A logística é uma das principais dores de cabeça do lojista, o que não chega a ser uma novidade. Segundo a 3ª Pesquisa Nacional de Varejo Online, de 2016, esse era o segundo setor que causava mais preocupação para os empreendedores.
Mesmo assim, três anos depois, a área continua sendo um gargalo operacional. Por isso, entender o mercado é essencial para entregar uma boa experiência ao cliente e, do lado da empresa, diminuir custos.
É a opinião de Felipe Trevisan, CEO da Gadle. Durante a Conferência E-Commerce Brasil Santa Catarina, ele explicou quais são os três principais passos para otimizar gastos na logística e fazer melhores escolhas.
1) Escolha o modelo operacional correto
Segundo Trevisan, existem dois formatos de entrega mais recorrentes: hub and spoke (o tradicional, no qual a encomenda é transportada a um centro de distribuição e, depois, ao destinatário) e entrega direta (do armazém para o cliente).
Do ponto de vista financeiro, a fórmula é simples. “O modelo tradicional é muito mais barato do que a entrega direta para cargas pequenas. Já para cargas maiores, o custo do frete dentro da cidade é bem maior”, afirmou.
Pedidos de 0 a 5 kg: nesses casos, dificilmente o lojista fará entrega direta. Nesta faixa, vale mais a pena usar o modelo Hub and spoke ou, se houver muito volume, pequenos armazéns
Pedidos entre 5 e 30kg: considere entregas diretas a partir do seu depósito para bairros próximos. Aqui, começa a ficar financeiramente viável
Pedidos acima de 30 kg: as entregas diretas a partir do seu armazém até cidades próximas faz mais sentido do que a tradicional, na maior parte dos casos.
2) Aumente a flexibilidade da sua frota
Nos últimos anos, Trevisan tem visto lojas online oferecerem prazos de entrega cada vez menores. Sem um modelo flexível, cumprir o prometido se torna uma missão mais complicada.
De acordo com o especialista, no modelo tradicional de roteirização dos veículos de entrega, geralmente se divide um mapa em regiões. A partir daí, é comum comprar um automóvel para cada área. O problema, para o CEO, é que essas aquisições não são feitas de forma estratégica.
Ou seja, se o perfil das entregas mudar, a infraestrutura não acompanhará o fluxo. “Estão adotando uma frota rígida para um serviço que é flexível”, alertou.
Para ele, contratar a frota sob demanda pode ser uma boa ideia se for acompanhada de planejamento, principalmente quando se considera o tamanho das empresas:
Pequenas e médias frotas (até 20 veículos): considere operar 100% sob demanda
Grandes frotas (mais de 20 veículos): considere um modelo híbrido entre frota fixa e sob demanda
3) Dados, dados e dados
Informação é o petróleo do século 21. Sem isso, as empresas aplicam suas estratégias no escuro.
Mas de nada adianta ter os dados na mão se o e-commerce não souber usá-los. “[Isso significa] Conseguir identificar padrões de custos, de insucessos e tomar decisões melhores [com base nas informações]”, explicou Trevisan.
A fim de guiar o lojista, Trevisan sugeriu algumas perguntas para se fazer na hora de buscar um dado:
Como estão sendo executadas as minhas entregas agendadas? Sem essa informação, pode ocorrer algum desencontro, ou “furo”, como chama – o produto que deveria ser entregue pela manhã chegou à tarde, por exemplo.
Quanto tempo demora cada entrega, de acordo com o perfil do cliente?
Quais são as áreas de risco? Onde o cliente deve estar para receber uma encomenda?
A partir daí, com dados estruturados, o e-commerce pode utilizar um software de roteirização. “O que acontece é que, sem as informações corretas, o software te sugere rotas e soluções horríveis. Precisa ter base”, alertou o especialista.
Fonte: ecommercebrasil.com.br