O impacto das regulamentações locais na logística global de e-commerces

Atuar no mercado global de e-commerce é um desafio que vai muito além da logística tradicional. Como especialista na área, acompanho de perto a adaptação de grandes empresas internacionais que chegam ao Brasil e precisam alinhar suas operações às exigências fiscais e regulatórias locais. Cada país possui suas particularidades e, no Brasil, essa adaptação exige um conhecimento aprofundado das regras nacionais e estaduais, que impactam diretamente o fluxo de mercadorias, a precificação e a experiência do consumidor.

As barreiras regulatórias e fiscais no Brasil

O Brasil é conhecido por ter uma das legislações fiscais mais complexas do mundo. A estrutura tributária envolve tributos federais, estaduais e municipais, o que exige uma gestão fiscal altamente eficiente. Para empresas estrangeiras que entram no mercado brasileiro, os principais desafios incluem:

– Tributação sobre importação: o Imposto de Importação (II), o ICMS e o PIS/Cofins afetam diretamente o custo da mercadoria e o prazo de entrega. Adaptar-se a esses tributos exige integração com sistemas automatizados de cálculo fiscal.

– Emissão de documentos fiscais: no Brasil, cada transação comercial requer notas fiscais eletrônicas (NF-e) e conhecimentos de transporte eletrônico (CT-e). Empresas estrangeiras precisam de sistemas que se integrem à Receita Federal e às Secretarias da Fazenda Estaduais.

– Regras alfandegárias e fiscalização aduaneira: o desembaraço aduaneiro pode atrasar a entrega se a empresa não seguir corretamente os procedimentos e as documentações exigidas pela Receita Federal.

– Regulamentações estaduais: o ICMS varia conforme o estado de destino da mercadoria, sendo necessário um planejamento estratégico para evitar custos desnecessários e garantir eficiência na distribuição.

Como adaptar operações logísticas ao mercado brasileiro

Diante desse cenário desafiador, empresas globais de e-commerce precisam adotar soluções que otimizem sua operação logística e garantam conformidade regulatória. Algumas estratégias fundamentais incluem:

1. Automação fiscal e tributária

A tecnologia é um grande aliado para lidar com as exigências fiscais brasileiras. Softwares de gestão tributária permitem calcular automaticamente os impostos de cada operação, garantindo que a empresa esteja em conformidade e evitando multas ou atrasos no despacho das mercadorias.

2. Parcerias com operadores logísticos locais

Uma das melhores formas de facilitar a adaptação ao mercado brasileiro é contar com operadores logísticos que já conhecem as regras e os processos locais. Muitas empresas optam por centros de distribuição em território nacional para agilizar a entrega e reduzir custos com importação direta para o consumidor.

3. Otimização da cadeia de suprimentos

Planejar bem a cadeia de suprimentos é essencial para minimizar os impactos das regulamentações. Estratégias como o uso de múltiplos hubs logísticos, análise de demanda por região e transporte multimodal ajudam a reduzir custos e melhorar os prazos de entrega.

4. Gestão eficiente da logística reversa

O Brasil possui normas rígidas para devoluções e trocas no e-commerce. Empresas estrangeiras precisam estruturar um processo eficiente de logística reversa, considerando prazos, custos e obrigações fiscais, para manter a satisfação do cliente e evitar problemas regulatórios.

5. Monitoramento em tempo real

Sistemas de rastreamento e integração com transportadoras são essenciais para garantir a transparência da operação e evitar gargalos logísticos. A tecnologia de monitoramento em tempo real permite prever possíveis atrasos e agir rapidamente para solucioná-los.

Ingressar no mercado brasileiro de e-commerce exige mais do que apenas uma estratégia de vendas eficiente. A adaptação às regulamentações locais é um processo fundamental para garantir a operação sem contratempos, evitar sanções e oferecer um serviço de qualidade ao consumidor final. Com planejamento, tecnologia e parceiros estratégicos, é possível transformar os desafios regulatórios em uma vantagem competitiva, consolidando a presença global da empresa de forma sustentável e eficiente.

A logística é um dos pilares do sucesso do e-commerce, e entender as nuances da legislação brasileira é essencial para que empresas internacionais operem de forma eficaz no país. Como profissional da área, sei que a adaptação pode parecer complexa, mas, com as ferramentas certas, torna-se um diferencial estratégico que impulsiona o crescimento no mercado brasileiro.

Fonte: “O impacto das regulamentações locais na logística global de e-commerces – E-Commerce Brasil

Inovação na logística brasileira: menos ficção científica, mais soluções práticas

Quando imaginamos o futuro da logística, é comum imaginarmos drones sobrevoando cidades e robôs humanóides carregando pacotes em grandes centros de distribuição. No entanto, a revolução da logística não está nos cenários dignos de ficção científica, mas sim na implementação de ferramentas tecnológicas acessíveis e altamente eficientes.

O setor de logística no Brasil ainda está amplamente dependente de processos manuais e ferramentas rudimentares, como o uso de planilhas em programas tradicionais. O estudo State of Logistic (2024), realizado pela empresa de roteirização SimpliRoute com profissionais do setor de toda América Latina, mostrou que essa é uma realidade da América Latina, pois 87% das empresas entrevistadas acreditam que precisam ainda otimizar suas operações, para gerenciar as demandas de rotas, rastreamento, tempo de entrega e outros.

Nas entregas de compras on-line, o custo e o prazo de recebimento são as principais percepções negativas dos consumidores, refletindo na taxa de abandono de carrinhos, que chega a 71,3%. Os principais motivos são custos extras, como frete e taxas (45%), e prazos de envio demorados (22%). Esses desafios podem ser superados com sistemas de roteirização e soluções de Inteligência Artificial (IA), que otimizam rotas e utilizam dados em tempo real para decisões precisas, melhorando a operação de transportadoras e e-commerces.

Sistemas de roteirização baseados em Inteligência Artificial são capazes de analisar uma infinidade de variáveis – como condições do tráfego, previsões climáticas e padrões de consumo – para criar as melhores rotas, reduzindo custos operacionais e garantindo entregas mais rápidas. Além disso, a automação desses processos libera equipes humanas para se concentrarem em estratégias que promovam ganhos em eficiência e qualidade de serviço e reduz em até 30% emissões de CO2, segundo o relatório McKinsey & Company (2021), pois otimiza as rotas de transporte.

O State of Logistic (2024) também mostrou que 34% das empresas identificam eficiência do transporte como principal preocupação, seguida de 25% das empresas que apontam a necessidade de implementação de novas tecnologias. O estudo falou com empresas de toda América Latina.

No Brasil, a adesão a essas tecnologias ainda é limitada. Apesar de sua comprovada eficácia, muitos players do setor resistem às mudanças por falta de informação, pelo custo inicial ou até mesmo pela comodidade em se manter em processos já conhecidos. Esse atraso cria um abismo entre as empresas que adotam a inovação e aquelas que permanecem estagnadas.

O futuro da logística está menos relacionado à drones e mais à adequação e inserção de tecnologias. À medida que empresas abandonarem as planilhas e adotarem novas soluções, como as baseadas em IA, estaremos mais próximos de um setor logístico alinhado às demandas do mercado moderno: eficiente, dinâmico e, acima de tudo, competitivo.

Fonte: “https://gironews.com/opinioes/inovacao-na-logistica-brasileira-menos-ficcao-cientifica-mais-solucoes-praticas/”

Impacto da RA na logística: Três tendências para 2025

Tendências emergentes demonstram como a RA está prestes a revolucionar as operações de armazéns e potencializar o trabalho dos profissionais de forma inovadora.

O ano de 2024 foi um ano emocionante para a Realidade Aumentada, com a Apple finalmente dando vida ao seu tão aguardado dispositivo de Realidade Mista, o Apple Vision Pro – que, embora não tenha alcançado o número esperado de vendas entre os consumidores, ainda é considerado “uma maravilha da computação e de engenharia”, sinalizando a evolução da RA de tecnologia emergente para o mainstream. Isso desencadeou uma verdadeira corrida tech para dispositivos ópticos menores e mais nítidos, para incorporar os últimos avanços em IA e conquistar os corações e mentes do consumidor.

Com base nesse movimento, muitas indústrias podem se beneficiar dos avanços significativos em tecnologias vestíveis. À medida que a RA amadurece e ultrapassa a fase de prova de conceito, o setor de Logística segue na dianteira da transformação digital com soluções habilitadas para Realidade Aumentada.

Três tendências emergentes demonstram como a RA está prestes a revolucionar as operações de armazéns e potencializar o trabalho dos profissionais de forma inovadora.

EVOLUÇÃO DA RA NA LOGÍSTICA

O futuro da tecnologia no campo da logística não está em dispositivos portáteis ou operados exclusivamente por voz, mas em wearables de RA desenvolvidos especificamente para se integrar de forma fluida às operações em depósitos. Embora os dispositivos móveis tradicionais tenham impulsionado melhorias significativas no setor, eles ainda exigem que os trabalhadores alternem sua atenção entre dispositivos e tarefas. Dispositivos de RA, como smart glasses, transformarão esse padrão ao garantir operações hands-free e a exibição de informações contextuais diretamente no campo de visão dos trabalhadores.

As soluções de Realidade Aumentada poderão ser as mais variadas possíveis, desde óculos inteligentes para operações complexas de coleta e embalagem até wearables leves de pulso para tarefas rotineiras de logística. Ao fornecer orientação visual e auditiva instantânea, esses dispositivos permitem que os profissionais mantenham a consciência situacional enquanto acessam dados e instruções necessárias para suas tarefas. Para empresas que buscam implementar dispositivos de RA, a chave está na escolha de plataformas robustas e adaptáveis que priorizam o conforto e a preferência das equipes. Além disso, a adoção de uma abordagem flexível que garanta alternativas aos trabalhadores garantirá maiores taxas de aceitação e melhores resultados.

DEMOCRATIZAÇÃO HABILITADA POR RA

2025 trará uma mudança fundamental na forma como as empresas abordam a implantação da tecnologia de Realidade Aumentada. Em vez de implementar soluções baseadas apenas em decisões executivas, as organizações passarão a depender cada vez mais das opiniões e do retorno dos trabalhadores da linha de frente que irão interagir diariamente com a tecnologia de RA. Essa mudança será particularmente impactante nos ambientes de logística, onde a experiência prática das equipes que “põem a mão na massa” geralmente revela insights valiosos que se perdem no tradicional planejamento de ‘cima para baixo’.

Para maximizar os benefícios das implementações de RA, as empresas devem estabelecer um processo formal de feedback que valorize as percepções e perspectivas dos trabalhadores da linha de frente. O sucesso está em identificar quais as soluções de RA que os próprios trabalhadores consideram essenciais para o aprimoramento de suas tarefas diárias, ao contrário daquelas que prometem melhorias que só funcionam na teoria. Essa metodologia colaborativa possibilita que a tecnologia de RA realmente atenda ao propósito pretendido, mantendo altas taxas de adoção e de satisfação.

CONVERGÊNCIA DE RA E IA

O desenvolvimento mais transformador da RA na área da logística está em sua integração com a Inteligência Artificial (IA) para uma operação avançada de distribuição de pedidos e planejamento de rotas.

Enquanto as responsabilidades entre robótica e sistemas de transporte continuam se fundir às operações humanas, os sistemas de RA irão alavancar os dados processados por IA para sobrepor informações em tempo real e instruções e orientação virtual diretamente em equipamentos e nos ambientes dos armazéns. Isso criará um novo padrão operacional onde problemas de manutenção poderão ser previstos e evitados antes de impactarem as operações.

As sobreposições de RA aprimoradas por IA transformarão reparos complexos em procedimentos passo a passo concebidos para serem intuitivos. Os especialistas remotos terão a capacidade de visualizar o problema através dos olhos dos técnicos no local, manipulando anotações de RA em tempo real ao mesmo tempo em que os sistemas de IA analisam as intercorrências e sugerem soluções. Essa combinação de conhecimento humano, visualização de RA e análise alimentada por IA reduzirá drasticamente o tempo de inatividade e simplificará os processos de resolução de problemas.

As organizações que pretendem capitalizar essa tendência deverão se concentrar na criação de bases de dados robustas e se assegurar que a infraestrutura de nuvem seja capaz de suportar implementações sofisticadas de RA e IA. Enquanto esses recursos amadurecem, a separação entre experiências físicas e virtuais nas operações logísticas se tornará cada vez menos nítida, criando novas oportunidades de eficiência e inovação.

E O FUTURO DA RA NA LOGÍSTICA?

Com a convergência de wearables de RA desenvolvidos para esse fim, a tomada de decisão orientada pela linha de frente e a integração de IA, 2025 promete ser um ano emocionante para a Realidade Aumentada na logística. As empresas que adotarem essas mudanças, mantendo o foco na implementação prática e nas preferências dos trabalhadores, estarão melhor posicionadas para alavancar o potencial transformador da RA.

Ao manter os profissionais no centro das decisões de tecnologia de RA enquanto se preparam para o futuro, as empresas podem criar operações de logística mais eficientes, satisfatórias e produtivas que beneficiam tanto os negócios quanto seus funcionários.

Fonte: “Impacto da RA na logística: Tendências para 2025

O impacto do transporte e da logística de última milha de e-commerces

A logística de última milha visa entregas rápidas que fidelizam clientes. A otimização de rotas melhora a experiência, mas há desafios como a busca por soluções sustentáveis para reduzir emissões.

A logística de última milha lida com a entrega de produtos ao consumidor final. Esse segmento apresenta desafios únicos, como a redução de custos e a otimização do tempo de entrega.

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o comércio eletrônico no Brasil deverá registrar um crescimento de 10% em 2025, atingindo um faturamento estimado em R$ 224,7 bilhões.

A crescente expansão do e-commerce intensifica a necessidade de um sistema logístico ágil e adaptável e levanta questões importantes sobre como as empresas podem atender às crescentes expectativas dos clientes.

De acordo com a Statista, até 2027, o mercado global de entregas de última milha deverá crescer para mais de 200 bilhões de dólares. Esse crescimento é impulsionado pelo aumento no volume de pedidos online.

Já segundo levantamento do The Business Research Company, o tamanho do mercado global de logística de última milha em 2025 é de US$ 202,01 bilhões e ainda vai crescer 12,6% até 2029.

Como funciona a logística de última milha e a importância

A logística de última milha se refere ao procedimento de entrega dos produtos ao consumidor final, ou seja, desde o centro de distribuição até o destinatário. Logo, ela é uma parte primordial da cadeia de suprimentos.

A eficiência nesta fase é necessária para garantir que os produtos cheguem ao cliente de forma rápida e em boas condições. Segundo a SAP, multinacional alemã do setor de tecnologia, 65% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por entregas mais rápidas. Os desafios incluem o aumento da demanda e a necessidade de atender a prazos curtos.

Dentre as soluções adotadas, está a utilização de tecnologias como geolocalização. A logística de última milha pode impactar a experiência do consumidor, o que reforça a necessidade de um planejamento apropriado.

A ascensão do e-commerce no Brasil tem modificado a dinâmica da logística de última milha. As organizações precisam se adaptar a um mercado bastante dinâmico. As expectativas dos clientes aumentaram, exigindo prazos mais curtos e alternativas de entrega flexíveis.

Consequentemente, as empresas têm investido em soluções inovadoras, como o uso de entregadores autônomos e parcerias com serviços de entrega locais. A utilização de pontos de coleta também se torna cada vez mais comum, permitindo maior conveniência para o consumidor.

Principais desafios no Brasil

A logística de última milha no Brasil enfrenta uma série de desafios que impactam a eficácia e a boa aceitação do consumidor. Com um cenário urbano complexo e uma demanda crescente por entregas rápidas, as empresas precisam se adaptar constantemente.

Custos elevados

Os custos de entrega na última milha são significativamente altos no Brasil, devido a fatores como a infraestrutura deficiente, tarifas de transporte e a necessidade de uma frota diversificada para atender diferentes tipos de entregas.

Segundo o Datafrete, o custo logístico representa 13,7% do PIB no Brasil, comparado a 8% nos EUA. Além disso, 75% dos consumidores abandonam compras online devido ao alto custo do frete. Esses custos podem ser exacerbados em áreas remotas ou de difícil acesso.

Expectativas de entrega rápida

Os consumidores brasileiros estão cada vez mais exigentes em relação à rapidez das entregas, influenciados por grandes players do e-commerce internacional e mesmo nacional que oferecem alternativas de entrega ainda no mesmo dia ou até mesmo em poucas horas.

Essa expectativa impõe uma pressão adicional para empresas do ramo de logística, que precisam ajustar suas transações para atender essa demanda sem comprometer a qualidade do serviço.

Gestão de devoluções

A gestão de devoluções é um aspecto crítico na logística de última milha. O processo de retorno de produtos pode ser complexo e custoso, exigindo uma logística reversa eficaz. A falta de um sistema ágil para lidar com devoluções pode resultar em insatisfação do cliente e aumento de custos operacionais.

Congestionamento urbano

O congestionamento nas grandes cidades brasileiras é um desafio permanente. O alto tráfego pode atrasar as entregas, aumentar os custos e dificultar a otimização das rotas.

As empresas precisam encontrar soluções criativas, como o uso de veículos elétricos, para contornar esses obstáculos e garantir entregas mais rápidas.

Tendências e inovações em logística de última milha

A logística de última milha é impulsionada por avanços tecnológicos e por uma crescente demanda por soluções sustentáveis. Estes elementos geram melhorias na eficiência operacional e na experiência do consumidor.

Uso de bicicletas elétricas

O uso de bicicletas elétricas está se consolidando como uma solução viável para a logística de última milha, em especial em regiões urbanas densas. O iFood Pedal, por exemplo, está disponível nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília.

Essas bicicletas oferecem uma alternativa sustentável e ágil, permitindo que as entregas sejam realizadas em locais de difícil acesso e em tempos reduzidos. Além disso, as bicicletas elétricas ajudam a reduzir os custos operacionais, já que demandam menos investimento em combustível e manutenção em comparação com veículos motorizados.

A adoção de bicicletas elétricas também está alinhada com a crescente demanda por práticas de entrega ambientalmente sustentáveis.

Pontos de coletas e lockers

Os lockers inteligentes estão se tornando uma tendência no Brasil, oferecendo conveniência tanto para consumidores quanto para empresas. Eles permitem que os clientes retirem suas encomendas em horários que melhor se adequem às suas rotinas, eliminando a necessidade de tentativas de entrega.

Fonte: “O impacto do transporte e da logística de última milha de e-commerces

T4S fatura R$ 79 milhões em 2024 e fecha parceria com multinacional dos EUA

Empresa projeta alcançar R$ 96 milhões em 2025 e planeja expandir a atuação para novos mercados, incluindo um projeto de internacionalização.

A T4S Tecnologia encerrou 2024 com um faturamento de R$ 79 milhões e projeta alcançar R$ 96 milhões em 2025. Além do crescimento financeiro, a empresa planeja expandir a atuação para novos mercados, incluindo um projeto de internacionalização. A companhia atende clientes como FedEx, DHL, Amazon, JSL e P&G,

Neste ano, a T4S iniciou sua operação nos Estados Unidos, firmando parceria com uma multinacional de logística. Inicialmente, parte da frota dessa empresa foi equipada com a tecnologia Anjo da Carga, e a empresa já atua em Miami, Los Angeles e Washington D.C., com planos de expandir para outras regiões do país.

A T4S surgiu em 2017 para oferecer soluções tecnológicas de segurança no transporte de cargas. Os fundadores Enrico Rebuzzi e Luiz Henrique Nascimento, que anteriormente gerenciavam uma empresa de logística, enfrentaram prejuízos recorrentes com roubos e decidiram criar um negócio voltado à proteção de frotas.

Entre os serviços desenvolvidos pela T4S estão o Choque Elétrico Anti-Invasão, que aplica um choque não letal de 20 mil volts em caso de tentativa de roubo, e o Anjos da Carga, um sistema que utiliza câmeras com Inteligência Artificial para identificar armas, reconhecer rostos e detectar movimentos suspeitos ao redor do veículo.

A relevância dessas soluções cresce diante do aumento nos roubos de carga. No Brasil, foram registrados 7.244 casos entre janeiro e setembro de 2023, uma média de 27 incidentes por dia, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SINESP).

Nos Estados Unidos, esse tipo de crime também se intensificou, com 371 roubos no primeiro trimestre de 2024 – um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior –, causando prejuízos estimados em 78,13 milhões de dólares (cerca de R$ 390,65 milhões).

Fonte: “T4S fatura R$ 79 milhões em 2024

 

 

Correios assina acordo com MCom e MDA e coloca logística a serviço da agricultura familiar

Os Correios assinaram, na tarde dessa quarta-feira (19), um acordo de cooperação técnica com o Ministério das Comunicações (MCom) e o Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) para promover a produção de produtos da sociobiodiversidade e da agricultura familiar consumidos para fins alimentício, cosmético e farmacêutico. A formalização do compromisso aconteceu durante a 6ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), em Brasília/DF. A agenda contou com a presença do presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, do ministro do Mcom, Juscelino Filho, do ministro do MDA, Paulo Teixeira, do presidente da Anatel, Carlos Baigorri, além de outras autoridades e convidados.

O acordo faz parte de uma série de parcerias firmadas entre os entes públicos para promover a inclusão social e digital de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas e a diversos povos e comunidades tradicionais. Para a estatal, o compromisso reforça a importância como apoio logístico do governo federal, dando suporte a políticas públicas.

“Os Correios estão presentes em todos os municípios, então podemos muito ajudar a agricultura familiar. Nos colocamos à disposição das cooperativas e das entidades representativas para que consigamos apresentar soluções que atendam os agricultores e também o povo brasileiro”, disse o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, que projetou o desenvolvimento no futuro de uma vitrine virtual no marketplace da estatal para a venda da produção da agricultura familiar para o Brasil e para o mundo.

“O compromisso do Mcom e de suas vinculadas é levar conectividade aos agricultores e assentados que necessitam dessa atenção especial do governo federal. A inclusão digital não é privilégio de poucos, é um direito de todos. Com esse acordo, não tenho dúvidas que poderemos avançar ainda mais com as políticas públicas que atendam aqueles que mais precisam”, enfatizou o ministro Juscelino Filho.

“Esse momento é fundamental para universalizar o acesso digital às zonas rurais brasileiras. Permitirá às pessoas a continuarem a viver e realizar suas atividades no campo, que continuem tendo uma relação com o mundo por meio da tecnologia. Essa atenção é decisiva para o desenvolvimento do Brasil”, disse o ministro Paulo Teixeira.

Dentre as ações previstas no acordo de cooperação para a execução dos Correios, estão a de promover a excelência e a inovação de produtos comerciais para produtos da sociobiodiversidade da agricultura familiar e de viabilizar o transporte da produção de forma a contribuir para competitividade do setor.

Agricultura familiar na Bahia – Em dezembro, os Correios também estabeleceram uma parceria que está impulsionando a agricultura familiar na Bahia. Em suporte à União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (UNICAFES) e ao Governo do Estado da Bahia – por intermédio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) – os Correios estão operando a logística de envio de produtos da UNICAFES para todo o país.

Os envios acontecem de duas formas: por meio do Correios Log+ e por envio direto, pelos produtores, nas agências dos Correios. No primeiro caso, os produtos ficam armazenados na unidade do Correios Log+ localizada no Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas de Salvador (CTCE Salvador), onde são separados, embalados, etiquetados e entregues aos destinatários. As vendas acontecem pelo site do Mercado de Agricultura Familiar, e estão abertas para todo o território nacional. Já o envio direto facilita a circulação dos produtos pelo interior do Estado, desembaraçando a burocracia de comercialização.

A parceria facilita o acesso dos agricultores familiares aos mercados consumidores, permitindo que produtos cheguem a diferentes regiões do país. A expertise dos Correios proporciona redução de custos e agilidade na entrega, com soluções que atendem às necessidades específicas dos agricultores. Dessa forma, é possível aumentar a margem de lucro, tornando a atividade rural mais viável economicamente e contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico e social das comunidades rurais.

Fonte: “Correios assina acordo com MCom e MDA e coloca logística a serviço da agricultura familiar – Correios – Sala de Imprensa

Moda Center Log é lançado para tornar a logística mais eficiente no Polo de Confecções

Nesta segunda-feira (17), o Moda Center, em Santa Cruz do Capibaribe-PE, lançou uma solução inovadora que facilitará a conexão entre comerciantes, clientes, excursões e transportadoras. O Moda Center Log, que surgiu com a implantação do Marketplace do Moda Center, também integrará, em um só lugar, os serviços oferecidos pelos Correios e o Aplicativo Moda Center.

O evento contou com a participação de comerciantes, imprensa, diretoria, gerentes e gestores do centro de compras. Nele, foram detalhados o funcionamento e objetivos do Moda Center Log, mostrando que a plataforma pode ajudar os confeccionistas a ganhar mais tempo com a logística das mercadorias, assim como as excursões podem aumentar sua cartela de clientes e ter mais lucratividade.

O Moda Center Log, apresentado no evento por Kaká Sabocinscki (gerente comercial do Moda Center) e Edson Carneiro (gestor comercial do Moda Center e diretor da ZAX), faz parte das estratégias do centro de compras para facilitar a vida dos comerciantes e aumentar a competitividade do polo atacadista, garantindo que os produtos cheguem aos compradores de todo o Brasil de forma mais rápida e segura. Dentre seus benefícios, estão:

*Envios estratégicos através de excursões, Correios e transportadoras, atendendo todo o país;

*Sistema exclusivo para excursões, facilitando o fluxo de compra e envio direto do Marketplace do Moda Center;

*Prazos e preços mais competitivos, garantindo economia para lojistas e clientes;

*Monitoramento otimizado, trazendo mais segurança e rastreamento em tempo real de todos os envios.

Fonte: “Moda Center Log é lançado para tornar a logística mais eficiente no Polo de Confecções

A nova regra do jogo: como a automação inteligente está reduzindo custos e aumentando lucros no e-commerce

Imagine uma equipe de marketing de e-commerce gastando horas preciosas consolidando relatórios de desempenho, ajustando campanhas manualmente e lidando com processos operacionais repetitivos.

Enquanto isso, um concorrente que investiu em automação inteligente está ajustando lances de mídia paga em tempo real, personalizando recomendações para cada cliente e reduzindo custos operacionais.

A diferença? A automação inteligente não é apenas uma conveniência; ela está se tornando a nova regra do jogo.

No cenário atual do e-commerce, a pressão por eficiência e ROI nunca foi tão alta. Gerentes e diretores precisam justificar investimentos, reduzir custos de aquisição de clientes e aumentar a conversão. E a verdade é que estratégias manuais simplesmente não acompanham a velocidade do mercado digital.

Como disse Jeff Bezos: “Se você dobra o número de experimentos que faz por ano, você dobra sua inventividade”. E a automação permite exatamente isso: testar, aprender e escalar rapidamente.

A pergunta é: sua operação está pronta para jogar esse novo jogo? Ou ainda está presa a processos manuais que limitam seu crescimento?

O problema: o custo oculto do trabalho manual

O mercado mudou. O consumidor mudou. E o jeito de vender online também precisa mudar. A automação inteligente deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade para e-commerces que querem crescer sem aumentar custos.

Mas aqui está a questão: muitas empresas ainda operam no modo manual, gastando tempo e dinheiro em tarefas que poderiam ser automatizadas. O resultado? Processos ineficientes, desperdício de recursos e perda de vendas.

Muitos negócios online ainda operam como se estivessem na década passada. Processam pedidos manualmente, enviam e-mails um a um e perdem vendas por não nutrir leads corretamente. Isso custa tempo, gera erros e impacta diretamente o faturamento.

Além disso, a concorrência está mais feroz do que nunca. O consumidor digital espera rapidez, personalização e eficiência. Se sua loja não entrega isso, alguém mais entrega.

A boa notícia? A automação inteligente pode resolver esses problemas e transformar sua operação.

O que é automação inteligente?

Diferentemente da automação tradicional, que apenas executa tarefas repetitivas, a automação inteligente usa inteligência artificial e aprendizado de máquina para tomar decisões e otimizar processos.

Isso significa que seu e-commerce pode:

– Enviar e-mails personalizados com base no comportamento do cliente.

– Ajustar preços dinamicamente conforme a demanda e a concorrência.

– Reabastecer estoques automaticamente quando os níveis estiverem baixos.

– Segmentar clientes e sugerir produtos de forma precisa.

Tudo isso sem intervenção humana, permitindo que você foque no que realmente importa: crescer.

Redução de custos: como a automação corta desperdícios invisíveis

Muitos e-commerces acreditam que seus maiores custos estão nos produtos e na logística. Mas o verdadeiro vilão pode estar escondido em processos ineficientes, erros humanos e tempo desperdiçado.

Aqui estão três formas como a automação inteligente reduz custos:

1. Menos erros, menos prejuízo

Erros humanos em pedidos geram retrabalho, trocas e insatisfação do cliente. Softwares de automação garantem que dados como endereço, pagamento e disponibilidade de estoque sejam processados corretamente, reduzindo falhas e custos operacionais.

2. Atendimento ao cliente mais rápido e barato

Chatbots inteligentes e respostas automáticas resolvem dúvidas comuns sem precisar de um atendente humano. Isso reduz a necessidade de uma grande equipe de suporte e melhora a experiência do cliente.

3. Marketing automatizado: campanhas mais eficientes

Em vez de disparar e-mails e mensagens manualmente, a automação permite segmentação inteligente. Clientes recebem ofertas no momento certo, aumentando as taxas de conversão sem esforço extra.

Automação para aumentar o lucro: mais vendas com menos esforço

A automação inteligente não apenas reduz custos, mas também impulsiona as vendas.

1. Recuperação de carrinhos abandonados

Estudos mostram que cerca de 70% dos carrinhos de compra são abandonados antes da finalização da compra. Com a automação, é possível enviar e-mails ou mensagens personalizadas incentivando o cliente a concluir a compra, recuperando parte dessa receita perdida.

2. Personalização na comunicação

Clientes querem sentir que são únicos. Com inteligência artificial, sua loja pode recomendar produtos com base no comportamento de navegação e compras anteriores, aumentando as chances de conversão.

3. Gestão de estoque eficiente

Nada é pior do que perder uma venda porque o produto esgotou sem aviso. A automação inteligente monitora os estoques em tempo real, evitando excessos ou faltas e garantindo que seu e-commerce esteja sempre preparado para vender.

Casos reais: quem já está ganhando com isso?

Reserva IN

A marca brasileira de moda masculina Reserva implementou um sistema automatizado de e-mails e CRM, aumentando a taxa de conversão e reduzindo o tempo de resposta no atendimento ao cliente.

Wine

A loja online de vinhos Wine.com.br usa automação para recomendar rótulos com base no histórico do consumidor, aumentando a taxa de recompra.

Se grandes players do mercado já estão lucrando com automação, por que seu e-commerce ficaria de fora?

Amazon: logística totalmente automatizada

O segredo da Amazon não é apenas o preço, mas a eficiência. Com robôs em centros de distribuição e algoritmos que preveem compras futuras, a empresa entrega rapidamente e reduz custos operacionais drasticamente.

Passo a passo: como começar a automatizar seu e-commerce

Se você quer aproveitar os benefícios da automação, siga este plano:

1. Identifique tarefas repetitivas – quais atividades tomam tempo da sua equipe? Atendimento, estoque, marketing? Liste os processos que podem ser automatizados.

2. Escolha as ferramentas certas – plataformas como Dinamize, RD Station, HubSpot e Octadesk e várias outras ajudam na automação de marketing e atendimento.

3. Implemente aos poucos – comece pelos processos mais críticos e vá expandindo gradualmente.

4. Monitore os resultados – acompanhe métricas como tempo de resposta, taxa de conversão e redução de custos para medir o impacto da automação.

Minha dica final

A automação inteligente não é um luxo, é uma necessidade para quem quer crescer no e-commerce sem aumentar custos desnecessários.

Se você ainda depende de processos manuais, está deixando dinheiro na mesa. Comece pequeno, implemente aos poucos, mas não ignore essa tendência.

A nova regra do jogo já está em vigor. A pergunta é: seu e-commerce está pronto para jogar?

Fonte: “https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/a-nova-regra-do-jogo-como-a-automacao-inteligente-esta-reduzindo-custos-e-aumentando-lucros-no-e-commerce”

 

Agentes autônomos de IA na logística

Diferentemente de modelos tradicionais, em que um gestor precisa avaliar manualmente diferentes cenários, os agentes autônomos de IA conseguem reagir e se adaptar a mudanças instantaneamente.

A aplicação de inteligência artificial (IA) na logística vem avançando de forma acelerada, e o próximo passo é o uso de agentes autônomos, capazes de tomar decisões sem intervenção humana. Não se trata apenas de usar algoritmos para analisar dados: esses agentes podem reprogramar rotas, ajustar estoques e até redirecionar cargas diante de imprevistos, mudando completamente a forma como operamos.

No entanto, essa revolução traz desafios importantes. Um dos principais é provar o retorno sobre o investimento (ROI). Embora a promessa de cortar custos e agilizar entregas seja sedutora, a implementação de agentes de IA demanda recursos tecnológicos, integração de sistemas — como WMS, TMS, ERP e plataformas de rastreamento — e treinamento de equipes. Se a estrutura inicial não for bem feita, é fácil cair em projetos caros que não entregam os resultados esperados.

Outro ponto crítico é a orquestração de dados. Para que um agente autônomo funcione, ele precisa de informações vindas de diversas fontes em tempo real: trânsito, previsões do clima, disponibilidade de frota, status de estoque, até indicadores macroeconômicos ou notícias relevantes. Sem um modelo robusto de integração dessas bases, o potencial de análise e ação fica limitado, pois o agente não consegue “enxergar” tudo que precisa para tomar decisões precisas.

Apesar dos obstáculos, a recompensa para quem acertar essa equação pode ser enorme. Diferentemente de modelos tradicionais, em que um gestor precisa avaliar manualmente diferentes cenários, os agentes autônomos de IA conseguem reagir e se adaptar a mudanças instantaneamente. Se um veículo quebrar no meio do trajeto ou se uma fronteira fechar inesperadamente, o sistema pode redirecionar cargas e ativar planos de contingência sem depender de acionamentos manuais. Essa capacidade de resposta rápida eleva o nível de eficiência operacional e reduz drasticamente custos e atrasos.

Quem se adiantar na adoção de agentes autônomos estará mais preparado para lidar com as variáveis sempre presentes na logística. A agilidade gerada pela IA não é apenas uma vantagem competitiva, mas pode se tornar um fator determinante para a sobrevivência em mercados cada vez mais exigentes. Enquanto alguns ainda discutem se vale a pena investir pesado em plataformas inteligentes, outros já estão colhendo resultados tangíveis, fechando a porta para quem demorar a reagir.

Fonte: “Agentes autônomos de IA na logística – ACICAMPINAS

 

No limite da inovação: e-marketplace e almoxarifado virtual em compras públicas

Se implementadas corretamente, ferramentas podem revolucionar compras pela Administração Pública.

Duas noções próprias da administração, da logística e do marketing vêm sendo recentemente utilizadas na Administração Pública brasileira para designar a automação e um novo regime (inovador) para as compras públicas: e-marketplace público e almoxarifado virtual.

marketplace pode ser entendido como um local físico ou um meio ou plataforma virtual em que transações e negócios, compras e vendas, podem acontecer.

As transações poderão ocorrer de forma direta, com o fornecimento feito diretamente pelo mantenedor da plataforma aos consumidores (seria o caso de produtos vendidos diretamente pela Amazon ou pela Americanas, a partir de seus próprios estoques); mas, principalmente, ocorrem de forma intermediada, oportunizando-se a fornecedores externos utilizar a plataforma mantida pelo intermediário para oferecer bens e serviços aos consumidores, ficando a cargo dos fornecedores externos (lojas e e-commerces, por exemplo) a maior parte das etapas do negócio e do processo logístico, como precificação, recebimento da demanda, separação, envio, distribuição, etc.[1]

Quando tais transações são realizadas em meio virtual, por meio de plataformas digitais, fala-se em e-marketplace, marketplace onlinemarketplace virtual, marketplace digital. Trata-se de uma ferramenta de inovação tecnológica amplamente utilizada pelas pessoas em geral no âmbito privado, para a realização de todo o tipo de compras (basta lembrar de e-marketplaces como a Amazon, o Mercado Livre, o Aliexpress e a Americanas), mas que apenas recentemente vem sendo aplicada no âmbito da Administração Pública.

O almoxarifado virtual, por sua vez, é um conceito oriundo da logística, que começou a ser discutido na academia a partir de 1995, e se refere a uma inovação na gestão da cadeia de suprimentos, que visa diminuir custos e otimizar operações por meio de recursos tecnológicos.

Conceitualmente, trata-se de um modelo de negócio que visa utilizar a tecnologia da informação e algoritmos de decisão em tempo real para proporcionar eficiência operacional e visibilidade global ao inventário, automatizando a cadeia de suprimentos. É possível identificar no almoxarifado virtual forte inspiração no modelo just in time toyotista de cadeia de suprimentos virtual e ressuprimento, aliada ao uso da tecnologia da informação.

No âmbito empresarial brasileiro, o almoxarifado virtual tornou-se uma solução, isto é, um produto, que vem sendo comercializado por diversas empresas no mercado privado. Tais empresas vêm oferecendo-o como terceirização (o chamado outsourcing) da cadeia de suprimentos com diversos elementos de automação e inteligência empresarial.

Em termos resumidos, portanto, o almoxarifado virtual no Brasil seria a terceirização e automatização da gestão da cadeia de suprimentos de uma determinada organização, visando diminuir ou eliminar custos com estoques, distribuição, custos de propriedade, etc.

Em termos práticos, com a utilização de ferramentas inovadoras na Administração Pública, se teria dois cenários: (a) o da simples automação de processos licitatórios e contratações diretas com o e-marketplace público; e (b) com o almoxarifado virtual, um mais complexo, no qual, em vez de sempre se licitar e contratar item por item, o gestor público ter a possibilidade de acessar um ambiente virtual, para, nessa plataforma, realizar pedidos de materiais e insumos à contratada (terceirizada), que providenciaria a entrega desses bens ao órgão ou entidade pública, de acordo com determinados parâmetros e limites regulamentares e contratuais – sempre ao menor preço possível, por meio de uma licitação única cujo objeto seria a terceirização.

Almoxarifado virtual e e-marketplace na Administração Pública brasileira

O debate sobre a possibilidade da utilização de e-marketplaces e do almoxarifado virtual pela Administração Pública foi acendido recentemente na literatura jurídica brasileira, com a aprovação da nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei 14.133/2021). Ocorre, entretanto, que no contexto brasileiro se vem muitas vezes utilizando as denominações e-marketplace público e almoxarifado virtual como sinônimos – o que revela algum grau de imprecisão conceitual.

O almoxarifado virtual, mais especificamente, vem sendo implantado na Administração Pública brasileira pelo menos desde 2013, por uma iniciativa pioneira do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A iniciativa se materializou no Contrato 59/2013, que teve como objeto a contratação da “prestação de serviços continuados de outsourcing – para operação de almoxarifado virtual in company –, para suprimento e ressuprimento de insumos em plataformas virtuais, com execução mediante o regime de empreitada híbrida (por preço global e preço unitário), para atender às necessidades do ICMBio

Depois dessa experiência, diversos órgãos e entidades da Administração brasileira, como a Advocacia-Geral da União, o Banco do Brasil e a Infraero adotaram o almoxarifado virtual para determinadas categorias de insumos e produtos, como é o caso de materiais de expediente, informática, copa e cozinha e outros tipos de materiais de consumo. Mais recentemente, os estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro criaram seus almoxarifados virtuais.

O movimento mais conhecido do país nesse quesito ocorreu por parte do Ministério da Economia, que criou em 2020 o chamado Almoxarifado Virtual Nacional (AVN) para materiais de consumo administrativo, realizando uma licitação na modalidade pregão, em dois lotes divididos por regiões geográficas, geradora de uma ata de registro de preços à qual poderiam aderir (pegar “carona”), a princípio, os órgãos da Administração Pública direta federal. O AVN atualmente é um importante complemento ao sistema federal de compras públicas, em que são realizadas diversas atas de registro de preços e licitações em diversas modalidades, mas sobretudo por pregão.

O modelo de contratação do Almoxarifado Virtual Nacional (AVN) é muito promissor em termos de contratação, remuneração e de controle, podendo ser replicado em diversos entes, órgãos e entidades. Nesse modelo, se tem a contratação centralizada no ente federativo, com a possibilidade de adesão de órgãos e entidades, que realizariam seus próprios contratos com as empresas classificadas no pregão realizado pelo ente federativo.

Abrange-se apenas compras de alguns tipos de materiais (apenas materiais de escritório, expediente e consumo, por exemplo) e se tem uma remuneração do contratado por taxa de administração fixa (com um valor entre 8 a 11% do valor da aquisição, no caso do AVN), fretes inclusos, e redutores de remuneração nos casos de aquisições via marketplace (isto é, fora de tabela).

Nos objetos dos contratos de almoxarifado virtual já celebrados no Brasil, é comum que se preveja a prestação de serviços de terceirização do gerenciamento logístico, com diversos serviços agregados – entre eles, mas não somente, o e-marketplace. Entretanto, apesar de o marketplace ou serviços semelhantes por vezes estarem previstos nos objetos dos contratos, quando se está a tratar de contratos de almoxarifados virtuais públicos, o que se vê na prática é uma utilização muito limitada da ferramenta.

De fato, no cumprimento dos contratos celebrados pela Administração, não se está a utilizar e-marketplaces propriamente ditos, uma vez que em vários dos contratos de almoxarifados virtuais públicos analisados, as compras muitas vezes são realizadas diretamente da contratada; isto é, dos estoques da própria empresa terceirizada, que é a responsável por manter o almoxarifado virtual e por toda a cadeia de suprimentos.

Portanto, utilizando-se a classificação de Hagiu e Wright, nos almoxarifados virtuais mantidos perante a Administração Pública brasileira, atualmente, a empresa contratada parece estar mais a funcionar como um reseller (revendedor) do que como um marketplace.

Tudo isso faz com que a prática dos contratos se afaste da lógica dos e-marketplaces propriamente ditos, nos quais a escolha da melhor proposta dentre os fornecedores cadastrados perante a plataforma ficaria a cargo do órgão ou entidade contratante e que a alocação de direitos de controle sobre decisões quanto ao fornecimento, ficaria mais pendente para os fornecedores finais e não para a intermediária mantenedora da plataforma.

O que se verifica é que, na execução dos contratos de almoxarifado virtual que já analisamos, o que mais se assemelha a um e-marketplace no cumprimento das avenças é a plataforma ou sistema web que os usuários internos das entidades da Administração utilizam para realizar pedidos pelo almoxarifado virtual.

Diante desse cenário, além de não se confundir mais e-marketplace com almoxarifado virtual, algumas precauções merecem ser tomadas para a utilização dessas novas ferramentas, sem que se esbarre em entraves legais e até mesmo constitucionais.

Fonte: “https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/regulacao-e-novas-tecnologias/no-limite-da-inovacao-e-marketplace-e-almoxarifado-virtual-em-compras-publicas”