a uma plataforma de pagamento chamada WeChat Pay, que permite transações rápidas via smartphones.

A Tencent também é dona da Qzone, a maior rede social da China. Criada em 2005, a plataforma, segundo a empresa, registrou um total de 632 milhões de contas de usuários ativos no primeiro trimestre de 2017.

Em comunicado divulgado em agosto, a Tencent informou uma receita total de US$ 22,2 milhões no primeiro semestre de 2018 – aumento de 39% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A gigante chinesa também anunciou um crescimento de 81% na receita de “outros negócios”, impulsionada principalmente por serviços financeiros, de pagamento e de nuvem.

Fonte: clipping.cservice

Entenda como as novas tecnologias irão transformar o mercado dos meios de pagamento

Poucas áreas foram tão afetadas com a evolução da tecnologia quanto a de meios de pagamento. Simplificar as transações financeiras é uma das principais preocupações entre as startups que trabalham com soluções tecnológicas, o que popularizou o conceito de fintech, ou seja, as inovações voltadas ao setor financeiro. Todos os anos surgem dezenas de recursos e novidades que simplificam a vida de pessoas e empresas – transformando para sempre a forma como enxergamos esse mercado.

É praticamente um caminho sem volta para as empresas que trabalham com finanças e meios de pagamento. A pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária, realizada pela Deloitte em parceria com a Federação Brasileira de Bancos, indica que os investimentos em tecnologia feitos pelo setor somaram R$ 19,5 bilhões no país em 2017, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. As transações bancárias em canais digitais cresceram 30% e o mobile banking, modalidade feita pelos smartphones, representa mais de um terço das operações bancárias realizadas no ano passado.

A tecnologia é importante porque permite o surgimento de soluções inovadoras, reduzindo o risco e custo envolvido. A automação permite fornecer uma solução mais completa, eficiente e barata aos clientes. Assim, um número maior de pessoas consegue aproveitar seus benefícios ao mesmo tempo que gera aumento de demanda e oportunidades de negócios. Isso permite uma inclusão mais democrática, fazendo com que o Brasil caminhe para se tornar uma “sociedade cashless“, ou seja, com movimentações digitais ao invés de dinheiro vivo – o que ajuda muito em termos de segurança, prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao crime organizado.

Para isso, é preciso trabalhar com dados, a nova riqueza da economia mundial (“os dados são o novo petróleo” é o mantra das empresas de tecnologia). Em um mundo conectado, saber extrair inteligência das informações é essencial para se diferenciar no mercado. Conceitos como machine learning, CRM e análises preditivas são realidades no setor. As soluções serão cada vez mais personalizadas porque as corporações terão um conhecimento profundo dos clientes e poderão oferecer os melhores produtos no momento mais adequado.

No caso das empresas de pagamento, esse caminho é facilitado porque elas já são quase 100% automatizadas. A tendência é, no futuro próximo, ver segmentos como antifraude totalmente automáticos, com o mínimo possível de interação humana. O atendimento deve ser mais personalizado, a iniciativa open banking vai se potencializar ao colocar o cliente no controle de seus dados e as soluções em segurança e funções que reafirmam as transações digitais, como NFC, blockchain e pagamento biométrico, devem se popularizar.

Como se vê, a tecnologia é – e será – o grande diferencial das empresas no mercado financeiro, com soluções cada vez mais complexas e personalizadas. As interações com inteligência artificial para direcionamento e organização da vida financeira estarão presentes e a economia caminhará para um cenário cashless, com menos intermediários. É necessário que as empresas de meios de pagamento invistam nessa nova realidade. Quem fizer isso conseguirá prosperar e conquistar novos mercados. Caso contrário, estará obsoleto e defasado em relação às necessidades de seu público-alvo.

Fonte: ecommercenews.com.br